No Japão vimos muitas excursões escolares nos lugares turísticos por onde passamos. Muitas. Ao que parece, é atividade comum por lá.
Aqui nos EUA não se vê tanto disso. Talvez porque aqui os pais tenham medo que as crianças saíam da estufa sem eles. Ou talvez porque, apenas, as crianças daqui andem mais à paisana, daí não notemos tanto os grupos.
Os estudantes japoneses andam todos uniformizados.
“Os bonés amarelos estão chegando, os bonés amarelos estão chegando”, era um dos alertas que usávamos entre nós para avisar a chegada de mais uma excursão. Hora de apurar aquela foto da paisagem sem gente na frente, ou acelerar o passo para entrar numa fila antes da multidão.
E lá vinha o cardume de pacmen.
Quando estudei em escola que exigia uniforme, a razão que davam — não que eu ligasse, mas aparentemente alguém ligava, daí explicaram — é que a uniformização diminuía a distinção de classe social, que de outro modo ficaria evidente se cada um usasse a roupa que quisesse. Ou seja, era para evitar preconceito contra os menos abastados. Tipo assim, “esconde a diferença para ver se desaparece”, sabe? Como se não soubéssemos quem era rico ou pobre, afinal. Ou como se não houvesse preconceito lá fora, na vida, que é para o que a escola supostamente preparava.
Mas tudo bem, pode até ser que uniformes tenham tal benéfico. No mínimo eles diminuem a pressão sobre as crianças para estar em dia com as vicissitudes da moda. Agradecem pela folga aqueles pais suscetíveis a satisfazer o apetite consumista de seus capetinhas.
E tem a segurança também, sempre a segurança. Muito importante, aliás.
Outro aspecto importante, certamente no Brasil, é o econômico. Queira ou não os uniformes permitem à escola estabelecer um monopólio para beneficiar seus amigos... er... “associados”.
Outra coisa que não posso evitar pensar é se os uniformes não servem, também, para suprimir a individualidade em favor do grupo. Um “vestir a camisa” compulsório, entende?
O Japão tem essa coisa bem saliente na cultura, a prevalência do grupo sobre o indivíduo. Aquela coisa da hierarquia rígida, regras sociais elaboradas, mentalidade de colméia. Aquela coisa de você não poder estar fisicamente acima de seus superiores, daí eles se curvarem tanto — que há vezes parece que o quadril desparafusou. No Japão nota-se uma pressão grande por ser conforme. Já nos EUA é o contrário, aqui há uma pressão pela individualidade, uma certa obrigação por ser único. Aqui todos são igualmente especiais, o que, pela definição de “especial”, é um contra-senso, mas tudo bem.