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Filmes Archives

junho 25, 2007

Memória Seletiva

Assistindo a “The Constant Gardener”, de Fernando Meirelles. O ator Bill Nighy deve ter a cara mais esquecível do mundo.

— Thales, eu já vi esse ator antes. De onde será que eu conheço ele?
— Tipo assim, de “Notes on a Scandal”, o filme que a gente viu... er... ONTEM?
— Sério? Quem ele era?
— Tipo assim, o marido da Cate Blanchett, apenas um dos... er... coadjuvantes principais?
— Nãããooo! Sério???

Aposto que se fosse o Clooney, ela não esquecia.

junho 28, 2007

Clássicos

10m_filme.jpg + 11m_filme.jpg = 95m_filme.jpg
The Good Shepherd The Good German The Good German Shepherd

outubro 14, 2007

Sessão da Tarde

Você já viu aquele vídeo que é um pot-pourri das chamadas dos filmes da “Sessão da Tarde” da Rede Globo? Fiquei imaginando o que eles fariam com filmes clássicos que fossem passados naquele horário.


• Chamada – O cara é um multimilionário da pesada e esconde um mistério que vai causar a maior confusão...
• Filme – Cidadão Kane
• Título “Sessão da Tarde” – A Hora do Cidadão


• Chamada – Um é um americano exilado. O outro é um francês cafajeste. Este será o começo de uma grande amizade e de muitas confusões...
• Filme – Casablanca
• Título “Sessão da Tarde” – Perdidos em Casablanca


• Chamada – Tudo que a gata quer é sossegar em um lugar isolado, mas o dono do motel e sua mãe têm outros planos e vão aprontar as mais altas confusões...
• Filme – Psicose
• Título “Sessão da Tarde” – Não Tome Banho Senão Mamãe Esfaqueia


• Chamada – Estes simpáticos robozinhos vão se meter na maior aventura e aprontar confusões interplanetárias...
• Filme – Guerra nas Estrelas
• Título “Sessão da Tarde” – Uma Guerra do Outro Mundo


• Chamada – Esta família vai comer muita macarronada e aprontar confusões sem tamanho...
• Filme – O Poderoso Chefão
• Título “Sessão da Tarde” – Um Chefão da Pesada


• Chamada – Este vizinho bisbilhoteiro vai espiar a maior confusão e se meter numa grande encrenca...
• Filme – Janela Indiscreta
• Título “Sessão da Tarde” – Um Vizinho Nada Perfeito


• Chamada – O cara não está para brincadeira e vai aprontar confusões dignas das Mil e Uma Noites...
• Filme – Lawrence da Arábia
• Título “Sessão da Tarde” – Um Tenente das Arábias


• Chamada –Este encrenqueiro da pesada têm talento para arrumar confusões que só vendo para crer...
• Filme – Laranja Mecânica
• Título “Sessão da Tarde” – A Hora da Laranja


• Chamada – Jack é um escritor em crise, e tudo que o cara quer é sossego para escrever seu próximo livro, mas seu filho é um moleque do barulho e vive se metendo em confusões do outro mundo...
• Filme – O Iluminado
• Título “Sessão da Tarde” – Um Moleque Iluminado

novembro 30, 2007

Oh Fortuna

Você já reparou que boa parte dos trailers de filme de ação, ou de aventura, segue a mesma fórmula, aquela do coral épico?

É assim:

O trailer começa com uns takes básicos, para dar o contexto da história, entre os quais aparece o logotipo do estúdio e da produtora. Talvez apareça o nome do diretor, ou das estrelas principais. Cedo ou tarde entra a música, lenta no começo, algo entre adagio e andante, solene porém sutil, algumas vezes mais lenta até, com notas baixas e sons mais orgânicos, tipo uma flauta transversal ou algo do tipo.

Se é uma aventura, as cenas iniciais alternam-se entre o herói em seu cotidiano, e o perigo que se forma no horizonte. Então a coisa começa a ficar séria, e mais intensa. O ritmo acelera, ma non troppo. Lá pelas tantas, algumas vezes logo no início, outras vezes mais perto do final, mas decididamente sempre, entra o coralzinho épico.

Eles cantam em latim, ou sânscrito, ou aramaico, ou élfico, ou alguma outra língua indecifrável, alheia e exótica. Você não entende, mas pelo tom sabe que é algo muito importante.

