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agosto 2009 Archives

agosto 2, 2009

Ostracismo

Direto do departamento de assuntos aleatórios...

De onde vem a palavra “ostracismo”, com o sentido de banir alguém de um grupo?

O que aprendi na aula de história, na sétima série, é que a palavra veio do procedimento na democracia ateniense que permitia expulsar indivíduos de uma cidade-estado por um período de 10 anos. Funcionava como uma medida preventiva para retirar de cena os políticos causadores de problema e potenciais tiranos. Ao contrário de um processo jurídico, não havia acusação ou defesa. Ao invés, a decisão de banir alguém era feita por meio de voto. Conchas de ostra serviam de cédula de votação, daí “ostracismo”.

Até aí, tudo bem. Porém, outro dia topei (de novo) com o inglês “ostracism”. Só que desta vez pensei na origem da palavra e algo fez click, ou melhor, clack. Rolou uma dúvida básica sobre a relação das palavras, de modo que fui pesquisar.

“Ostracismo” vem do grego ostrakismos, que vem de ostraka, que significa “concha”. Porém, ostraka também é o nome grego para um caco de vaso de cerâmica, e é deste sentido que “ostracismo” vem. Os gregos não tinham papel, e papiro era um item muito caro para uso descartável, porém cacos de cerâmica havia de sobra.

Professor Gastão, se você está lendo isso, você mentiu para seus alunos! Que feio.

agosto 4, 2009

Napa 2

Ainda sobre a visita ao Napa Valley, enquanto a Adri publica as fotos bonitas lá no blog dela, opto pelas sobras.

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Legal chegar no hotel e a primeira coisa que você vê é uma placa avisando que o prédio contém materiais cancerígenos. Ainda bem que este hotel foi só na primeira noite.

Por outro lado, o que é que não causa câncer?

Fico pensando o que eles querem dizer por "reproductive harm". Tipo assim, o chão cede se balançar muito a cama?

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Fulano queria ser arquiteto ou designer. Acabou indo trabalhar na fábrica de papel-higiênico do pai, no departamento de marketing. Envision? Envision WHAT exactly?

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Cara chato é assim:
— Temos todos os tipos de queijo do mundo.
— Tem um queijinho di Minas?
— De onde?
— Xi, fraco.

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A vinícola já é bem escondida, e os caras ainda colocam fração na placa. Tudo bem que é fração de dez, mas eu já estou embriagado das cinco degustações anteriores, dirigindo em alta velocidade, e ainda tenho que fazer conta de cabeça no sistema britânico de unidades???

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Interessante o balcão de sal.

Talvez você não tenha entendido, o balcão é feito de sal.

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Isso sim que é sal grosso! Perto dele, o resto é sal de fruta.

Esse sal é tão grosso que para assar picanha com ele você usa estilingue.

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Mais vinho? Sim, por favor.

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Deixa eu escolher uma rádio legal aqui para ver se consigo ficar acordado, hic...

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Tortinha de chocolate na "Bouchon Bakery" ("Confeitaria Rolha"). Só há três dessas confeitarias no mundo: New York, Las Vegas e Yountville (Napa).

Grande coisa, o pastel do Álvaro, em Curitiba, só existe em um lugar no mundo, na esquina da Westphalen com a Silva Jardim.

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O balão vai subindo...
Cabe aqui na minha mão...

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Vista da montanha na volta para casa.

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Ê maravilha! Mal voltei de férias, sequer saí do aeroporto, e já topo com bug.


agosto 11, 2009

Parking FAIL

Campeão esse daí...

agosto 17, 2009

Curiosidades Médicas

agosto 21, 2009

Bruxas

Minha cena preferida de "Monty Phyton e o Cálice Sagrado" é aquela em que uma multidão está tentando determinar se uma mulher é bruxa. A conclusão deles é que se ela pesar tanto quanto um pato, ela flutuará em água, logo ela será feita de madeira, logo ela será uma bruxa (pois bruxas queimam em fogueira por serem feitas de madeira).

Como se não pudesse ficar mais absurdo, no final ela de fato pesa tanto quanto um pato, e é condenada por bruxaria.

A cena é a quintessência de como a verdade e a lógica não se interpõe no caminho da superstição e da ignorância.

