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Curiosidades Archives

agosto 24, 2007

Cultura Inútil

Os naipes do baralho. O que uma coisa tem a ver com a outra? O que um coração ♥ tem a ver com “copas”? Ou uma lajota ♦ com “ouros”? Ou um arbusto ♣ com “paus”? Ou uma ponta de lança ♠ com “espadas”?

Acontece que a origem dos nomes é uma, mas a dos símbolos é outra. Os nomes dos naipes vêm do baralho espanhol, que por sua vez vêm do baralho árabe. Já os símbolos vêm do baralho francês.

Com o passar do tempo, adotaram-se os símbolos do baralho francês, mais fáceis de desenhar, mas mantiveram-se os nomes do baralho espanhol.

Agora você sabe...

agosto 30, 2007

O Lado Negro da Força

No blog do Lokesh Dhakar há um belo infográfico com os vários tipos de café e suas composições.

outubro 20, 2007

Teste

Olha só que interessante o teste que eu recebi por e-mail, do site do jornal Herald Sun.


Basicamente é um teste visual para determinar qual dos seus hemisférios cerebrais predomina.

Você vê a bailaria girar no sentido horário ou anti-horário?

Se é no sentido horário, você usa mais o hemisfério direito, que é criativo e empático, e se é no sentido anti-horário, você usa mais o hemisfério esquerdo, que é analítico e lógico.

***

Claro, claro, claro...

Como se alguém que realmente use qualquer parte do cérebro fosse confiar seus testes cerebrais a um jornal qualquer, em especial a um artigo que nem sequer cita suas bases científicas.

Isso aí é uma ótima ilusão de ótica, mas só. A relação com lateralidade cerebral é incerta. Aliás, a idéia simplista de lateralidade é, em grande parte, um mito da psicologia popular. Sim, os hemisférios processam informação de modo diferente, mas o funcionamento do cérebro como um todo é bem mais complexo. Divulgar esse tipo de baboseira pseudo-científica só ajuda a perpetuar a desinformação e...

... e como você pode ver, eu uso mais o lado esquerdo, analítico e lógico, o que fica comprovado pelo fato de eu ver a bailaria girar no sentido anti-horário.

***

O efeito visual é muito interessante. Você consegue fazer a bailaria girar no sentido contrário?

***

A propósito, eu menti — eu não resisti :) —, eu vejo mesmo a bailaria girar no sentido horário, normalmente, e com alguma concentração no sentido inverso.

maio 8, 2008

Os clássicos de uns e outros

Não confunda Gray’s Anatomy com Grey’s Anatomy.

maio 13, 2008

Iron Man

Não é por nada não, mas será que o Tony Stark nunca ouviu falar em ímã permanente de neodímio?

Aliás, se depender apenas do quesito “soluções complicadíssimas para problemas simples”, esse cara tinha que ser arquiteto chefe na Microsoft.

O termo “arquiteto chefe” é engraçado, pois a palavra “arquiteto” vem do grego arkhitekton, de arkhi (chefe) + tekton (construtor), logo um “arquiteto chefe” é um “construtor chefe, chefe” — bem, acho que você precisa desse tipo de redundância quando você quer fazer coisas complicadas, por mais simples que elas sejam.

maio 29, 2008

( Tempo + Hormônios ) x Demais = ?

Essa vem diretamente do departamento de assuntos aleatórios.

Land O’ Lakes é uma cooperativa agrícola dos EUA focada em laticínios. Eles estão entre os maiores produtores de manteiga e queijo do país. Se você vive aqui nos EUA, já deve ter topado com algum produto da companhia. A marca, e o logotipo, existem desde mil novecentos e bolinha, senão antes — mais velhos que os palitos Gina.

Pois bem, em mil novecentos e bolinha não havia internet, mas os adolescentes já vinham com quase tantos hormônios quanto os de hoje. O que eles faziam então? Pegavam uma caixa de produto da marca e recortavam uma janelinha na altura do busto da índia. Daí, por trás da janelinha, colocavam um recorte dos joelhos dela.

TÁ-DÁ!

junho 5, 2008

Sem pílula vermelha para sair dessa

Temos essa noção de que nosso sentido de visão é um canal direto, de alta fidelidade, entre o mundo que existe fora de nossas cacholas e nossa consciência. O que vemos é o que é, pronto.

Só que não é bem assim.

Você sabia que há um atraso de até um décimo de segundo entre luz atingir nossas retinas e a imagem correspondente registrar em nossa consciência? Um décimo de segundo! Isso é muito! É o suficiente, por exemplo, para você ter problemas para apanhar uma bola de tênis lançada em sua direção. No entanto, a maioria das pessoas de visão normal prosseguem ignorantes de tal atraso, razoavelmente aptas a apanhar coisas lançadas a elas, ou a lidar com objetos em movimento.

