O momento em que vivemos é assim: tivesse a cantora Vanusa interpretado o hino brasileiro com competência exemplar, teria passado despercebida. Mas graças ao fiasco, devidamente registrado e youtubado, todo mundo viu, todo mundo quis ver, e todo mundo contou para mais alguém. Foi o maior sucesso.
Nessa até a Gisele Madoninha passou vergonha alheia. Passou, mas divulgou.
Antes do vexame, pouca gente lembrava da Vanusa. Hoje, pouca gente esquece. Depois ela deu entrevista na TV e rádio, para se redimir. Ganhou exposição na mídia. Tivesse planejado, não teria acertado tanto. É o “falem mal, mas falem de mim” — nunca foi tão verdade.
Kayne West é outro. Eu sequer sabia quem ele era, até aquele fiasco durante o concerto em benefício das vítimas do furacão Katrina, em 2005. E eu já tinha esquecido-o, até o recente fiasco na cerimônia do MTV Video Music Awards.
Depois Kayne West apareceu em vários programas de TV e rádio, fazendo gênero arrependido-atormentado, para se desculpar. Pode ter se desculpado, mas quem agradeceu foi o senador Joe Wilson, que pôde passar o bastão de “babaca da hora”.
Joe Wilson, outro que ninguém conhecia...
Vanusa defendeu-se das acusações de embriaguez culpando a complexidade do hino nacional e o remédio para labirintite que, supostamente, tomou no dia da gafe. Pode até ser, vá lá, mas alguém já pensou nas oportunidades comercias que vêm daí? Fosse eu dono de bar, batizava já um drink de “labirintite”. Seria o drink da vez!
Mas dar vexame é sempre traumático. Pobre Vanusa, podiam ter escolhido para ela o hino japonês, que só tem seis versos. É quase um haicai (ou haiku). Ou melhor, dois haicais (ou haikus). Afinal, qual o plural de haicai em japonês? Seria haicaicai (ou haikuku)? Talvez haicaiku, ou haikucai...
Mas eu divago...
Melhor seria o hino da Espanha, que não tem letra oficial. O hino brasileiro é um dos mais longos que há. Mas podia ser pior, podia ser o do Uruguai, possivelmente o mais longo de todos — mas não muito mais que o brasileiro.