Outro dia li a notícia de um homem que casou com uma cachorra.
“Tudo bem”, você dirá, “todos os dias muitos homens casam com muitas cachorras, o que há de especial nisso?”. O fato é que esta era uma cachorra de verdade, canina mesmo.
P. Selvakumar, um camponês de 33 anos, do estado de Tamil Nadu, Índia — e de onde mais você queria que uma notícia dessas viesse? —, casou com uma cadela vira-lata de quatro anos.
A idéia do casamento foi do astrólogo do noivo — de quem mais? —, como maneira do rapaz redimir seus erros e curar a maldição que o perseguia há anos. É que no passado ele tinha o fofo hábito de matar cães a pedradas e pendurar os corpos em uma árvore, e desde então começou a ter sérios problemas de saúde.
Em outra notícia, o prefeito de Nova Deli, Surinder Singh Bajwa, morreu em decorrência de sérios ferimentos que sofreu quando caiu de uma sacada, ao tentar fugir de uma gangue de macacos. É sério, não é para rir não, o cara morreu. Tudo bem, pode rir: vai ver ele escorregou numa casca de banana.
Ao que parece, Nova Deli tem uma praga de macacos. Uma das causas é a rápida urbanização, que devasta as áreas nativas onde os animais vivem. Para piorar, os hindus devotos opõe-se às tentativas de controle da população de macacos, porque acreditam que o animal é reencarnação do deus Hanuman. É comum o pessoal deixar oferendas de comida nos templos, o que só ajuda a manter os macacos na área.
O Hinduísmo — que muita gente considera, nossa!, tão espiritualmente superior — tem mais deuses do que a lista telefônica de São Paulo tem Silvas, e para cada deusinho há uma lenda que diz que aquele deusinho encarna em algum bicho ou forma de vida. Não me espantaria descobrir que há templo hindu para adorar bolor de pão... ou até... ratos.
São histórias singelas como essa que me fazem ficar com mais vontade de visitar a Índia... nunca!
Mas se eu fosse convidado para o casamento de um indiano com uma cachorra, até iria. Deve ser divertido, ainda mais quando você embarca de volta para casa. De presente eu levaria um cabresto — para o jumento do marido.
Comentários (7)
Para nós ocidentais é realmente difícil entender a maioria das filosofias orientais, em especial a Hindú, haja vista que é uma das mais complexas.
A "profusão de Deuses" é o ponto de maior confusão. Ao contrário do que se pensa o hinduísmo não é politeísta. Para os hindús o único Deus é Brahman, representado por suas três formas principais:
Brahma: Criação,
Vishnu: tb conhecido por Krsna, simboliza a Manutenção,
Shiva: é a representação da destruição, para a posterior renovação.
As linhas principais do Hinduísmo (sim, existem divisões, tais como no Cristianismo) chamam esses "deuses" macaco, rato, etc de semi-deuses, ou ainda, criticam a sua elevação à categoria de deuses. No entanto, alguns animais são realmente adorados, como é o caso da vaca e a explicação para isso tomaria alguns parágrafos.
Claro que existem bizarrices no Hinduísmo e malucos na Índia. Mas em qual religião não existe bizarrice (ou ainda, o ateísmo em si pode ser considerado uma bizarrice), e em qual país não existem malucos? O país onde você mora é um excelente exemplo de celeiro de malucos. Malucos esses potencialmente mais perigosos que os indianos pois queles quando não estão matando dentro de uma escola, estão no poder ordenando bombardeios que matam milhares. Se fosse para escolher entre esses e os que casam com cachorros, prefiro os que casam com cachorros!!
Por preconceito o Hinduísmo é lembrado apenas pelos deuses com cabeças de elefante, pelas vacas e pelo sistema de Castas. No entanto, a "filosofia" Hindú é muito vasta pois ela tem ramificações na arquitetura, artes, alimentação, sociedade e medicina ( a ayurveda tem sido estudada e utilizada por muitos médicos ocidentais e ela foi a origem de várias práticas hoje em dia comuns, tais como a acupuntura). Como dica de leitura para o inverno, sugiro o livro "Tao da Física" que traça um paralelo entre o que os Hindús já falavam há milhares de anos e o que a ciência ocidental tem descoberto.
Om Shanti (Fique em paz)
Por Cassio R Eskelsen | dezembro 18, 2007 1:15 AM
em dezembro 18, 2007 01:15
Cassio, muitos hindus, incluindo a Federação de Associações Hindus, dizem que o certo é “deuses” mesmo, e “semi-deus” é derrogatório porque pressupõe inferioridade. As divindades hindus, na condição de manifestações individuais da essência do Brahman, são “deuses” por direito próprio. O hinduísmo diz que a adoração a qualquer uma destas manifestações divinas do Brahman é igualmente válida. Ou seja, é um monoteísmo com um caso sério de transtorno de múltiplas personalidades. É monoteísta em princípio, mas politeísta em execução. De um jeito ou de outro, esta distinção entre “deus” e “semi-deus” é pura tecnicalidade diante da superstição de alguém que casa com um cachorro.
Agora, você está certo quando diz que há loucos e superstição no mundo todo, mas há lugares onde a coisa parece pior. Eu sei que não deveria julgar o todo pelas partes, e a Índia é provavelmente mais “normal” do que penso pelos exemplos que encontro. Mesmo assim, não está no topo da lista de lugares que gostaria de conhecer.
Quanto ao “Tao da Física”, o problema sério desse livro é que ele baseia-se inteiramente na premissa de que se duas metáforas soam parecidas na superfície, no fundo elas referem à mesma coisa. É o mesmo que dizer que se duas sombras são iguais, os objetos que as projetam são idênticos. Não é porque taoísmo e física quântica compartilham metáforas similares que estas falam necessariamente dos mesmos conceitos. O livro força a barra em traçar tais paralelos.
Por Thales | dezembro 18, 2007 5:57 PM
em dezembro 18, 2007 17:57
O que eu queria saber mesmo era se a cadela era jeitosinha...
Por Ivan | dezembro 18, 2007 9:43 PM
em dezembro 18, 2007 21:43
HAHAHA! Ivan, isso me lembrou uma piada de escocês...
Por Thales | dezembro 18, 2007 11:59 PM
em dezembro 18, 2007 23:59
Ah que qui tem? Tem cachorra que é mais esperta mesmo que muita mulher!! hahahahaha!!
Bem, tem doido prá tudo nesse mundo né?
Beijos!!
Por J@de | dezembro 19, 2007 11:00 AM
em dezembro 19, 2007 11:00
A primeira piada que eu fiz em inglês foi sobre escoceses. Um pouco depois de clonarem a Dolly eu soltei o seguinte na cafeteria:
- The definition of 'irony' is a Scotish cloning a sheep.
Por Ivan | dezembro 20, 2007 5:52 PM
em dezembro 20, 2007 17:52
"O hinduísmo diz que a adoração a qualquer uma destas manifestações divinas do Brahman é igualmente válida"
Isso aqui prova por A+B que é monoteísta :)
De outra forma, poderíamos dizer que o Catolicismo é politeísta também.
A normalidade é relativa. As coisas que acontecem na Índia são normais para os Indianos e as coisas que acontecem no ocidente normais para nós são.
É natural julgarmos como "loucos" ou "fora da normalidade" povos que para nós são desconhecidos. Haja vista o susto dos primeiros portugueses que aqui aportaram ;)
Por Cassio Eskelsen | dezembro 27, 2007 8:24 PM
em dezembro 27, 2007 20:24