Como pode?

O truque é elaborado.

Até pouco tempo os cientistas achavam que o cérebro compensava tal atraso adiantando os movimentos motores — se sua mão estiver um pouco mais adiantada do que você pensa que ela está, então ela apanhará a bola que você vê atrasada.

Só que o truque parece ser outro, mais sofisticado e sensacional.

Segundo o cientista cognitivo Mark Changizi, o que acontece é que o cérebro prevê o que vai acontecer, daí mostra a imagem prevista no lugar. Quer dizer, o que você vê agora não é uma cópia do que suas retinas capturam no momento, mas uma previsão que seu cérebro faz, a partir de uma imagem de um décimo de segundo atrás, do que você estaria vendo neste exato instante.

Doido, não?

Segundo Changizi, este mecanismo explica muitas das ilusões de ótica que conhecemos. Tais ilusões são o resultado de o cérebro prever o movimento errado.

Este é apenas um dos muitos truques do cérebro. Outro, que aposto você já conhece, é o do ponto-cego. Nossas retinas têm, cada uma, um ponto-cego, mas dificilmente notamos que ele existe, pois o cérebro preenche tal área do campo de visão com uma imagem sintetizada daquilo que ele acha que deveria estar lá, criando a ilusão de que não há ponto-cego.

Antes de uma imagem registrar em nossa consciência, ela é completamente desmontada, interpretada, reinterpretada, analisada, e finalmente reconstruída pelo cérebro. O que vemos não é o que está ali fora, mas uma representação altamente reeditada daquilo. O que você vê é uma ilusão que seu cérebro cria e coloca diante de seus olhos. É como se cada um de nós vivesse em sua própria Matrix particular.

julho 31, 2008

Dica Importante

Na palestra abaixo, o Professor James Duane, da Regent University School of Law, e o oficial George Bruch, do departamento de polícia de Virginia Beach, oferecem uma grande dica que poderá lhe ser muito útil algum dia.


NUNCA fale com a polícia.


Nunca? Nunca! Jamais! Mesmo que você seja a pessoa mais inocente do mundo. Principalmente se você for a pessoa mais inocente no mundo. E não, você não é tão esperto assim para falar com a polícia sem um advogado.




***


Achado no BoingBoing.

agosto 23, 2008

Curiosidade

Você sabia que os trailers de filme têm esse nome porque, logo que apareceram, eram passados depois da atração principal? — quer dizer, eles vinham no trail (rastro) do filme.

Obviamente a estratégia deu muito errado muito rápido, porque o pessoal saía do cinema depois do filme e não ficava para assistir aos trailers. Logo mudaram os trailers para passar antes do filme, mas o nome ficou até hoje.

Mais uma do departamento de assuntos aleatórios...

setembro 7, 2008

Elvis Não Morreu

Imagina quem eu vi hoje em Seattle?

Elvis...

Ele não morreu, e ele trabalha no Seattle Post-Intelligencer.



E o que é que ele está fazendo trabalhando no final de semana?



setembro 21, 2008

Flagrante

Descobri porque Darth Vader tem aquela respiração de encanamento velho.

Enfisema pulmonar.

Fumo faz mal à saúde.

novembro 12, 2008

Quiz

Qual é maior por ano, o número de suicídios ou de assassinatos?

Se há algum instinto de William de Baskerville em você, deve ter desconfiado que eu não perguntaria se a resposta fosse muito óbvia. De fato, você estará certo. O número de suicídios por ano é quase o dobro do número de assassinatos. Interessante, não?

Ah sim, isso é nos EUA. No Brasil é ao contrário. Bem ao contrário...

novembro 29, 2008

Thanksgiving

Quinta-feira passada foi feriado de Thanksgiving (Ação de Graças) aqui nos EUA, que é quando os norte-americanos reúnem-se em família para agradecer as coisas boas, brigar com os parentes ruins, e comer peru, muito peru.

O prato tradicional do Thanksgiving é o peru assado...

Ou era.

Há alguns anos apareceu uma receita nova, que mais e mais gente vem adotando. É o famigerado turduken, que é um peru recheado com um pato, recheado com uma galinha.

Se você acha que o turduken é uma aberração, você não viu muito. Recentemente apareceu o turbaconduken, que é um turduken envolto em bacon. Mas preste atenção ao detalhe: envolto em bacon em cada uma das camadas! Isso mesmo, é uma galinha, uma camada de bacon, um pato, mais uma camada de bacon, daí um peru, e finalmente, mais uma camada de bacon.

