Sertanejo Universitário
Recentemente fui apresentado ao mais novo estilo musical de sucesso no Brasil, o Sertanejo Universitário.
A coisa soa um paradoxo, mas não é. O estilo é bem real. Basicamente é música sertaneja que requer diploma de curso superior para compor... acho.
São pérolas como “Ciumenta”
Desse jeito nenhum homem te agüenta
Pára, eu já não sei o que fazer
Ou preciosidades como “Você Não Vale Um Real”
Nem um tostão furado
Mas eu te quero pra mim
Tipo: você não vale nada, mas tô pagando milão.
Outra jóia é “Bala de Prata”
Bala de prata certa pra matar
Virei seu refém e não quero escapar
Bandida, você atirou em minha direção
E acertou bem no meu coração
Minha vida ficou nas palmas de suas mãos
Ciumenta? Fácil? Criminosa? Bandida?
Deve ser coincidência. Vamos tentar outra. Que tal “Mala Pronta”?
Arruma sua roupa
Pode ir embora
Que eu arranjo outra
Fala sério, gente! O que é que essa mulherada anda fazendo com esses universitários no Brasil? A coisa tá braba, eu heim?!
“Dormi na Praça”
Tentando te esquecer
Adormeci e sonhei com você
O Sertanejo Universitário deriva do sertanejo, mas com ritmo mais acelerado, combinando elementos do rock, pop, axé e música gaúcha.
Em outras palavras, imagine três ônibus de excursão lotados de universitários cornos, um indo de Pelotas a Petrolina, outro de Salvador a Campinas, e outro indo do Mato-Grosso para qualquer lugar que seja, por favor. Os três se encontram na altura do Rio e trombam de frente. Bem, o estilo Sertanejo Universitário é mais ou menos isso.
Eu debocho, mas até que entendo o sucesso que o estilo faz. São baladas simples, diretas, fáceis de cantar, boas para festar — principalmente depois de algumas, digo, várias, várias doses.
Ah sim, e se você é solteiro, ou está na entressafra, ligue-se na parada, porque a mulherada a-do-ra o estilo.
Despeço-me com um trecho de “Rebola Guria”, que é de uma falta de sutiliza de não dar trabalho algum para a imaginação:
Desce até o chão
Abre essa gaita
Que eu toco o tamborzão
