Arte
No cruzeiro em que viajei dias atrás, tinha leilão de arte.
A empresa dona do cruzeiro compra quadros às pencas para decorar seus navios, daí leiloa as sobras. Dá para ter uma idéia.
Até que havia um e outro quadros bons, se bem que não muito do meu gosto, mas na média as obras eram muito, muito bregas.

Tão bregas que aquelas minhas fotos de bolha estariam em pé de igualdade lá no meio.

Os norte-americanos são muito, muito bregas.
Mas há ocasiões em que você se surpreenderia...
Um dia, passando pelo deck onde acontecia um leilão, ouvi a mestre leiloeira anunciar:
— Agora gostaríamos de oferecer estes Matisses originais...
O quê? Um Matisse original? Um não, mais do que um, e num leilão de cruzeiro? E logo Matisse, sobre quem li ainda outro dia? Imagine a sorte de eu estar passando por ali bem naquele momento. É claro que tive que parar para ver.
— Você poderá ter um “Matisse” original em sua sala.
Uau!
— Do pintor Paul Matisse.
Paul Matisse? Paul?
Não era Henri Matisse não?
— Paul Matisse, neto do famoso pintor Henri Matisse.
What the $%!$@#@&*! Que tipo de pilantragem é essa? Vai ter cara-de-pau assim lá na %$#^*@!.
— Reconhece-se o estilo do avô nas pinturas.
Ah, e nem estilo próprio o larápio tem.
Que enganação! Que descaramento! O que é isso, leilão paraguaio? Por acaso teria aí também um quadro de Juquinha Van Gogh, bisneto do primo de segundo grau do pintor pós-impressionista Vicent Van Gogh, para incluir como brinde no pacote? Tipo, “compre três Matisses e leve um Van Gogh de graça”.
Bando de pilantras!
No final, nenhum dos Matisses... er... “originais” recebeu qualquer lance. O pessoal pode ser brega, mas não é burro...
Mas há ocasiões em que você se surpreenderia...