Se você acha um turbaconduken insanidade completa, outra receita que apareceu recentemente é o turgooduccochiqua, que é uma codorna dentro de um frango, dentro um pato, dentro de uma galinha, dentro de um peru, dentro de um ganso. Ah sim, e com bacon entre as camadas!

Sério, o que esperamos com estas receitas frankestônicas, horrorizar as aves e intimidá-las a render-se em massa?

E os porcos que se cuidem, porque são os próximos...

dezembro 13, 2008

Globalização

Instituições e sistemas que não seriam levados a sério no Brasil:

  • British Orthopedic Sports Trauma Association

  • Columbia University

  • Feature Oriented Domain Analysis

  • Flexible Online and Distance Education

  • Formative Observation Data Instrument

  • Mangrove Ecosystem Research Division

  • Pan American Union

  • Prudential Insurance Company of America

  • Punjabi University Teachers Association

  • Tennessee Educational Technology Association
  • dezembro 15, 2008

    Tanto tempo, tão pouco a fazer

    Li num artigo que o dia 31 de dezembro deste ano terá um segundo a mais.

    Acontece que a órbita da Terra ao redor do Sol não é exata nos segundos, mas tem uma fraçãozinha adicional, e para compensar esta diferença entre o horário convencional e o real, de tanto em tanto tempo os cientistas adicionam um segundo ao ano.

    Levei um minuto e meio lendo aquele artigo...

    dezembro 20, 2008

    Não deve nada a MacGregors ou O’Briens

    Sabe essa coisa do prefixo “Mac”, de alguns sobrenomes escoceses, e o “O’”, de sobrenomes irlandeses, significar “filho de”, como em MacDonald, filho de Donald, ou O’Hurley, filho de Hurley?

    Pois bem, não fique com dor-de-cotovelo, pois o português também tem dessas coisas. É a terminação -es, que veio do basco -ez, como em Álvares, filho de Álvaro; Bernardes, filho de Bernardo; Marques, filho de Marco, etc.

    Ah, e o sobrenome Dias não vem do plural de “dia”, mas de Diego + es. Ou seja, é “filho de Diego”.

    ... mais uma do departamento de assuntos aleatórios.

    março 18, 2009

    Sem Pílula Vermelha - 2

    Você conhece esse truque da carta de baralho que muda de cor? Assiste aí ao vídeo que é legal. Vê se você consegue sacar o truque.


    (link para o video)

    Vai lá que eu espero.

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    março 27, 2009

    Sky Mall

    Dia desses a Adri trouxe para casa minha revista favorita: Sky Mall.

    Sky Mall é um catálogo de compras que muitas empresas aéreas daqui dispõe para os passageiros durante os vôos. Você pode comprar os produtos oferecidos depois do desembarque, por correio ou telefone, ou até mesmo durante o vôo, pelos telefones de bordo (quando disponíveis).

    Enfim, se você tem dinheiro para gastar, eles dão um jeito.

    Sky Mall funciona no pressuposto que a combinação entre altitude elevada e tempo sentado afeta o cérebro para pior, e faz você ficar com um comichão danado para comprar aquilo que não precisa. E quanto menos precisar, melhor.

    Por exemplo, que tal um gárgula para animar a fachada tão modesta de sua casa? Afinal, se funcionou para Notre Dame, por que não funcionaria para seu palacete de subúrbio? O homem é o rei do próprio castelo. Ou algo assim. Dizem.

    E aquele seu jardim desanimado? Para que estragá-lo com um anão brega, tão nórdico, quando você pode instalar uma maravilhosa estátua em bronze falso do Sasquatch, muito mais a mitologia norte-americana?

    102517807d.jpg

    E a sala de estar? Que tal decorá-la com uma réplica em tamanho real do simpático R2D2 de “Guerra nas Estrelas”? Sua esposa emitirá assobios intergalácticos de aprovação.

    Sky Mall é um monumento ao consumismo norte-americano, o qual funciona na premissa de que este povo tem (ou tinha) mais tempo, dinheiro e espaço na garagem do que capacidade para tolerar as mínimas inconveniências. Os norte-americanos A-DO-RAM uma solução complicada para um problema simples.

    Por exemplo, por que subjugar-se à inconveniência de juntar o cocozinho de seu cachorro com uma sacolinha genérica, quando você pode usar uma pazinha especialmente dedicada à tarefa? É o Pooper Scooper. Se as Organizações Tabajara publicassem um catálogo de compras, a Sky Mall seria tal catálogo.

