Aproveito a visita ao Brasil para matar saudades de Mae West, a cachorrinha da família.

Mesmo depois de tanto tempo fora, e apesar de eu ter passado a maior parte da sua vida distante, ela ainda lembra de mim. Quando cheguei, ela saudou-me com aquela habitual felicidade que os caninos demonstram quando um membro da matilha retorna, tenha ele saído por 2 anos ou 20 minutos.
É a felicidade de saber que o outro ainda vive.
Quando você sai, um cão tem a esperança de vê-lo de novo, mas nunca a certeza. Como poderia? É um mundo incerto aquele lá fora.
Dois minutos depois, eu já não era novidade, mas a bagagem ainda era. Mae fez vistoria nas malas, para saber por onde andei, e que coisas trouxe.
"Tanto tempo fora, deve ter trazido um pato ou um texugo", acho que ela pensou.
Ainda bem que ela lembra de mim, porque não é muito amigável com estranhos não, pelo contrário. Como todo dachshund que se preze, Mae é vinte vezes seu tamanho em zanga e dez em coragem. Outro dia vieram uns caras da telefônica na casa, e ela não gostou nem um pouco não. Ficou uma fera com os intrusos. Tentei aplicar um Cesar Millan nela, com calma e assertividade, para desarmá-la de sua energia negativa, mas ela não gostou e tentou me morder.
Tanto eu quanto ela sabemos que ela só tentou me morder. Se quisesse mesmo, teria mordido. Só que daí eu teria "mordido" de volta, e ela sabia disso. "Lati" mais alto e ela colocou o rabo entre as pernas, fez cara de arrependida, e passou o resto da tarde chateadinha com o incidente, fazendo aquela cara de chachorro que caiu do caminhão de mundaças, sabe?
Cães são experts em fazer essas caras de coitados, que fazem a gente ficar "ohhh". Em parte porque nós mesmos, os humanos, selecionamos, ao longo da história, os cães que melhor faziam essas carinhas.
Mae faz essas caras como ninguém. Só que comigo não cola, não quando ela aprontou.
Quando ela quer apelar, ela mostra o branquinho dos olhos, raramente visíveis. Será esta outra característica selecionada para aumentar o vínculo com os humanos?
Os humanos são a única espécie primata que tem aquela parte do olho, a esclera (antiga esclerótica), branca. Os demais primatas têm escleras pigmentadas em cores que produzem menor contraste com a pele e a íris. E as escleras humanas são maiores em proporção também. Uma conseqüência disso é que é mais fácil identificar a direção do olhar de um humano à distância. Por que será? Afinal, isso tem a desvantagem de os adversários saberem para onde o indivíduo olha. Quais seriam as vantagens para compensar tal desvantagem? Uma possibilidade é que a visibilidade do olho facilite a comunicação entre humanos. Grande parte da comunicação não verbal se dá através dos olhos.
Comentários (1)
E quem não tem colírio usa óculos escuros. Esconda já sua esclera, maluco!
Por Do Barulho | janeiro 14, 2010 8:17 PM
em janeiro 14, 2010 20:17