Dia desses a Adri trouxe para casa minha revista favorita: Sky Mall.
Sky Mall é um catálogo de compras que muitas empresas aéreas daqui dispõe para os passageiros durante os vôos. Você pode comprar os produtos oferecidos depois do desembarque, por correio ou telefone, ou até mesmo durante o vôo, pelos telefones de bordo (quando disponíveis).
Enfim, se você tem dinheiro para gastar, eles dão um jeito.
Sky Mall funciona no pressuposto que a combinação entre altitude elevada e tempo sentado afeta o cérebro para pior, e faz você ficar com um comichão danado para comprar aquilo que não precisa. E quanto menos precisar, melhor.
Por exemplo, que tal um gárgula para animar a fachada tão modesta de sua casa? Afinal, se funcionou para Notre Dame, por que não funcionaria para seu palacete de subúrbio? O homem é o rei do próprio castelo. Ou algo assim. Dizem.
E aquele seu jardim desanimado? Para que estragá-lo com um anão brega, tão nórdico, quando você pode instalar uma maravilhosa estátua em bronze falso do Sasquatch, muito mais a mitologia norte-americana?
E a sala de estar? Que tal decorá-la com uma réplica em tamanho real do simpático R2D2 de “Guerra nas Estrelas”? Sua esposa emitirá assobios intergalácticos de aprovação.
Sky Mall é um monumento ao consumismo norte-americano, o qual funciona na premissa de que este povo tem (ou tinha) mais tempo, dinheiro e espaço na garagem do que capacidade para tolerar as mínimas inconveniências. Os norte-americanos A-DO-RAM uma solução complicada para um problema simples.
Por exemplo, por que subjugar-se à inconveniência de juntar o cocozinho de seu cachorro com uma sacolinha genérica, quando você pode usar uma pazinha especialmente dedicada à tarefa? É o Pooper Scooper. Se as Organizações Tabajara publicassem um catálogo de compras, a Sky Mall seria tal catálogo.
Um jeito fácil de inventar soluções complicadas para problemas simples é recombinar coisas que antes existiam separadas. Pontos extras se uma das coisas for digital.
Por exemplo, que tal uma máscara de mergulho com câmera fotográfica digital embutida? Aberração diabólica, saída da mente maligna de algum Dr. Moreau do mercado de livre iniciativa.
A combinação de duas soluções distintas raramente melhora qualquer uma delas. Muitas vezes é o contrário. Um treco desses é ruim como máscara de mergulho, e péssimo como câmera fotográfica. Porém, de alguma forma, em algum lugar, alguém com mais dinheiro do que juízo, olha para isso e acha a idéia sensacional, e não consegue imaginar como viveu até hoje sem isso — ou a coisa não estaria num catálogo de compras.
Um sinal de que você está morando há muito tempo nos EUA é quando você folheia o Sky Mall e, coisas que você dispensaria como bobagem há alguns anos, hoje você se pega pensando “mmm... até que consigo visualizar alguma utilidade para isso”.
Olha esse segurador de livro, por exemplo. Sensacional! Como pude viver até hoje sem ter um?