    Um jeito fácil de inventar soluções complicadas para problemas simples é recombinar coisas que antes existiam separadas. Pontos extras se uma das coisas for digital.

    Por exemplo, que tal uma máscara de mergulho com câmera fotográfica digital embutida? Aberração diabólica, saída da mente maligna de algum Dr. Moreau do mercado de livre iniciativa.

    A combinação de duas soluções distintas raramente melhora qualquer uma delas. Muitas vezes é o contrário. Um treco desses é ruim como máscara de mergulho, e péssimo como câmera fotográfica. Porém, de alguma forma, em algum lugar, alguém com mais dinheiro do que juízo, olha para isso e acha a idéia sensacional, e não consegue imaginar como viveu até hoje sem isso — ou a coisa não estaria num catálogo de compras.

    Um sinal de que você está morando há muito tempo nos EUA é quando você folheia o Sky Mall e, coisas que você dispensaria como bobagem há alguns anos, hoje você se pega pensando “mmm... até que consigo visualizar alguma utilidade para isso”.

    Olha esse segurador de livro, por exemplo. Sensacional! Como pude viver até hoje sem ter um?

    maio 22, 2009

    Lei Áurea

    13 de Maio foi o aniversário de 121 anos da Lei Áurea, aquela que aboliu de vez a escravatura no Brasil. Será que você consegue dizer quais dos seguintes acontecimentos históricos aconteceram antes daquele evento?

    (1) A primeira versão comercial da Coca-Cola aparece no mercado
    (2) Louis Pasteur testa a vacina contra raiva com sucesso
    (3) Thomas Edison cria a lâmpada elétrica
    (4) Karl Benz patenteia o primeiro automóvel movido a gasolina
    (5) Thomas Edison demonstra o fonógrafo
    (6) Gregor Mendel formula as leis das características hereditárias
    (7) Nasce Albert Einstein
    (8) Alfred Nobel inventa a dinamite
    (9) Alexander Bell faz a primeira ligação telefônica

    ***

    Sim, todos aqueles eventos aconteceram antes.

    Não é interessante que já existissem fonógrafos, lâmpadas e carros a gasolina antes de o Brasil banir escravatura de vez?

    julho 1, 2009

    Contrário de Pleonasmo


    “Não entre / Não é uma saída

    Se não posso entrar pela não-saída, será que posso sair pela não-entrada? E se eu sair como se estivesse entrando, pode? E se eu for de ladinho que nem a Ivete, pode?

    julho 5, 2009

    Sabedoria Milenar

    Almoço de quinta-feira, o biscoitinho chinês da sorte disse “você lerá alguma informação que lhe ajudará”.

    Depois do almoço, fui direto ler algo sobre biscoitos da sorte. Obviamente eu não podia deixar passar a oportunidade de explorar o potencial de ironia da situação, poderia?

    Se o que li depois foi útil, ou não, não sei. Mas que é interessante, é.

    Li que existe uma brincadeira envolvendo biscoitos da sorte que consiste em adicionar “in bed” (“na cama”) à frase do biscoitinho. Por exemplo:

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    agosto 2, 2009

    Ostracismo

    Direto do departamento de assuntos aleatórios...

    De onde vem a palavra “ostracismo”, com o sentido de banir alguém de um grupo?

    O que aprendi na aula de história, na sétima série, é que a palavra veio do procedimento na democracia ateniense que permitia expulsar indivíduos de uma cidade-estado por um período de 10 anos. Funcionava como uma medida preventiva para retirar de cena os políticos causadores de problema e potenciais tiranos. Ao contrário de um processo jurídico, não havia acusação ou defesa. Ao invés, a decisão de banir alguém era feita por meio de voto. Conchas de ostra serviam de cédula de votação, daí “ostracismo”.

    Até aí, tudo bem. Porém, outro dia topei (de novo) com o inglês “ostracism”. Só que desta vez pensei na origem da palavra e algo fez click, ou melhor, clack. Rolou uma dúvida básica sobre a relação das palavras, de modo que fui pesquisar.

    “Ostracismo” vem do grego ostrakismos, que vem de ostraka, que significa “concha”. Porém, ostraka também é o nome grego para um caco de vaso de cerâmica, e é deste sentido que “ostracismo” vem. Os gregos não tinham papel, e papiro era um item muito caro para uso descartável, porém cacos de cerâmica havia de sobra.