Daí outro dia assisti a um documentário sobre a Idade Média, e naquela época o povo tinha o singelo hábito de determinar se alguém era adepto de bruxaria jogando a pessoa na água. Se a pessoa flutuasse, era porque a água a estava "rejeitando", logo ela só podia ser "do mal". Se a pessoa afundasse, então era "do bem". Tudo bem que alguns "do bem" morriam afogados, mas é o tipo de sacrifício que se faz para erradicar o mal do mundo, certo?

Há vezes em que a realidade é mais absurda que a ficção...

agosto 23, 2009

Aceleradores de Partículas

Para estudar a constituição da matéria, cientistas usam aceleradores de partículas. São instalações sofisticadas onde se observam colisões de partículas subatômicas a altíssimas velocidades, próximas à velocidade da luz. Dos fragmentos destas colisões, tenta-se deduzir de que a matéria é feita.

De certa forma, equivale a fotografar a batida frontal de dois carros a quase trezentos mil quilômetros por segundo cada, e da foto tentar deduzir de que os carros são feitos. Só que é de noite e a foto só mostra as faíscas da colisão.

É claro que, com um carro, é mais fácil desmontá-lo para analisá-lo. Mas com partículas subatômicas não dá. Não existe faca de cortar próton, ou pinça de pegar elétron, pois qualquer ferramenta seria inevitavelmente feita de átomos, portanto muito maior do que aquilo que se quer desmontar. Seria como tentar fazer um furo de um milímetro com uma broca de dez quilômetros de diâmetro. Simplesmente não dá. A única maneira conhecida é quebrando as partículas em colisões de altíssima energia, e observando a perturbação que os fragmentos da colisão causam à matéria ao redor.


Tevatron, acelerador do Fermilab (fonte)

Coisa interessante, quanto menores os fragmentos que você quer observar, mais potente precisa ser a colisão, logo maior tem que ser o acelerador. É como precisar de uma pista mais aberta para acelerar os carros a uma velocidade maior, ou eles não conseguirão manter a curva. O acelerador LHC, por exemplo, tem 27 quilômetros de circunferência.

Uma idéia muito errada que eu tinha, é que eles aceleravam um par de partículas por vez, e daí observavam uma colisão — ficava intrigado com a precisão do processo.

Só que não é bem assim.

Na verdade, são dois fluxos contínuos de bilhões de partículas em direções opostas. É como se aquela pista de provas tivesse quilômetros de largura, com muitos carros cruzando-se a toda hora, a altíssima velocidade, em frente a uma câmera. Alguns carros passam ilesos, outros colidem. De vez em quando ocorre aquela colisão “perfeita”, que mostra os detalhes (as peças) que você procurava, bem na hora em que você fotografou.


Foto (simulada) de uma colisão (fonte)

E não é uma foto, mas milhões de fotos. Para ter uma idéia, os sensores do LHC capturam 40 milhões de fotos tridimensionais por segundo, e operaram por horas seguidas. Estima-se que a instalação produzirá 15 petabytes de dados por ano. Isso são 15 milhões de gigabytes.

Haja paciência para olhar todas as fotos em busca das mais “interessante”. É claro que isso não é feito à mão. Não dá, é humanamente impossível. Ao invés, cada foto é analisada por filtros de software que tentam isolar as mais promissoras, para que os cientistas humanos olhem depois. Tais filtros são um dos elementos cruciais do processo. Use filtros muito restritos, e você correrá o risco de perder os eventos que procura. Use filtros muito relaxados, e você acabará com milhões de fotos para olhar. É a proverbial busca de uma agulha em um palheiro.

agosto 25, 2009

Manda Bala

Você já ouviu aquela piadinha do “estava com vontade de trabalhar, daí sentei no sofá e esperei a vontade passar?”

Aqui vai uma variação dela: Estava com saudades do Brasil, então sentei no sofá para assistir a “Manda Bala”, documentário do diretor Jason Kohn, e a saudade passou.

O filme, de 2007, é um documentário estadunidense sobre a violência e corrupção no Brasil, com um certo enfoque no ponto de vista dos próprios brasileiros. O documentário entrelaça diferentes histórias relacionadas à indústria dos seqüestros e aos casos de corrupção de Jáder Barbalho, que é apresentado como exemplo do ponto a que a corrupção institucionalizada, e sua tolerância, chegam no país.