O ritmo acelera mais. Agora é caminho sem volta. As cenas ficam mais rápidas; a música, mais intensa, e o coralzinho, mais raivoso. E então aumenta mais, mais intenso, e mais raivoso, e mais intenso e raivoso, intenso... raivoso... crescendo... vai... vai... vai... até que, no auge, a música cede, e algo explode, BAZUUUMMM! E daí faz VUUSHH!

Opcionalmente, se não for uma explosão, pode ser algo de efeito comparável, como uma cena de dois rivais se atracando — o bem e o mal. Ou pode ser alguém numa situação tensa dizendo um tirada bacana, que pode ser séria ou cômica, tipo “eu não devia ter saído de casa hoje”, ou “agora eles vão ver só”, ou “aqui você NÃO entra”. Às vezes é tudo junto. Mas o VUUSHH, este invariavelmente está lá.

Alguns exemplos:

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dezembro 22, 2007

Beep Boop Tzzzz Clank

Quão geek você é? Aí vai um quiz para você testar seus conhecimentos de sons de filmes de ficção-científica.

Take the Sci fi sounds quiz I received 78 credits on
The Sci Fi Sounds Quiz

How much of a Sci-Fi geek are you?
Guess the Sci-Fi Movie Sounds hereCanon powershot

fevereiro 3, 2008

Segure-se quem puder

Cloverfield — ou O Godzilla de Blair — até que é um filme bacaninha. Se não é inovador em roteiro, pelo contrário, ou cinematografia, e se apela ao trauma americano dos ataques terroristas, inova na combinação dos elementos.

O filme segue cinco jovens nova-iorquinos na noite em que a cidade é atacada por um monstro colossal. As cenas são mostradas como se filmadas ao vivo, pela câmera dos próprios personagens. O resultado, eficiente, são imagens intensas e realistas, porém bastante chacoalhadas — alguns espectadores têm enjôo assistindo ao filme.

Esse estilo de câmera chacoalhada não é novo. Nesta época de profusão de vídeos amadores, e câmeras para todo mundo, o cinema profissional emula o estilo chacoalhado das imagens improvisadas para emprestar mais “realismo” às cenas. Se bem usada, a técnica produz bons resultados (Cloverfield, The Blair Witch Project, Surf’s Up). Porém, quando o pessoal abusa — e ultimamente abusa-se muito —, o resultado fica exagerado e risível, ou simplesmente irritante.

O fato é que nenhum cinegrafista amador chacoalha a câmera de propósito, então quando você coloca um profissional e adiciona intencionalmente aquela agitação toda, corre o risco de distrair a atenção da platéia para o efeito, não para o filme, e o resultado fica afetado e gratuito.

Um filme culpado deste abuso de técnica é The Bourne Ultimatum. Sério gente, o que é aquilo? Que piada! Até o tio Inácio filmando festa de aniversário com uma barata na cueca faz um trabalho melhor de câmera do que aquilo. Pior é que aquilo não deve ser trabalho de um só, mas de uma dupla: um cinegrafista para operar a câmera, e um estagiário para chacoalhá-la. Imagino o sujeito com aquela câmera profissional caríssima, de última geração, com estabilização de imagem, montada em uma steadicam, e daí aquele assistente do lado, quase tendo um ataque cardíaco do esforço físico de chacoalhar o equipamento. Quando penso que vou começar a levar o filme a sério, lá vem o chacoalho de novo para estragar a cena.

A ironia é que, guardadas as proporções, o câmera amador de Cloverfield é muitas vezes melhor que o cinegrafista profissional de The Bourne Ultimatum.

março 10, 2008

Números

Para quem assiste a Lost, aqui vai o hash SHA1 da minha previsão de quem é o espião do Ben no navio.

6a857e3dc4a2390908f23b8ce0e198641e97d257

O hash SHA1 é uma função de criptografia que pega um texto de entrada e gera um código de verificação na saída. Dado o texto é fácil calcular o código, mas dado apenas o código é computacionalmente inviável calcular o texto que o gerou.

É um ótimo esquema para fazer previsões veladas, porque alguém poderá verificar a autenticidade da previsão depois, mas sem saber o que ela diz agora.