    Professor Gastão, se você está lendo isso, você mentiu para seus alunos! Que feio.

    agosto 17, 2009

    Curiosidades Médicas

    agosto 21, 2009

    Bruxas

    Minha cena preferida de "Monty Phyton e o Cálice Sagrado" é aquela em que uma multidão está tentando determinar se uma mulher é bruxa. A conclusão deles é que se ela pesar tanto quanto um pato, ela flutuará em água, logo ela será feita de madeira, logo ela será uma bruxa (pois bruxas queimam em fogueira por serem feitas de madeira).

    Como se não pudesse ficar mais absurdo, no final ela de fato pesa tanto quanto um pato, e é condenada por bruxaria.

    A cena é a quintessência de como a verdade e a lógica não se interpõe no caminho da superstição e da ignorância.

    Daí outro dia assisti a um documentário sobre a Idade Média, e naquela época o povo tinha o singelo hábito de determinar se alguém era adepto de bruxaria jogando a pessoa na água. Se a pessoa flutuasse, era porque a água a estava "rejeitando", logo ela só podia ser "do mal". Se a pessoa afundasse, então era "do bem". Tudo bem que alguns "do bem" morriam afogados, mas é o tipo de sacrifício que se faz para erradicar o mal do mundo, certo?

    Há vezes em que a realidade é mais absurda que a ficção...

    agosto 23, 2009

    Aceleradores de Partículas

    Para estudar a constituição da matéria, cientistas usam aceleradores de partículas. São instalações sofisticadas onde se observam colisões de partículas subatômicas a altíssimas velocidades, próximas à velocidade da luz. Dos fragmentos destas colisões, tenta-se deduzir de que a matéria é feita.

    De certa forma, equivale a fotografar a batida frontal de dois carros a quase trezentos mil quilômetros por segundo cada, e da foto tentar deduzir de que os carros são feitos. Só que é de noite e a foto só mostra as faíscas da colisão.

    É claro que, com um carro, é mais fácil desmontá-lo para analisá-lo. Mas com partículas subatômicas não dá. Não existe faca de cortar próton, ou pinça de pegar elétron, pois qualquer ferramenta seria inevitavelmente feita de átomos, portanto muito maior do que aquilo que se quer desmontar. Seria como tentar fazer um furo de um milímetro com uma broca de dez quilômetros de diâmetro. Simplesmente não dá. A única maneira conhecida é quebrando as partículas em colisões de altíssima energia, e observando a perturbação que os fragmentos da colisão causam à matéria ao redor.


    Tevatron, acelerador do Fermilab (fonte)

    Coisa interessante, quanto menores os fragmentos que você quer observar, mais potente precisa ser a colisão, logo maior tem que ser o acelerador. É como precisar de uma pista mais aberta para acelerar os carros a uma velocidade maior, ou eles não conseguirão manter a curva. O acelerador LHC, por exemplo, tem 27 quilômetros de circunferência.

    Uma idéia muito errada que eu tinha, é que eles aceleravam um par de partículas por vez, e daí observavam uma colisão — ficava intrigado com a precisão do processo.

    Só que não é bem assim.

    Na verdade, são dois fluxos contínuos de bilhões de partículas em direções opostas. É como se aquela pista de provas tivesse quilômetros de largura, com muitos carros cruzando-se a toda hora, a altíssima velocidade, em frente a uma câmera. Alguns carros passam ilesos, outros colidem. De vez em quando ocorre aquela colisão “perfeita”, que mostra os detalhes (as peças) que você procurava, bem na hora em que você fotografou.


    Foto (simulada) de uma colisão (fonte)

    E não é uma foto, mas milhões de fotos. Para ter uma idéia, os sensores do LHC capturam 40 milhões de fotos tridimensionais por segundo, e operaram por horas seguidas. Estima-se que a instalação produzirá 15 petabytes de dados por ano. Isso são 15 milhões de gigabytes.

    Haja paciência para olhar todas as fotos em busca das mais “interessante”. É claro que isso não é feito à mão. Não dá, é humanamente impossível. Ao invés, cada foto é analisada por filtros de software que tentam isolar as mais promissoras, para que os cientistas humanos olhem depois. Tais filtros são um dos elementos cruciais do processo. Use filtros muito restritos, e você correrá o risco de perder os eventos que procura. Use filtros muito relaxados, e você acabará com milhões de fotos para olhar. É a proverbial busca de uma agulha em um palheiro.

    agosto 28, 2009

    Freqüência VS. Expectativa – Loteria

    Outro dia escrevi sobre a diferença entre freqüência e expectativa, e que há situações em que a freqüência de fracassos é altíssima, mas o custo de cada tentativa é tão pequeno, e os benefícios de um raro sucesso são tão altos, que a expectativa ao longo do tempo é de ganho — e, nestes casos, vale a pena continuar tentando.

