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WALL-E

Ontem fui ver WALL-E no cinema... pela segunda vez. Fui para acompanhar a Adri, que ela ainda não tinha visto o filme. Sei que isso soa como desculpa, mas não é. Nós poderíamos ter ido ver Kung Fu Panda, o outro filme de animação desta temporada, que nenhum de nós viu ainda, mas o fato é que gostei tanto do filme do robozinho que preferi dividí-lo com a Adri antes, e deixar o panda para outra hora.


WALL-E é muito bacana!


Kung Fu Panda fica para quando sair em DVD. Sem querer desmerecer o trabalho da DreamWorks, que já teve a coragem de apostar num ogro como personagem principal, e mesmo sem ter visto o filme ainda, mas fazer que um urso panda seja um personagem adorável não parece lá muito desafiador não. Aliás, é quase uma trapaça. Mais fácil que isso, só se fosse um filhote de labrador.


Agora, para pegar um robô que tem a sutileza de design de uma retroescavadora, e transformá-lo em um personagem tocante, é preciso muito talento, e nessa a equipe da Pixar demonstrou que tem talento de sobra.


Sim, eu sei que Cars, o filme anterior da Pixar, era sobre carros humanizados, mas não é a mesma coisa. Em Cars os personagens tinham expressões faciais e tudo mais. Já o robozinho de WALL-E é minimalista nas feições antropomórficas, e ainda assim — ou talvez para compensar isso — o personagem é de uma humanidade cativante, com um grande coração, e pitadas de doçura e fragilidade que lembram o Carlitos de Chaplin (ops, nessa eu viajei).


Por outro lado, o filme talvez não seja tão acessível às crianças quanto são os outros filmes da Pixar. Um panda seria, certamente, uma aposta mais certeira. Mas o filme é sensacional, e a Pixar está de parabéns por ter a coragem de apostar nele.


Ah sim, a história também traz uma mensagem anti-consumista, sobre como a humanidade vai por um caminho de sedentarismo e desperdício crescentes. Isso é interessante, principalmente logo na saída do cinema. Primeiro você joga o saco de pipoca e o copo descartável de refrigerante numa pilha imensa de lixo. Depois, no banheiro, o sabonete, a água da torneira, e as toalhas de papel, é tudo automatizado, basta você colocar a mão embaixo e esperar a maquininha ativar. A sensação é, no mínimo, curiosa. E, é claro, tem também a ironia de que o filme arrecadará milhões em merchandising, e de ser distribuído pela Disney, uma das maiores corporações do planeta. Mas não deixe esses questionamentos estragarem a história.

Comentários (7)

Ricardo:

Você não foi o primeiro a comparar o WALL-E ao Carlitos.
Um crítico de um site de cinema (Omelete) já havia feito essa comparação após ver a Avant Premier.
O filme é realmente muito bom. Faz até esquecermos que não devemos deixar o coelho com fome. Principalmente se formos mágicos :)

Damn it, Ricardo! E eu achando que tinha feito uma comparação original. Pelo visto o paralelo entre os dois personagens é algo natural, mas não imagino que seja intencional, apenas que os personagens compartilham algumas características semelhantes que talvez sejam conseqüência dos temas que abordam.

Nós aqui adoramos Wall-e, inclusive o Thomas. Acho que vamos ver de novo! Foi bem legal poder discutir com o Thomas sobre os problemas da nossa sociedade. E eu também adorei o coelho!

Ricardo:

Se você tiver mais curiosidade sobre o WALL-E pode acessar o blog de um dos animadores do filme o Victor Navone:

http://www.navone.org/blogger/

Tem até um WALL-E animatronic, isto é um robô quase de verdade :)

O carinha citado acima fez aquela animação famosa na net do alienigena cantando Gloria Gaynor (I will survive); hoje ele trabalha "só" na Pixar... :)

Ainda não fomos ver, mas acho que realmente atrai mais aos adultos. O Andrei (3,5) foi ver. Quando perguntei o que ele achou recebi a seguinte resposta:
"Não gostei. A pipoca caio no chão."

Ivan:

A Julia amou - mas ela gostou mais do Panda.

Pois é, a primeira parte do filme (que é a melhor) é um pouco fora do alcance das crianças. Mas os adultos estão adorando: o filme recebeu 97% no Rotten Tomatos, contra 88% do Panda e 93% do Iron Man (que também é um filmão, mas por outros méritos). Enfim, o desejo geral (dos adultos) é ver a Pixar investir em mais filmes para gente grande também.

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Esta é uma página do blog publicada em julho 7, 2008 11:09 PM.

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