Outras previsões:

834607f30124e8b9e31dd6ded8b853827d93a318

5cea28d08a550f92529114b64acf0277c48e2248

352c26c3a35f6bbcbe8aa698500c0aaa8a179aa0

março 29, 2008

Arte

Há alguns meses, no ano passado ainda, alguém levou o filho para o trabalho e largou-o em um dos lounges que usamos para reunião, onde há uma parede imensa de quadros-brancos. O garoto passou o tempo desenhando um painel lá, de uns três metros de largura, este aí da foto. O desenho continua lá, ninguém apagou. Não sei ao certo o que representa, acho que tem a ver com o Master Chief no Pólo Norte, ou sei lá, só sei que gostei da obra. É arte, certo? Ou não? Afinal, o que é arte?


Outro dia assistimos à “My Kid Could Paint That”, um documentário sobre a Marla Olmstead, aquela garotinha de 4 anos que, em 2004, fez sucesso no mercado artístico por seu talento prodígio para pintura abstrata, com exposições em galerias e quadros vendidos por milhares de dólares, até que uma reportagem do “60 Minutes” colocou em dúvida a autenticidade das obras — o fato é que, tirando os pais, ninguém viu a menina produzir um quadro à altura de seus melhores trabalhos expostos, apenas de trabalhos alegadamente inferiores.

É a esta altura que o documentário desanda um pouco. Diante das dúvidas levantadas pelo “60 Minutes”, o diretor tem uma crise de identidade, entra na história, e perde a imparcialidade que deveria nortear um documentário. Aquilo que poderia ser um questionamento sobre o elitismo pseudo-intelectual do mercado de arte abstrata, a partir do ponto de vista dos excluídos, passar a ser uma reflexão existencial sobre autenticidade e ética. Por outro lado, é interessante ver como deve ser difícil a um documentarista aproximar-se daqueles que observa sem envolver-se pessoalmente. O final é para ficar em aberto, mas é clara a posição que o diretor escolhe. Ainda assim, é um bom documentário.

Algumas das partes que mais gostei foram as da entrevista com o crítico Michael Kimmelman, do New York Times — que aparece na íntegra nos bônus do DVD. Uma coisa que ele diz é que a importância de uma obra de arte abstrata não é uma qualidade intrínseca à obra, mas depende de sua história. Ou seja, você derramar tinta numa tela não vale nada, já o Jackson Pollock, um milhão de dólares. É importante porque tem quem pague.

maio 7, 2008

Desaparecimento

Perdeu-se um cérebro. Visto pela última vez ontem à noite, um pouco antes do DVD do Transformers começar a tocar. Quem encontrar favor ligar para... er... hum... hã... bem, pergunta pra ele que ele sabe.

maio 8, 2008

Efeito McLuhan

Você sabe de onde vieram os Smurfs?

Vieram da Bélgica (assim como os chocolates Guylian, ahá!), mas isso não vem ao caso.

Durante o almoço, rolou essa dúvida cultural importante, daí fulano dizia que os Smurfs eram da França, já sicrano dizia que eram da Noruega, e a coisa teria ficado por isso mesmo, mas já vai longe o tempo em que Woody Allen apenas sonhava em materializar Marshall McLuhan no meio da discussão [1], então alguém sacou um celular com acesso à internet e procurou a informação na Wikipedia. Não foi a primeira vez que vi isso acontecer.

É curioso como a tecnologia moderna mudou a dinâmica da conversação. Antigamente — isto é, ano retrasado — ocasionais divergências de ponto de vista em círculos informais morriam em mútuos e civilizados “respeito sua opinião, mas discordo dela”, e cada qual seguia seu rumo. Já hoje em dia, com a internet cada vez mais onipresente, ao alcance dos dedos, a qualquer hora, em qualquer lugar, trouxemos as altercações do mundo dos e-mails para a realidade cara-a-cara dos barzinhos, restaurantes, filas de cinema, etc. Alguém está errado, e este alguém tem que ser devidamente apontado e humilhado em tempo real. Não há mais motivo para dúvidas, logo não há mais espaço para concessões. A réplica está em alguma página da internet. É a tirania do porque há contestação para tudo, então tudo precisa ser contestado.

Será que a vida ficou melhor assim?

