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Brasil Archives

setembro 9, 2009

Sertanejo Universitário

Recentemente fui apresentado ao mais novo estilo musical de sucesso no Brasil, o Sertanejo Universitário.

A coisa soa um paradoxo, mas não é. O estilo é bem real. Basicamente é música sertaneja que requer diploma de curso superior para compor... acho.

São pérolas como “Ciumenta”

Ciumenta, pára de ser tão ciumenta
Desse jeito nenhum homem te agüenta
Pára, eu já não sei o que fazer

Ou preciosidades como “Você Não Vale Um Real”

Você não vale um pingado
Nem um tostão furado
Mas eu te quero pra mim

Tipo: você não vale nada, mas tô pagando milão.

Outra jóia é “Bala de Prata”

Criminosa, não posso olhar dentro do seu olhar
Bala de prata certa pra matar
Virei seu refém e não quero escapar

Bandida, você atirou em minha direção
E acertou bem no meu coração
Minha vida ficou nas palmas de suas mãos

Ciumenta? Fácil? Criminosa? Bandida?

Deve ser coincidência. Vamos tentar outra. Que tal “Mala Pronta”?

Deixa a mala pronta
Arruma sua roupa
Pode ir embora
Que eu arranjo outra

Fala sério, gente! O que é que essa mulherada anda fazendo com esses universitários no Brasil? A coisa tá braba, eu heim?!

“Dormi na Praça”

Deitei num banco na praça
Tentando te esquecer
Adormeci e sonhei com você

O Sertanejo Universitário deriva do sertanejo, mas com ritmo mais acelerado, combinando elementos do rock, pop, axé e música gaúcha.

Em outras palavras, imagine três ônibus de excursão lotados de universitários cornos, um indo de Pelotas a Petrolina, outro de Salvador a Campinas, e outro indo do Mato-Grosso para qualquer lugar que seja, por favor. Os três se encontram na altura do Rio e trombam de frente. Bem, o estilo Sertanejo Universitário é mais ou menos isso.

Eu debocho, mas até que entendo o sucesso que o estilo faz. São baladas simples, diretas, fáceis de cantar, boas para festar — principalmente depois de algumas, digo, várias, várias doses.

Ah sim, e se você é solteiro, ou está na entressafra, ligue-se na parada, porque a mulherada a-do-ra o estilo.

Despeço-me com um trecho de “Rebola Guria”, que é de uma falta de sutiliza de não dar trabalho algum para a imaginação:

Rebola guria
Desce até o chão
Abre essa gaita
Que eu toco o tamborzão

setembro 19, 2009

Hino

O momento em que vivemos é assim: tivesse a cantora Vanusa interpretado o hino brasileiro com competência exemplar, teria passado despercebida. Mas graças ao fiasco, devidamente registrado e youtubado, todo mundo viu, todo mundo quis ver, e todo mundo contou para mais alguém. Foi o maior sucesso.

Nessa até a Gisele Madoninha passou vergonha alheia. Passou, mas divulgou.

Antes do vexame, pouca gente lembrava da Vanusa. Hoje, pouca gente esquece. Depois ela deu entrevista na TV e rádio, para se redimir. Ganhou exposição na mídia. Tivesse planejado, não teria acertado tanto. É o “falem mal, mas falem de mim” — nunca foi tão verdade.

Kayne West é outro. Eu sequer sabia quem ele era, até aquele fiasco durante o concerto em benefício das vítimas do furacão Katrina, em 2005. E eu já tinha esquecido-o, até o recente fiasco na cerimônia do MTV Video Music Awards.

Depois Kayne West apareceu em vários programas de TV e rádio, fazendo gênero arrependido-atormentado, para se desculpar. Pode ter se desculpado, mas quem agradeceu foi o senador Joe Wilson, que pôde passar o bastão de “babaca da hora”.

Joe Wilson, outro que ninguém conhecia...

Vanusa defendeu-se das acusações de embriaguez culpando a complexidade do hino nacional e o remédio para labirintite que, supostamente, tomou no dia da gafe. Pode até ser, vá lá, mas alguém já pensou nas oportunidades comercias que vêm daí? Fosse eu dono de bar, batizava já um drink de “labirintite”. Seria o drink da vez!

Mas dar vexame é sempre traumático. Pobre Vanusa, podiam ter escolhido para ela o hino japonês, que só tem seis versos. É quase um haicai (ou haiku). Ou melhor, dois haicais (ou haikus). Afinal, qual o plural de haicai em japonês? Seria haicaicai (ou haikuku)? Talvez haicaiku, ou haikucai...