    Pois bem, loteria NÃO É um destes casos.

    Em qualquer loteria, tanto freqüência quando expectativa (de sucesso) são baixas. A longo prazo, sua expectativa é de perder dinheiro.

    Uma maneira de ver isso é assim: se você jogar todas as combinações possíveis de uma só vez, de modo garantir o acerto absolutamente, o que gastará em apostas será bem mais do que o prêmio que receberá.

    O valor do prêmio multiplicado pela probabilidade de acerto é menor do que o valor da aposta.

    Se jogar na loteria fosse um negócio com expectativa de lucro, veríamos grandes investidores aplicando muito dinheiro em apostas. Loteria só é um bom negócio para o Estado e as casas lotéricas. É por isso que muitos dizem que loteria é um imposto pago pelos ruins de matemática.

    É claro que, se você acredita em sorte ou destino, não serão as probabilidades que ficarão em seu caminho.

    agosto 29, 2009

    Starbucks vs. Barnes & Noble

    Hoje aprendi que os cafés que tipicamente operam dentro das livrarias Barnes & Noble não são Starbucks.

    Quer dizer, o café bebida sim, o café rede não.

    A rede de cafés que opera nas livrarias Barnes & Noble é o... er... “Barnes & Noble Café” — que incidentemente serve café Starbucks, portanto o logo.

    Enganaram-me este tempo todo.

    Ah sim, e eles não aceitam os cupons de desconto da Starbucks :(

    outubro 5, 2009

    Curiosidades

    "Goodbye" vem de "God be with you"...

    outubro 9, 2009

    Hi'aiti'ihi

    No que diz respeito a línguas, poucas são tão curiosas quanto a do povo indígena pirarrã, habitantes das margens dos rios Marmelos e Maici, no Amazonas.

    Calcula-se que há pouco mais de duzentos falantes ativos da língua, e a maioria não fala outro idioma.

    Algumas curiosidades da língua:

  • Não há palavras para números, sequer para “um”. Há palavra para “pequena quantia” (hói), outra para “grande quantia” (hoí), e outra para “amontoado” (bahagisu), e só.

  • Não há distinção entre plural e singular.

  • Não há palavras para distinguir direita e esquerda. Referências a direções são sempre em termos absolutos, como “rio acima”, “rio abaixo”, etc.

  • Há pouca distinção de transitividade de verbos. Por exemplo, os verbos “matar” e “morrer” usam a mesma palavra, xoab.

  • Há palavras para “agora”, “outro dia” (que pode ser passado ou futuro), “tempão” e “tempinho”, mas não há palavras para “ontem” ou “amanhã”.

  • A língua não tem recursividade, o que desafia uma teoria muito aceita (até então) de que recursividade é inata a todas as línguas humanas. Recursividade é o que permite usar uma sentença embutida como elemento de outra. Por exemplo, em “o menino é dono do {cachorro que latiu}”. Em pirarrã você teria que dizer algo como “o cachorro latiu; o menino é dono do cachorro”.


  • O que mais me chamou a atenção, porém, é que a língua tem empirismo embutido. A declinação dos verbos requer sufixos que evidenciam como o locutor adquiriu a informação, se por observação direta, dedução, ou comunicação de terceiro. Em pirarrã não há como deixar a origem da informação ambígua.

    Uma língua ímpar assim só poderia vir de uma cultura peculiar.

  • Eles são bem pragmáticos, importando-se apenas com coisas que possam ser observadas diretamente.

  • A sociedade é anarco-comunista. Não há hierarquia social ou chefes.

  • Eles não têm arte. O pouco de arte que produzem são amuletos e desenhos simples para repelir “maus espíritos”. Porém, tais “espíritos” são sempre coisas tangíveis: por exemplo, animais selvagens.

  • Eles não têm mitos de criação do mundo.

  • Eles não têm deuses.


  • No livro “Don”t Sleep, There Are Snakes” (Não Adormeça, Há Cobras), o lingüista e missionário Daniel Everett conta o tempo (7 anos ao todo) que passou vivendo em meio aos pirarrãs, estudando a língua e tentando catequizá-los, e como o processo transformou profundamente sua visão do mundo: ele perdeu a fé e tornou-se ateu.

    Tem um vídeo de uma palestra dele aqui.

    dezembro 6, 2009

    Japão - Tecnologia 2

    Ainda sobre o Japão, o que você acha que é o dispositivo da foto?

    (a) Controle remoto universal
    (b) Painel de comando do ASIMO
    (c) Rádio FM no banheiro
    (d) Controle de temperatura ambiente
    (e) Painel de controle de um vaso sanitário



    Se você respondeu (a), (b), (c) ou (d), você está destinado a uma grande surpresa quando estiver no Japão. A resposta certa é (d), é o painel de controle de um vaso sanitário.

