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Sem pílula vermelha para sair dessa

Temos essa noção de que nosso sentido de visão é um canal direto, de alta fidelidade, entre o mundo que existe fora de nossas cacholas e nossa consciência. O que vemos é o que é, pronto.

Só que não é bem assim.

Você sabia que há um atraso de até um décimo de segundo entre luz atingir nossas retinas e a imagem correspondente registrar em nossa consciência? Um décimo de segundo! Isso é muito! É o suficiente, por exemplo, para você ter problemas para apanhar uma bola de tênis lançada em sua direção. No entanto, a maioria das pessoas de visão normal prosseguem ignorantes de tal atraso, razoavelmente aptas a apanhar coisas lançadas a elas, ou a lidar com objetos em movimento.

Como pode?

O truque é elaborado.

Até pouco tempo os cientistas achavam que o cérebro compensava tal atraso adiantando os movimentos motores — se sua mão estiver um pouco mais adiantada do que você pensa que ela está, então ela apanhará a bola que você vê atrasada.

Só que o truque parece ser outro, mais sofisticado e sensacional.

Segundo o cientista cognitivo Mark Changizi, o que acontece é que o cérebro prevê o que vai acontecer, daí mostra a imagem prevista no lugar. Quer dizer, o que você vê agora não é uma cópia do que suas retinas capturam no momento, mas uma previsão que seu cérebro faz, a partir de uma imagem de um décimo de segundo atrás, do que você estaria vendo neste exato instante.

Doido, não?

Segundo Changizi, este mecanismo explica muitas das ilusões de ótica que conhecemos. Tais ilusões são o resultado de o cérebro prever o movimento errado.

Este é apenas um dos muitos truques do cérebro. Outro, que aposto você já conhece, é o do ponto-cego. Nossas retinas têm, cada uma, um ponto-cego, mas dificilmente notamos que ele existe, pois o cérebro preenche tal área do campo de visão com uma imagem sintetizada daquilo que ele acha que deveria estar lá, criando a ilusão de que não há ponto-cego.

Antes de uma imagem registrar em nossa consciência, ela é completamente desmontada, interpretada, reinterpretada, analisada, e finalmente reconstruída pelo cérebro. O que vemos não é o que está ali fora, mas uma representação altamente reeditada daquilo. O que você vê é uma ilusão que seu cérebro cria e coloca diante de seus olhos. É como se cada um de nós vivesse em sua própria Matrix particular.

Comentários (1)

Nossa, que coisa de doido isso!

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Esta é uma página do blog publicada em junho 5, 2008 8:32 PM.

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