Alguns brasileiros (e talvez gente de qualquer nacionalidade, efim) têm essa de não gostar quando estrangeiros falam mal do país, que estes não têm tal direito, que é exagero ou intriga, que os relatos são manipulados, que eles deviam olhar para o próprio umbigo antes de falar mal de outros. É como achar ruim que um careca aponte para nossa cabeça e diga que nosso cabelo está em chamas, quando nosso cabelo só está em brasa. É como se o Brasil fosse necessariamente OK, logo qualquer conclusão contrária é necessariamente errada. Afinal, corrupção e crime existem em qualquer lugar do mundo, não?

Fala sério! Tudo bem, talvez haja exagero e manipulação, mas mesmo quando se dá o devido desconto, mais bônus, ainda assim os níveis de criminalidade e corrupção no Brasil são absurdos para gente de país desenvolvido. O mais doloroso é a impressão que um longo tempo vivendo fora do país deixa, da resignação com que os próprios brasileiros aceitam tais problemas como dificuldades inescapáveis da vida.

Ainda tenho saudades dos amigos e da família, porém...

agosto 26, 2009

Freqüência VS. Expectativa

A inteligência humana é fascinante, não só quando funciona, mas também quando falha. É interessante como conseguimos usar nosso cérebro além daquilo para o qual ele foi feito. Algumas conceitos são mais intuitivos que outros. Um área em que nossa intuição tem o hábito de falhar é no entendimento de probabilidades, particularmente no que diz respeito à diferença entre freqüência e expectativa.

Por exemplo, qual dos seguintes investimentos hipotéticos é o melhor?

  • Investimento X: 99,9% de probabilidade de ganhar $1
  • Investimento Y: 99,9% de probabilidade de perder $1
  • Obviamente X é o melhor, oras. Afinal, com X você ganha quase sempre, e com Y você perde quase sempre. Assunto encerrado, certo?

    Certo?

    Bem, se fosse tão certo, eu não perguntaria, não é?

    Na verdade, depende. Depende inteiramente do que acontece naqueles demais 0,1%. É preciso olhar os dois lados da questão. Por exemplo, digamos que fosse o seguinte:

  • Investimento X: 0,1% de probabilidade de perder $1999
  • Investimento Y: 0,1% de probabilidade de ganhar $1999
  • Opa, isso muda tudo!

    Outra maneira de ver é assim: com X você aposta um montão por uma [quase] certeza de ganhar um pouquinho. O risco de perde é mínimo, mas quando você perde, perde um monte. Você ganha com freqüência, mas a expectativa a médio prazo é de perda.

    Freqüência é a probabilidade de um resultado particular. Expectativa é o resultado médio ao longo do tempo — é a média de todos os resultados particulares, considerando-se suas freqüências respectivas. No caso de X, a expectativa é de:

    99,9% x $1 - 0,1% x $1999 = -$1

    Ou seja, apesar de ganhar com freqüência, na média (a longo prazo) você perde $1 cada vez que investe.

    Já com Y é o contrário, sua expectativa é de ganhar $1 por investimento. Você aposta um pouquinho por uma chance de lucrar um montão. Você perde com mais freqüência, mas as raras vitórias são tão lucrativas que compensam. Sua expectativa ao longo do tempo é ganhar.

    Meu exemplo preferido desta diferença é a invenção da lâmpada elétrica. Thomas Edison testou uns 3000 materiais diferentes para achar um que servisse para o filamento da lâmpada. Um em 2999 é uma freqüência muito pequena de sucesso. De certa forma, a história da lâmpada elétrica é uma história de sucesso feita essencialmente de fracassos. Já imaginou se ele tivesse desistido no 2999º material? O risco de cada teste fracassar era enorme (isto é, a freqüência de fracassos). No entanto, o custo de testar cada material era tão pequeno, comparado aos potenciais ganhos de um raro sucesso, que valia a pena continuar tentando.

