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O que é isso?
Ah, é mesmo, tem um blog aqui.
Já tá com teia de aranha?
Parece que não.
Bem, então dá para deixar de lado por um tanto mais ainda.
Depois eu volto.
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O que é isso?
Ah, é mesmo, tem um blog aqui.
Já tá com teia de aranha?
Parece que não.
Bem, então dá para deixar de lado por um tanto mais ainda.
Depois eu volto.
Escrevi o seguinte na descrição de um bug. Alguém perguntou se era algum tipo de haiku brasileiro.
Easy fix, low risk
Buffer overrun on buffer read
Should take
Só quis ser conciso.
Eis a descarga de privada de banheiro mais poderosa do mundo! Pelo menos é o que a propaganda diz. A propaganda também não diz muito sobre o encanamento ao qual tal descarga tem que estar conectada.
Mas enfim, qual o punch line?
É que essa é a privada que a AIG usa...
No sábado passado, 14 de março, 3/14 no formato de data norte-americano, muita gente comemorou o dia do número Pi, aquela constante matemática super importante.
14 de março é também o aniversário de nascimento de um de meus ídolos, Albert Einstein, aquele que para muitos é o arquétipo do gênio científico.
Einstein teve muitas sacadas criativas. A primeira delas foi entender que certas esquisitices nas equações de Plank não eram apenas “ajustes” como o próprio Plank pensava, mas indicações de esquisitices na própria realidade da natureza. Einstein partiu do pressuposto que as equações estavam certas, e o entendimento da realidade é que precisava ser revisado. Tal atitude permitiu a ele conectar certos pontos que escaparam a seus contemporâneos e predecessores, e com isso ele fez descobertas que revolucionaram a Física.
Por outro lado, ele não dava muita bola para experimentação prática. Para ele o conhecimento teórico tinha uma qualidade superior à prática. Ele basicamente inventou o campo de Física Teórica. Quando observações astronômicas comprovaram previsões de sua teoria, ele comentou que, tivesse sido de outro modo, tivessem as observações refutado a teoria, ele ficaria “desapontado com Deus, pois a teoria está certa”. De certo modo, ele teve sorte de trabalhar com algo relativamente “simples” como a Teoria da Relatividade. Não que tal teoria seja simples, obviamente, mas quando comparada às bizarrices da Física Quântica, a teoria é simples e bela, e ainda cabe inteira na cabeça de um gênio só. No final, aquela mesma idealização pela elegância matemática, que permitiu a Einstein sacar a realidade física por trás das equações de Plank, impediu que ele entendesse e aceitasse as implicações “deselegantes” da Física Quântica.
Quanto a mim, que nunca fui gênio, longe disso, por muito tempo segui uma linha de pensamento similar (guardada as proporções, é claro), de ter essa idéia platônica de que a Teoria é um caminho “superior” à Prática na busca pelo conhecimento. Por exemplo, eu considerava Engenharia, minha área de formação, como uma atividade muito mais intelectual do que experimental. Para mim, experimentação era apenas para comprovar aquilo que você já devia ter sacado teoricamente.
De alguns anos para cá, minha visão mudou bastante, e hoje sou muito menos da escola platônica, e muito mais da escola empírica. Hoje tenho que a Teoria é irrelevante até você ver a coisa acontecer na Prática, pois a realidade é extremamente mais complexa do que conseguimos vislumbrar intelectualmente, e experimentação é uma ferramenta fundamental na aquisição de conhecimento. Para mim, o processo de desenvolvimento científico e tecnológico é muito mais um processo de exploração e descoberta do que de concepção intelectual. De certa forma, eu não “projeto” software, eu “descubro”.
Ainda mantenho Einstein como ídolo, e como não, mas a seu lado adotei Thomas Alva Edison, que não tinha o mesmo carisma que o primeiro, mas era de uma criatividade pragmática sem igual. Edison experimentou cerca de 3000 materiais diferentes antes de chegar ao filamento de bambu carbonizado, o elemento chave de sua invenção mais famosa, a lâmpada elétrica. De certa forma, pode-se dizer que ele “descobriu” a lâmpada. Edison dizia que uma idéia é “1% inspiração e 99% transpiração”. Há vezes em que você precisa tentar coisas diferentes só por tentar, para ver o que acontece.
Você conhece esse truque da carta de baralho que muda de cor? Assiste aí ao vídeo que é legal. Vê se você consegue sacar o truque.
Vai lá que eu espero.
Se você ainda esta para assistir ao último episódio de Battlestar Galactica, pare de ler agora.
***
Eu avisei.
***
Aha! O final de Galactica foi, em parte, como previ desde que a Athena engravidou do Helo lá no começo da série: aqueles eventos eram o passado distante da Terra, e os humanos atuais seriam descendentes híbridos de cylons com aqueles humanos.
Ou vai dizer que você não viu esse final chegando a anos-luz de distância? Eles até que enganaram com aquela Terra fajuta e aquela surpresa tipo “Planeta dos Macacos”, mas, no final, foi como tinha que ser, pois quando o inesperado é a norma, tal solução de roteiro é quase inescapável.
No mais, o final foi bem épico e dramático, na tradição da série. Galactica inovou por ser uma série de ficção-científica com produção apurada, mas voltada essencialmente aos personagens e seus conflitos. Só fiquei um pouco decepcionado pela maneira como os elementos místicos foram usados para amarrar as pontas soltas da história. Minha “suspensão voluntária de descrença” teve problemas para entrar em ação. Ficou um gostinho residual de “Deus Ex Machina”. O balanço geral é positivo porém. Leva nota 8.
Não li os quadrinhos, mas gostei do filme. Watchmen é bem bacana.
O personagem mais legal é o Rorschach. Ele tem uma máscara na qual fica passando o clip da música Crazy, do Gnarls Barkley. Mas sem o som. Isso faz dele louco? Provavelmente...