***

[1] Essa é uma referência a uma cena do filme “Annie Hall” (no Brasil, “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”), de Woody Allen. Na cena, o personagem de Allen está numa fila de cinema, ouvindo o diálogo do casal atrás dele, sobre as idéias do filósofo Marshall McLuhan. Allen fica irritado com a opinião do homem, e comenta diretamente para a câmera que o sujeito é um idiota. O sujeito entra na conversa em defesa própria. Allen resolve a discussão puxando o próprio McLuhan detrás de um balcão para confirmar que a o sujeito é um idiota. Finalmente, Allen volta-se para a câmera e comenta “ah, se a vida fosse assim”.

maio 13, 2008

Iron Man

Não é por nada não, mas será que o Tony Stark nunca ouviu falar em ímã permanente de neodímio?

Aliás, se depender apenas do quesito “soluções complicadíssimas para problemas simples”, esse cara tinha que ser arquiteto chefe na Microsoft.

O termo “arquiteto chefe” é engraçado, pois a palavra “arquiteto” vem do grego arkhitekton, de arkhi (chefe) + tekton (construtor), logo um “arquiteto chefe” é um “construtor chefe, chefe” — bem, acho que você precisa desse tipo de redundância quando você quer fazer coisas complicadas, por mais simples que elas sejam.

julho 7, 2008

WALL-E

Ontem fui ver WALL-E no cinema... pela segunda vez. Fui para acompanhar a Adri, que ela ainda não tinha visto o filme. Sei que isso soa como desculpa, mas não é. Nós poderíamos ter ido ver Kung Fu Panda, o outro filme de animação desta temporada, que nenhum de nós viu ainda, mas o fato é que gostei tanto do filme do robozinho que preferi dividí-lo com a Adri antes, e deixar o panda para outra hora.


WALL-E é muito bacana!


Kung Fu Panda fica para quando sair em DVD. Sem querer desmerecer o trabalho da DreamWorks, que já teve a coragem de apostar num ogro como personagem principal, e mesmo sem ter visto o filme ainda, mas fazer que um urso panda seja um personagem adorável não parece lá muito desafiador não. Aliás, é quase uma trapaça. Mais fácil que isso, só se fosse um filhote de labrador.


Agora, para pegar um robô que tem a sutileza de design de uma retroescavadora, e transformá-lo em um personagem tocante, é preciso muito talento, e nessa a equipe da Pixar demonstrou que tem talento de sobra.


Sim, eu sei que Cars, o filme anterior da Pixar, era sobre carros humanizados, mas não é a mesma coisa. Em Cars os personagens tinham expressões faciais e tudo mais. Já o robozinho de WALL-E é minimalista nas feições antropomórficas, e ainda assim — ou talvez para compensar isso — o personagem é de uma humanidade cativante, com um grande coração, e pitadas de doçura e fragilidade que lembram o Carlitos de Chaplin (ops, nessa eu viajei).


Por outro lado, o filme talvez não seja tão acessível às crianças quanto são os outros filmes da Pixar. Um panda seria, certamente, uma aposta mais certeira. Mas o filme é sensacional, e a Pixar está de parabéns por ter a coragem de apostar nele.


Ah sim, a história também traz uma mensagem anti-consumista, sobre como a humanidade vai por um caminho de sedentarismo e desperdício crescentes. Isso é interessante, principalmente logo na saída do cinema. Primeiro você joga o saco de pipoca e o copo descartável de refrigerante numa pilha imensa de lixo. Depois, no banheiro, o sabonete, a água da torneira, e as toalhas de papel, é tudo automatizado, basta você colocar a mão embaixo e esperar a maquininha ativar. A sensação é, no mínimo, curiosa. E, é claro, tem também a ironia de que o filme arrecadará milhões em merchandising, e de ser distribuído pela Disney, uma das maiores corporações do planeta. Mas não deixe esses questionamentos estragarem a história.

julho 23, 2008

Só vou dizer uma coisa...

... The Dark Knight em IMAX é bem legal.

agosto 9, 2008

Há muito tempo, em um universo paralelo distante

Amigo cinéfilo, amiga cinéfila, muito tempo livre em suas mãos? Precisando matar algum? O Parallel Film Guide é um site sobre filmes, como o IMDB ou as páginas de cinema da Wikipedia, mas com uma diferença: os filmes listados lá não existem, são puramente fictícios. Quer dizer, não exatamente. Os filmes e pessoas listados no site são paródias de filmes e pessoas reais. O passatempo é tentar descobrir qual o filme por trás da paródia.


Alguns exemplos de filmes que você deverá sacar qual é só pelo título:



Divirta-se.

agosto 13, 2008

+ passatempos cinematográficos

Mais dois passatempos para cinéfilos.