    Nossa intuição consegue lidar bem com situações em que freqüência e expectativa crescem proporcionalmente. Mas nem todas situações são assim. Há situações em que freqüência e expectativa crescem inversamente uma à outra, e nossa intuição não consegue lidar muito bem com elas. A idéia aqui é que, na hora de decidir se vale a pena tentar algo ou não, a expectativa de sucesso ou fracasso é mais importante que a freqüência de sucessos ou fracassos.

    agosto 27, 2009

    Visualizar

    Se há algo que fere meus neurônios gramáticos (que já são poucos, diga-se) é o uso abusivo (e incorreto) de “visualizar” com o sentido de “ver” em e-mails e sites em português. Por exemplo:

    “Clique aqui para visualizar a página”

    Ao invés de:

    “Clique aqui para ver a página”

    UAU! Que chique!

    Não! Deixa eu frisar melhor...

    U-A-U! Chiquéééérrimo!

    Imagine, “visualizar” é muuuuito mais sofisticado que “ver”! É mais chique, profissional, erudito, culto, elegante. “Ver” é verbinho chulo, de escola primária. Coisa de amador. Mas “visualizar”, não! De jeito nenhum! Para escrever “visualizar” você precisa de terno e gravata! Você precisa de MBA com pós-doutorado e credencial da Academia Brasileira de Letras. Uau! Você não nasceu para escrever “ver”, não senhor! Você nasceu para escrever “visualizar”!

    E uma página de “visualizar” só pode ser BILHÕES de vezes mais sensacional que uma página só de “ver”. Eu disse bilhões? Eu quis dizer TRILHÕES! Tipo assim, deve conter a receita da cura do câncer, ou uma foto de Deus menino criando o Universo! Eu nem pensaria em gastar clique com página só de “ver”, mas com uma página de “visualizar”, nossa, como posso não clicar? Eu tenho que clicar!

    ***

    Para começar, “visualizar” significa “converter em imagem real ou mental algo que não é diretamente visível”. Por exemplo, “Pedrinho visualizou (imaginou) um mundo sem fronteiras”. Ou então, “Joãozinho traçou um diagrama para visualizar a arquitetura do sistema”.

    Tudo bem que, de um ponto de vista estritamente técnico, uma página web pode ser considerada a “visualização” do código digital que descreve a página. Do ponto de vista prático, porém, quem visita uma página web raramente preocupa-se com os aspectos qualitativos do código digital por trás dela, apenas com a imagem final na tela ou papel, diretamente. Logo, quem abre uma página web (ou e-mail, ou foto digital, ou vídeo), abre para “ver”, não para “visualizar”.

    ***

    É isso, a gente se visualiza por aí.

    agosto 28, 2009

    Freqüência VS. Expectativa – Loteria

    Outro dia escrevi sobre a diferença entre freqüência e expectativa, e que há situações em que a freqüência de fracassos é altíssima, mas o custo de cada tentativa é tão pequeno, e os benefícios de um raro sucesso são tão altos, que a expectativa ao longo do tempo é de ganho — e, nestes casos, vale a pena continuar tentando.

    Pois bem, loteria NÃO É um destes casos.

    Em qualquer loteria, tanto freqüência quando expectativa (de sucesso) são baixas. A longo prazo, sua expectativa é de perder dinheiro.

    Uma maneira de ver isso é assim: se você jogar todas as combinações possíveis de uma só vez, de modo garantir o acerto absolutamente, o que gastará em apostas será bem mais do que o prêmio que receberá.

    O valor do prêmio multiplicado pela probabilidade de acerto é menor do que o valor da aposta.

    Se jogar na loteria fosse um negócio com expectativa de lucro, veríamos grandes investidores aplicando muito dinheiro em apostas. Loteria só é um bom negócio para o Estado e as casas lotéricas. É por isso que muitos dizem que loteria é um imposto pago pelos ruins de matemática.

    É claro que, se você acredita em sorte ou destino, não serão as probabilidades que ficarão em seu caminho.

    agosto 29, 2009

    Starbucks vs. Barnes & Noble

    Hoje aprendi que os cafés que tipicamente operam dentro das livrarias Barnes & Noble não são Starbucks.

    Quer dizer, o café bebida sim, o café rede não.

    A rede de cafés que opera nas livrarias Barnes & Noble é o... er... “Barnes & Noble Café” — que incidentemente serve café Starbucks, portanto o logo.

    Enganaram-me este tempo todo.

    Ah sim, e eles não aceitam os cupons de desconto da Starbucks :(

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