Mas eu divago...

Melhor seria o hino da Espanha, que não tem letra oficial. O hino brasileiro é um dos mais longos que há. Mas podia ser pior, podia ser o do Uruguai, possivelmente o mais longo de todos — mas não muito mais que o brasileiro.

janeiro 12, 2010

Sobre o branco dos olhos

Aproveito a visita ao Brasil para matar saudades de Mae West, a cachorrinha da família.

Mesmo depois de tanto tempo fora, e apesar de eu ter passado a maior parte da sua vida distante, ela ainda lembra de mim. Quando cheguei, ela saudou-me com aquela habitual felicidade que os caninos demonstram quando um membro da matilha retorna, tenha ele saído por 2 anos ou 20 minutos.

É a felicidade de saber que o outro ainda vive.

Quando você sai, um cão tem a esperança de vê-lo de novo, mas nunca a certeza. Como poderia? É um mundo incerto aquele lá fora.

Dois minutos depois, eu já não era novidade, mas a bagagem ainda era. Mae fez vistoria nas malas, para saber por onde andei, e que coisas trouxe.

"Tanto tempo fora, deve ter trazido um pato ou um texugo", acho que ela pensou.

Ainda bem que ela lembra de mim, porque não é muito amigável com estranhos não, pelo contrário. Como todo dachshund que se preze, Mae é vinte vezes seu tamanho em zanga e dez em coragem. Outro dia vieram uns caras da telefônica na casa, e ela não gostou nem um pouco não. Ficou uma fera com os intrusos. Tentei aplicar um Cesar Millan nela, com calma e assertividade, para desarmá-la de sua energia negativa, mas ela não gostou e tentou me morder.

Tanto eu quanto ela sabemos que ela só tentou me morder. Se quisesse mesmo, teria mordido. Só que daí eu teria "mordido" de volta, e ela sabia disso. "Lati" mais alto e ela colocou o rabo entre as pernas, fez cara de arrependida, e passou o resto da tarde chateadinha com o incidente, fazendo aquela cara de chachorro que caiu do caminhão de mundaças, sabe?

Cães são experts em fazer essas caras de coitados, que fazem a gente ficar "ohhh". Em parte porque nós mesmos, os humanos, selecionamos, ao longo da história, os cães que melhor faziam essas carinhas.

Mae faz essas caras como ninguém. Só que comigo não cola, não quando ela aprontou.

Quando ela quer apelar, ela mostra o branquinho dos olhos, raramente visíveis. Será esta outra característica selecionada para aumentar o vínculo com os humanos?

Os humanos são a única espécie primata que tem aquela parte do olho, a esclera (antiga esclerótica), branca. Os demais primatas têm escleras pigmentadas em cores que produzem menor contraste com a pele e a íris. E as escleras humanas são maiores em proporção também. Uma conseqüência disso é que é mais fácil identificar a direção do olhar de um humano à distância. Por que será? Afinal, isso tem a desvantagem de os adversários saberem para onde o indivíduo olha. Quais seriam as vantagens para compensar tal desvantagem? Uma possibilidade é que a visibilidade do olho facilite a comunicação entre humanos. Grande parte da comunicação não verbal se dá através dos olhos.

julho 9, 2010

Não Nego a Raça, Mas...

Não Nego a Raça, Mas...

Para um brasileiro nato, não sou muito de futebol.

Sim, tem brasileiro que diz que não é muito de futebol, mas eu ganho.

Para ter uma idéia, ando tão por fora da Copa que na quarta-feira vi apenas de relance a Alemanha e Espanha jogando durante o almoço. Nem parei para assistir ao jogo, peguei a comida no refeitório e fui sentar do lado de fora, aproveitar o sol. Ouvi o pessoal gritar “gol” uma hora, lá dentro. No final da partida, olhei o resultado na internet, pelo celular. Vi que tinha terminado 1 a 0 para Espanha.

Até aí tudo bem, nada de extraordinário. Pois bem, quando vi o jogo de relance, não só achei que já era a final, como, sabe-se lá porque, achei que a Alemanha era a Holanda. Para ver como eu estava distraído, ou melhor, pouco me lixando. Na minha cabeça a Espanha já tinha sido campeã da Copa de 2010 havia dois dias. Só fui saber que a final ainda está por acontecer hoje de manhã, assistindo ao noticiário, que, por alguns instantes, achei fosse reprise.

Ganho o troféu, não?

Ou vai ver rolou um fator Desmond e eu vi o futuro. Se a Espanha vencer de 1 a 0 da Holanda, foi bem isso...

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