No primeiro, indicado pelo Ricardo, é para tentar identificar os filmes representados nos cartazes da mostra Crazy4Cultlink.

No segundo, é para tentar acertar o título do filme a partir de uma letra do cartaz — link.

agosto 23, 2008

Curiosidade

Você sabia que os trailers de filme têm esse nome porque, logo que apareceram, eram passados depois da atração principal? — quer dizer, eles vinham no trail (rastro) do filme.

Obviamente a estratégia deu muito errado muito rápido, porque o pessoal saía do cinema depois do filme e não ficava para assistir aos trailers. Logo mudaram os trailers para passar antes do filme, mas o nome ficou até hoje.

Mais uma do departamento de assuntos aleatórios...

setembro 29, 2008

Arthur

Outro dia assistimos a Arthur (BR: “Arthur, o Milionário Sedutor”) em DVD, pois ainda não tínhamos assistido a este clássico do cinema, que está em 53º lugar na lista das 100 comédias mais importantes do cinema americano, segundo o American Film Institute.

Há filmes que se tornam clássicos por seus próprios méritos, e Arthur não é um deles. O filme é ruim. Por que é clássico? Não sei. Não chega a ser péssimo, mas é simplesmente ruim. Sem falar que é tãoooo década de 80...

Arthur reforçou minha opinião de que, ao final de toda década, deveríamos escolher os 20% melhores filmes do período, e daí jogar o resto fora. No mínimo deveríamos arquivar o resto em um cofre até que todas as pessoas que estivessem vivas quando o filme foi feito tenham morrido, para ninguém passar vergonha.

outubro 14, 2008

Bombas

Sabe o que acontece quando você não vigia sua fila de filmes no Netflix (Blockbuster, no caso)?

Wild Hogs é o que acontece.

Ai-ai...

Chegou hoje...

outubro 28, 2008

Clichês de uma vida de cão

Fable 2, videogame lançado semana passada para o XBOX, é ótimo!

O mais legal do jogo é que, agora, você tem um cachorro para acompanhá-lo em suas aventuras por Albion, o mundo fictício de Fable. E o cachorro é muito fofo, gente! Os criadores do jogo realmente capricharam na personalidade dele. Ele tem as características comportamentais de um cachorro real, como o entusiasmo energético e a lealdade incondicional que só os cães têm. Ele alerta-o da presença de inimigos, e fareja tesouros enterrados. Ele luta a seu lado. Ele espera, pacientemente, do lado de fora, quando você entra em algum estabelecimento. E você pode treiná-lo a executar vários truques, como fingir de morto e cumprimentar.

Enfim, é um companheirão!

... Quer apostar quanto que vou ter que sacrificar o cachorro até o final do jogo, em nome de um “bem maior”? :(

novembro 4, 2008

Dicas de filme

Um vilão maquiavélico, um séquito de puxa-sacos, um herói azarão, e a luta pelo título mais sem importância do planeta!

O que é isso, novela mexicana?

Não, é a vida real, e isso é “The King of Kong”, um documentário do ano passado sobre o duelo entre Billy Mitchell e Steve Wiebe pelo recorde mundial de pontos no pré-histórico videogame Donkey Kong. E não, eles não são garotos adolescentes, e isso não é 1981.

Tudo bem, é um monte de adultos levando muita bobagem muito a sério, mas por mais que você ache muito hilário — e é, muuuuito hilário — homens crescidos brigando pelo recorde de um videogame do século passado — e mesquinho, mas o que não é? —, é difícil não se envolver com a história deles, e é difícil não fazer torcida.

Tem drama, comédia, reviravoltas, casamentos em crise, personagens absurdos, golpes baixos. Se fosse um roteiro fictício, não seria melhor. Eu recomendo.

dezembro 31, 2008

The Office

Fiquei sabendo que, em 2004, a TV Globo lançou uma série humorística baseada no “The Office”, chamada de “Os Aspones”.

A curiosidade levou-me a procurar clips da série brasileira no YouTube.

As séries são bem parecidas, só que, ao invés de se passar em uma empresa privada, “Os Aspones” se passa em uma repartição pública, e ao invés de personagens empáticos, são personagens chatos, e ao invés de atores bons, são atores ruins, e ao invés de humor inteligente, é aquele humor bate-boca da Globo.

