Recentemente o restaurante do trabalho veio com uma moda de raspadinhas. Toda vez que você compra uma refeição lá, ganha uma raspadinha para concorrer a prêmios. O prêmio que mais sai é o “(café) expresso aumentado grátis” (“free upsized espresso drink”). Já tirei esse três vezes.
Não que faça diferença, porque no escritório tem máquina de café do Starbucks, de graça. É uma maravilha. É um suprimento virtualmente infinito de café à minha disposição. Pressiono três botões e, momentos depois, sou servido de um reconfortante semi-balde de café fresquinho, quase que por mágica. Às vezes penso se minha vida não passa de um experimento em um meta-universo, eu um simples rato de laboratório sendo testado em minha busca por cafeína.

Mas enfim, estou divergindo. De volta às raspadinhas.
O mais cínico entre nós questionou a interpretação da palavra “aumentado” (“upsized”) na descrição do prêmio.
— Quer dizer que eu compro um café e eles aumentam a dose?
Não, que é isso, imagina?! É o café inteiro. Fosse só o acréscimo, seria muito fiasco.
Fomos lá tirar a dúvida e, adivinha, era isso mesmo, era só o acréscimo. Você compra um café normal e eles adicionam uma dose extra de expresso. Tinha até um aviso no caixa explicando a situação, tanta gente já foi lá achando que ganhou um expresso na faixa.
Mas o fiasco não parou aí. As cartelas das raspadinhas têm um número de série no verso, visível antes de raspar. Logo o pessoal descobriu que — adivinhe, isso mesmo! — o número de série permite prever o prêmio que sairá. E não é nada complicado, tipo fatorar números primos e tal. Basta olhar para o final, que é sempre o mesmo para os mesmos prêmios. Final P1 é “tente de novo”; final P6 é “café aumentado”; final P13 é “pizza”, e assim vai — aliás, o detalhe é que só o final muda, o resto do número é sempre o mesmo, para todas as cartelas.
Não é como se ninguém soubesse que engenheiros de software têm um parafuso a menos em habilidades sociais em troca de um parafuso a mais em habilidades matemáticas, incluindo talento para identificar padrões, e a MS tem a maior concentração de engenheiros de software do mundo. Mas daí já é ridículo, o pessoal do restaurante não está nem tentando fazer de conta que se esforçou. Como é que alguém pode ter dado uma mancada tão feia dessas? Quanto tempo até formar-se uma máfia das raspadinhas?
Comentários (5)
Aparentemente eles também não sabem escrever. "Free upsize of your espresso drink" seria mais claro e "free extra espresso shot when buying expresso drink" ficaria difícil de entender errado.
Quanto ao número... você não acha que o pessoal da cafeteria teria outro emprego se pudesse?
Por Ivan | janeiro 23, 2008 11:50 PM
em janeiro 23, 2008 23:50
Ivan, vai ver os marotos somos nós, e ainda há inocência nesse mundo...
Por Thales | janeiro 24, 2008 1:09 AM
em janeiro 24, 2008 01:09
De amanhã em diante vou ficar escolhendo as raspadinhas...
Por Carlos | janeiro 24, 2008 9:07 PM
em janeiro 24, 2008 21:07
Ontem eu recebi uma raspadinha... sem número. Ou seu blog anda sendo traduzido para o povo o msdining ou eles se deram conta.
Por Ivan | janeiro 26, 2008 5:03 PM
em janeiro 26, 2008 17:03
Pois é, os de espresso tem os números, mas o do Creamice e o Parfait que eu ganhei estão em branco. Mas gosto mais do upsized espresso drink do que o café free do Starbucks, já que o espresso drink pode ser um latte ou um mocha...
Por Maíra | fevereiro 11, 2008 12:24 PM
em fevereiro 11, 2008 12:24