    Isso mesmo, esqueça as câmeras fotográficas, as calculadoras, os robôs. O forte da tecnologia japonesa está mesmo nas privadas.

    Estima-se que 70% das privadas instaladas no Japão têm algum recurso tecnológico adicional em relação às tradicionais privadas ocidentais. E elas vão das mais simples às mais sofisticadas.

    Os japoneses são fissurados em uma privada bem equipada: com tampa automática que levante e abaixe sozinha; acento estofado e aquecido; desodorizador; jatinho d’água com controle de ângulo, pressão e temperatura; bidê embutido; e ventinho fresco para secar a poupança.

    Só falta um talquinho, puff!

    Quer dizer, talvez não falte, não sei, pois havia um painel secreto com botões extras e instruções em japonês apenas, e não arrisquei apertar aqueles botões para ver o que acontecia...



    Ou apertei, mas não quero contar o que aconteceu. O que acontece na privada é privado.

    janeiro 12, 2010

    Sobre o branco dos olhos

    Aproveito a visita ao Brasil para matar saudades de Mae West, a cachorrinha da família.

    Mesmo depois de tanto tempo fora, e apesar de eu ter passado a maior parte da sua vida distante, ela ainda lembra de mim. Quando cheguei, ela saudou-me com aquela habitual felicidade que os caninos demonstram quando um membro da matilha retorna, tenha ele saído por 2 anos ou 20 minutos.

    É a felicidade de saber que o outro ainda vive.

    Quando você sai, um cão tem a esperança de vê-lo de novo, mas nunca a certeza. Como poderia? É um mundo incerto aquele lá fora.

    Dois minutos depois, eu já não era novidade, mas a bagagem ainda era. Mae fez vistoria nas malas, para saber por onde andei, e que coisas trouxe.

    "Tanto tempo fora, deve ter trazido um pato ou um texugo", acho que ela pensou.

    Ainda bem que ela lembra de mim, porque não é muito amigável com estranhos não, pelo contrário. Como todo dachshund que se preze, Mae é vinte vezes seu tamanho em zanga e dez em coragem. Outro dia vieram uns caras da telefônica na casa, e ela não gostou nem um pouco não. Ficou uma fera com os intrusos. Tentei aplicar um Cesar Millan nela, com calma e assertividade, para desarmá-la de sua energia negativa, mas ela não gostou e tentou me morder.

    Tanto eu quanto ela sabemos que ela só tentou me morder. Se quisesse mesmo, teria mordido. Só que daí eu teria "mordido" de volta, e ela sabia disso. "Lati" mais alto e ela colocou o rabo entre as pernas, fez cara de arrependida, e passou o resto da tarde chateadinha com o incidente, fazendo aquela cara de chachorro que caiu do caminhão de mundaças, sabe?

    Cães são experts em fazer essas caras de coitados, que fazem a gente ficar "ohhh". Em parte porque nós mesmos, os humanos, selecionamos, ao longo da história, os cães que melhor faziam essas carinhas.

    Mae faz essas caras como ninguém. Só que comigo não cola, não quando ela aprontou.

    Quando ela quer apelar, ela mostra o branquinho dos olhos, raramente visíveis. Será esta outra característica selecionada para aumentar o vínculo com os humanos?

    Os humanos são a única espécie primata que tem aquela parte do olho, a esclera (antiga esclerótica), branca. Os demais primatas têm escleras pigmentadas em cores que produzem menor contraste com a pele e a íris. E as escleras humanas são maiores em proporção também. Uma conseqüência disso é que é mais fácil identificar a direção do olhar de um humano à distância. Por que será? Afinal, isso tem a desvantagem de os adversários saberem para onde o indivíduo olha. Quais seriam as vantagens para compensar tal desvantagem? Uma possibilidade é que a visibilidade do olho facilite a comunicação entre humanos. Grande parte da comunicação não verbal se dá através dos olhos.

    fevereiro 13, 2010

    Happy Valentine's

    Amanhã é “Dia Dos Namorados” aqui nos EUA, e o amor está no ar.

    Falando em “amor no ar”, outro dia li a história do cara que foi propor casamento em um passeio de balão, mas durante o vôo deixou cair a bolsinha de câmera fotográfica onde escondera o anel de noivado, de US$ 3000. Sete dias de buscas sistemáticas depois, pela mata, o infeliz finalmente achou a bolsinha com o anel. Esse teve sorte.