Tirando essas coisas, é igualizinho...

janeiro 27, 2009

Lost

Começou outra temporada de Lost, o seriado mais legal da TV... depois de Battlestar Galactica, Mad Men, The Office, CSI, 24, O Poderoso Benson, Primo Cruzado e o Padrão a Cores.

Esta temporada promete ser bem épica.

Como que eu sei?

Porque uma das chamadas do programa usa o velho clichê de música de trailer com coralzinho épico, aquele em que a música incidental é orquestrada e tem um coral cantando em sânscrito ou élfico (ou sei lá), num crescendo de raivosidade, até que algo faz vush.

Nada diz “épico” mais do que o coralzinho épico.

Isso porque Lost era a série para quebrar clichês, com uma música de abertura minimalista, de apenas duas notas. Mas tudo bem, não se pode quebrar todos os clichês todo o tempo.

Falando em clichês, logo no começo da temporada ficamos sabendo que os eventos da ilha envolvem viagem no tempo.

Viagem no tempo é um ótimo dispositivo de roteiro. É tão bom que chega a ser quase uma trapaça, pois funciona como uma cláusula mágica para explicar qualquer coisa. Não digo com isso que tudo será explicado assim, mas que qualquer buraco deixado para trás — e haverá muitos — poderá ser tapado automaticamente desta maneira. Deus Ex Machina!

Enfim, então a ilha é uma espécie de encruzilhada no espaço-tempo, conectando passado e futuro, existindo em uma dimensão própria, onde as pessoas se perdem e se encontram. Onde é que eu já vi isso mesmo? Agora só faltam os Pakuni e os Sleestaks.

março 24, 2009

Battlestar Galactica

Se você ainda esta para assistir ao último episódio de Battlestar Galactica, pare de ler agora.

***

Eu avisei.

***

Aha! O final de Galactica foi, em parte, como previ desde que a Athena engravidou do Helo lá no começo da série: aqueles eventos eram o passado distante da Terra, e os humanos atuais seriam descendentes híbridos de cylons com aqueles humanos.

Ou vai dizer que você não viu esse final chegando a anos-luz de distância? Eles até que enganaram com aquela Terra fajuta e aquela surpresa tipo “Planeta dos Macacos”, mas, no final, foi como tinha que ser, pois quando o inesperado é a norma, tal solução de roteiro é quase inescapável.

No mais, o final foi bem épico e dramático, na tradição da série. Galactica inovou por ser uma série de ficção-científica com produção apurada, mas voltada essencialmente aos personagens e seus conflitos. Só fiquei um pouco decepcionado pela maneira como os elementos místicos foram usados para amarrar as pontas soltas da história. Minha “suspensão voluntária de descrença” teve problemas para entrar em ação. Ficou um gostinho residual de “Deus Ex Machina”. O balanço geral é positivo porém. Leva nota 8.

março 25, 2009

Watchmen

Não li os quadrinhos, mas gostei do filme. Watchmen é bem bacana.

O personagem mais legal é o Rorschach. Ele tem uma máscara na qual fica passando o clip da música Crazy, do Gnarls Barkley. Mas sem o som. Isso faz dele louco? Provavelmente...

Uma coisa que não me ficou clara é se a estampa mutável da máscara do Rorschach é algo real ou subjetivo. Ou seja, se é algo que os outros personagens vêem, ou apenas nós, a platéia.

Entendi, porém, que a sacada é a seguinte: a visão que ele tem do mundo muda constantemente, mas é sempre em extremos, dicotômica, mutuamente exclusiva, preto e branco. Afinal, ele “nunca compromete”.

O ator que faz o papel é ótimo, mas mais não conto para não estragar para quem não viu o filme.

Fabinho disse que sairá de Rorschach no Halloween.

No Halloween ainda não sei, mas na Solstice Parade, penso em sair de Doctor Manhattan.

Por que não no Halloween? Bem, Solstice Parade é na primavera, Halloween é no inverno, faça as contas. Se eu fosse tentar um Doctor Manhattan no Halloween, teria melhores chances como Mestre Oogway.

***

Vi que já apareceu um spin-off de Watchmen, mas sei lá, não acho que será muito bom não...

***

Pronto, chega de piadas sobre o bráulio do Manhattan...

maio 7, 2009

Star Trek


Hoje fui com o time do Windows assistir ao novo Star Trek. Deixa eu dizer que o filme é ótemo! E não, eu não sou fã de Star Trek. Bem, talvez por isso que gostei — minhas expectativas não eram muito grandes.