Uma coisa que não me ficou clara é se a estampa mutável da máscara do Rorschach é algo real ou subjetivo. Ou seja, se é algo que os outros personagens vêem, ou apenas nós, a platéia.
Entendi, porém, que a sacada é a seguinte: a visão que ele tem do mundo muda constantemente, mas é sempre em extremos, dicotômica, mutuamente exclusiva, preto e branco. Afinal, ele “nunca compromete”.
O ator que faz o papel é ótimo, mas mais não conto para não estragar para quem não viu o filme.
Fabinho disse que sairá de Rorschach no Halloween.
No Halloween ainda não sei, mas na Solstice Parade, penso em sair de Doctor Manhattan.

Por que não no Halloween? Bem, Solstice Parade é na primavera, Halloween é no inverno, faça as contas. Se eu fosse tentar um Doctor Manhattan no Halloween, teria melhores chances como Mestre Oogway.

***
Vi que já apareceu um spin-off de Watchmen, mas sei lá, não acho que será muito bom não...

***
Pronto, chega de piadas sobre o bráulio do Manhattan...
Dia desses a Adri trouxe para casa minha revista favorita: Sky Mall.
Sky Mall é um catálogo de compras que muitas empresas aéreas daqui dispõe para os passageiros durante os vôos. Você pode comprar os produtos oferecidos depois do desembarque, por correio ou telefone, ou até mesmo durante o vôo, pelos telefones de bordo (quando disponíveis).
Enfim, se você tem dinheiro para gastar, eles dão um jeito.

Sky Mall funciona no pressuposto que a combinação entre altitude elevada e tempo sentado afeta o cérebro para pior, e faz você ficar com um comichão danado para comprar aquilo que não precisa. E quanto menos precisar, melhor.
Por exemplo, que tal um gárgula para animar a fachada tão modesta de sua casa? Afinal, se funcionou para Notre Dame, por que não funcionaria para seu palacete de subúrbio? O homem é o rei do próprio castelo. Ou algo assim. Dizem.

E aquele seu jardim desanimado? Para que estragá-lo com um anão brega, tão nórdico, quando você pode instalar uma maravilhosa estátua em bronze falso do Sasquatch, muito mais a mitologia norte-americana?

E a sala de estar? Que tal decorá-la com uma réplica em tamanho real do simpático R2D2 de “Guerra nas Estrelas”? Sua esposa emitirá assobios intergalácticos de aprovação.

Sky Mall é um monumento ao consumismo norte-americano, o qual funciona na premissa de que este povo tem (ou tinha) mais tempo, dinheiro e espaço na garagem do que capacidade para tolerar as mínimas inconveniências. Os norte-americanos A-DO-RAM uma solução complicada para um problema simples.
Por exemplo, por que subjugar-se à inconveniência de juntar o cocozinho de seu cachorro com uma sacolinha genérica, quando você pode usar uma pazinha especialmente dedicada à tarefa? É o Pooper Scooper. Se as Organizações Tabajara publicassem um catálogo de compras, a Sky Mall seria tal catálogo.

Um jeito fácil de inventar soluções complicadas para problemas simples é recombinar coisas que antes existiam separadas. Pontos extras se uma das coisas for digital.
Por exemplo, que tal uma máscara de mergulho com câmera fotográfica digital embutida? Aberração diabólica, saída da mente maligna de algum Dr. Moreau do mercado de livre iniciativa.

A combinação de duas soluções distintas raramente melhora qualquer uma delas. Muitas vezes é o contrário. Um treco desses é ruim como máscara de mergulho, e péssimo como câmera fotográfica. Porém, de alguma forma, em algum lugar, alguém com mais dinheiro do que juízo, olha para isso e acha a idéia sensacional, e não consegue imaginar como viveu até hoje sem isso — ou a coisa não estaria num catálogo de compras.
Um sinal de que você está morando há muito tempo nos EUA é quando você folheia o Sky Mall e, coisas que você dispensaria como bobagem há alguns anos, hoje você se pega pensando “mmm... até que consigo visualizar alguma utilidade para isso”.
Olha esse segurador de livro, por exemplo. Sensacional! Como pude viver até hoje sem ter um?

Eu achava que o Bush era tanço, mas nessa o Lula mostrou que não deve nada ao ex-presidente norte-americano.
Aqui uma brincadeira que eu e Adri inventamos outro dia para atiçar a criatividade. Requer duas ou mais pessoas. Aliás, com muitas pessoas deve ficar muito doido.
Cada participante começa com uma folha de papel e uma caneta. Então cada um começa a fazer um desenho e, plim!, a cada dez segundos faz-se um rodízio das folhas e cada participante continua o desenho onde o outro parou. Repete-se o ciclo por algumas rodadas até o desenho ficar “pronto”. A definição de “pronto” aí depende do momento. Quando um desenho fica “pronto”, o participante começa outro.
Ter um timer para marcar o tempo ajuda. Nós usamos uma aplicação do iPhone. Dez segundos pode parecer pouco, mas o objetivo é manter um ritmo rápido para os participantes sintetizarem mais e analisarem menos.
Abaixo um dos desenhinhos que a gente fez, e que colori depois no micro.

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