    Histórias assim não faltam, de gente perdendo anéis de noivado caros, ainda mais nesta época do ano. Sempre há os espertos que inventam maneiras mirabolantes de propor casamento, mas sem pensar nos riscos do plano.

    Nada contra romantismo, pelo contrário, apenas a favor de melhor planejamento e execução, ainda mais quando há um anel caro em jogo, ou pior, a saúde da noiva. Não são poucas as noivas que já engoliram anéis escondidos em sobremesas, em função de propostas... err... “originais”.

    Manda a tradição aqui que o noivo gaste no mínimo o equivalente a dois meses de salário no anel de noivado, ou o “amor” não vale. Há mulheres capazes de recusar a proposta de bons candidatos se não aparecer um brilhante considerável na hora — e a maioria delas não sabe dizer a diferença entre um diamante e zircônia cúbica. O preço médio pago por anéis de noivado aqui é de US$ 3200 a unidade. Mas o céu é o limite, e quanto mais caro o anel, melhor. Será que o casal não considera que o dinheiro seria melhor investido em coisas mais práticas e úteis, especialmente para quem está começando uma vida nova, do que em um símbolo pueril de status?

    Acontece que os detalhes desta, bem, “tradição”, não vêm dos mitos românticos clássicos, ela é basicamente produto de uma campanha publicitária que o grupo De Beers iniciou em 1930 para explorar o então tímido, mas crescente, mercado de diamantes.

    Até 1930 as mulheres podiam processar judicialmente, por “quebra de promessa de matrimônio”, os noivos que dessem para trás antes do casamento. A história era sempre a mesma: o homem prometia casamento com segundas intenções, e depois de conseguir o que queria, caia fora. Na época era tradição as mulheres casarem virgens, mas muitas perdiam a virgindade durante o noivado, então havia a necessidade de uma “garantia de compromisso” para assegurar às mulheres que os homens não estavam apenas querendo levá-las para a cama. A prerrogativa de exigir compensação financeira por danos à “reputação” funcionava como tal garantia. Porém, à medida que as cortes judiciais começaram a revogar tais processos, a venda de anéis de diamantes aumentou em função da necessidade um novo símbolo de compromisso dos homens. A De Beers aproveitou o ensejo para lançar uma campanha publicitária e inflacionar o mercado de anéis de diamantes. A campanha incluía, entre outras coisas, encorajar designers de moda a falar da “nova tendência”, equipar atrizes famosas com anéis para exibição em público, e ditar os padrões de quanto um noivo digno e merecedor devia gastar em um anel. Isso mesmo, quem ditou a tradição de anéis caros, veja só, foi a indústria de diamantes. Surpresa? O golpe derradeiro veio em 1947, quando a redatora Frances Gerety veio com a frase considerada o melhor slogan publicitário do século 20: “Um Diamante É Para Sempre”. Detalhe: Frances nunca casou.

    março 13, 2010

    Os amigos dos amigos

    Um paradoxo das relações sociais é que, em média, seus amigos têm mais amigos que você. Sempre.

    Quer dizer, não sempre, mas muito, muito provavelmente.

    Como pode?

    A razão é muito simples. Você não tem nenhum amigo que tem zero amigos, certo? Não, você não tem. No mínimo ele ou ela tem você.

    Amizades são relações bilaterais. Uma amizade não bilateral não é amizade, é stalking. Logo a probabilidade de você ter um amigo que não tem amigos é absolutamente zero!

    Por outro lado, as chances de você ser amigo de alguém com infinitos amigos é 100%.

    Não que tal pessoa exista, obviamente. Mas se existisse, teria infinitos amigos, logo seria amiga sua também.

    Sendo assim, as chances de você ter amigos com muitos amigos é maior do que as chances de você ter amigos com poucos amigos. Uma pessoa com 10 amigos contribui na média de 10 pessoas, enquanto que uma pessoa com um amigo contribui na média de uma pessoa só. Portanto, pessoas com mais amigos aparecem com mais freqüência na média de amigos que os amigos de seus amigos têm, o que aumenta a média observada por aquelas pessoas.

    O interessante é que o mesmo vale para nossos amigos, inclusive aqueles que têm mais amigos que nós. Via de regra os amigos deles têm, em média, mais amigos que eles.

    É claro que isso não é um esquema de pirâmide, vez ou outra você encontrará alguém com mais amigos que a média de seus amigos, mas estas pessoas são exceção, não a regra.

    Ou seja, não há motivo para você se sentir o Gasparzinho.

    Não que isso faça muita diferença, enfim. No que diz respeito a amizades, qualidade ainda é mais importante que quantidade.

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