O filme é bem legal, bem “diversão descompromissada”. Os atores fizeram jus aos personagens sem incorrer em caricaturas dos atores originais. É meio estranho ver aqueles mesmos personagens de longa data — de novo, não sou trekkie — serem interpretados por outros atores pela primeira vez, mas tudo bem. A história de fundo é meio batida e previsível, mas como o filme é mais orientado aos conflitos humanos (e extraterrestres), é até melhor que seja assim. O ator que faz o Kirk tá muito bem, e a Uhura é ótima. O Spock também tá legal. Valeu a ida ao cinema.

maio 22, 2009

Seven Pounds

Vou começar a assistir a Seven Pounds, com o Will Smith, daqui a pouco. Não sei do que se trata o filme, só o pouco que vi na propaganda. Parece que tem uma "surpresa" no final. Tem vezes que a simples menção da existência de uma "surpresa" é o suficiente para a gente saber o que a surpresa é. Acho que já saquei a do Seven Pounds. Vamos ver. O filme está para começar...

junho 13, 2009

Títulos de Filme

Fiquei sabendo que traduziram o título do ótimo filme “The Hangover”, no Brasil, para “Se Beber, Não Case”...

Fala sério, meu amigo! O que é que tem de errado com “A Ressaca”? Até “Uma Ressaca da Pesada” séria melhor do que isso. E que tal aquele outro, “Se Beber, Não Traduza Titulo de Filme”?

junho 16, 2009

Revolutionary Road

Final de semana assistimos a “Revolutionary Road”, filme brilhantemente interpretado por Kate Winslet e Leonardo DiCaprio. Baseado no romance homônimo, o filme conta a história de um casamento ruindo no vazio conformista da sociedade americana nos meados dos anos 50. De certa forma, é um universo paralelo no qual Jack e Rose, os personagens que os dois atores interpretaram em “Titanic”, terminam juntos e casam. O amor é infinito enquanto dura, diria o poeta — um Delta de Dirac, diria o matemático.

Dica: em toda cena na qual aparecer o filho maluco da agente imobiliária amiga do casal, pense nele como se fosse o Kramer de Seinfeld, e daí Frank Wheeler é o George Costanza. Traz todo um novo significado à cena.

julho 2, 2009

Star Trek, Hoje e Ontem

Gostei tanto do Star Trek novo, o do J.J. Abrams, que decidi rever a série original, aquela dos anos 60, pelo Netflix.

Netflix é uma empresa que aluga filmes em DVD pelo correio, mas recentemente eles expandiram para oferecer filmes pela internet também, via streaming. Você pode assistir aos filmes pelo computador ou, no nosso caso, pelo XBOX. O catálogo disponível é bem mais limitado que o catálogo de DVDs, mas é melhor do que nada, e por “nada” quero dizer, ir na Blockbuster pegar filme.

Um dos títulos disponíveis é a primeira temporada inteira da Star Trek original. A série foi “remasterizada” em alta-definição, com muitas tomadas novas de efeitos especiais. As cenas no espaço, por exemplo, são todas novas.

Se você pensa em rever a série original, faça um favor a si mesmo... desista! É muito ruim, gente! E não é ruim porque os enredos sejam ingênuos, ou as atuações exageradas. É porque o negócio é chato de doer, um tédio só. Os poucos episódios a que tentei assistir, acabei dormindo no sofá. Funciona muito bem como sonífero — se for o que você estiver buscando. Caso contrário, sugiro passar.

Quanto às tomadas novas de espaço, elas são obviamente melhores no quesito visual, mas fora isso continuam com os mesmo erros grosseiros de sempre. Por exemplo, qual o problema óbvio na seqüência de quadros da tomada abaixo, que mostra a Enterprise em órbita da Terra?

O problema é a perspectiva. O raio da órbita de uma espaçonave é tão imensamente maior que a própria nave que, na escala da nave, a órbita é quase uma reta. Se você não vê um navio fazer uma curva tão pronunciada na superfície do oceano, por que você veria uma espaçonave fazer tal curva numa órbita de raio ainda maior? Para fazer essa curva aí, a Enterprise teria que ser gigantesca, coisa assim do tamanho do Texas. E isso me faz pensar, será que há algo como “ser nerd demais até para ver Star Trek”?

julho 22, 2009

Napa

Final de semana fomos para o Napa Valley, uma região da Califórnia famosa pela vinicultura. Desnecessário dizer que o lugar é muito belo e tal. Paisagem linda, com parreirais a perder de vista. As uvas ainda estavam miudinhas. A colheita acontecerá só no outono. Talvez uma boa época para voltar para lá. Mas as uvas não crescerão muito mais não. Coisa que só fiquei sabendo há pouco tempo: uvas de vinho são criadas na base da chicotada. Total “tough love”. Ao contrário das uvas de supermercado, cultivadas para ter tamanho e suculência, uvas de vinho são criadas para ter maior concentração de açúcares e enzimas por volume, por isso são irrigadas o mínimo necessário durante o verão. O resultado são uvas miúdas, mas com a doçura de um coice de cavalo — se o cavalo fosse de açúcar. Vinho bom vem de uva que sofreu um pouco.

Outra coisa que eu não sabia (achava que era coisa dos meados dos anos 80), a tradição vinícola de Napa vem de longa data. Começou lá por 1860, mas daí veio a Lei Seca nos anos 20 e matou a indústria, que só reapareceu no começo dos anos 70, sob o descaso dos vinicultores europeus. A fama internacional dos vinhos californianos começou a desabrochar em 1976, quando alguns vinhos americanos venceram uma competição em Paris. A história desta competição é contada no [bom] filme Bottle Shock, com Alan Rickman e Bill Pullman.

agosto 25, 2009

Manda Bala

Você já ouviu aquela piadinha do “estava com vontade de trabalhar, daí sentei no sofá e esperei a vontade passar?”

Aqui vai uma variação dela: Estava com saudades do Brasil, então sentei no sofá para assistir a “Manda Bala”, documentário do diretor Jason Kohn, e a saudade passou.

O filme, de 2007, é um documentário estadunidense sobre a violência e corrupção no Brasil, com um certo enfoque no ponto de vista dos próprios brasileiros. O documentário entrelaça diferentes histórias relacionadas à indústria dos seqüestros e aos casos de corrupção de Jáder Barbalho, que é apresentado como exemplo do ponto a que a corrupção institucionalizada, e sua tolerância, chegam no país.

Alguns brasileiros (e talvez gente de qualquer nacionalidade, efim) têm essa de não gostar quando estrangeiros falam mal do país, que estes não têm tal direito, que é exagero ou intriga, que os relatos são manipulados, que eles deviam olhar para o próprio umbigo antes de falar mal de outros. É como achar ruim que um careca aponte para nossa cabeça e diga que nosso cabelo está em chamas, quando nosso cabelo só está em brasa. É como se o Brasil fosse necessariamente OK, logo qualquer conclusão contrária é necessariamente errada. Afinal, corrupção e crime existem em qualquer lugar do mundo, não?

Fala sério! Tudo bem, talvez haja exagero e manipulação, mas mesmo quando se dá o devido desconto, mais bônus, ainda assim os níveis de criminalidade e corrupção no Brasil são absurdos para gente de país desenvolvido. O mais doloroso é a impressão que um longo tempo vivendo fora do país deixa, da resignação com que os próprios brasileiros aceitam tais problemas como dificuldades inescapáveis da vida.

Ainda tenho saudades dos amigos e da família, porém...

setembro 28, 2009

Filmes

No filme “O Dia em que a Terra Parou” (The Day the Earth Stopped) — não confundir com “O Dia em que a Terra Parou” (The Day the Earth Stood Still) —, uma esquadra de robôs gigantes invade o planeta Terra e ameaça exterminar a humanidade a menos que esta prove seu valor.

Digamos assim, se isso acontecesse mesmo, de robôs alienígenas invadirem a Terra e exigirem provas do valor humano, então este filme não contaria muito a nosso favor não. Pelo contrário, seria capaz de apressar os robôs. O filme é bem ruim.

Robô 1: Você viu esse filme que eles trouxeram?
Robô 2: Sim.
Robô 1: E então, qual a conclusão?
Robô 2: Olha, por mim a gente começa a dedetização ...



***

Já em “O Dia em que a Terra Parou” (The Day the Earth Stood Still), remake do clássico “O Dia em que a Terra Parou” (The Day the Earth Stood Still), uma esquadra de bilhões de nanorobôs invade o planeta Terra e... bem... no final é a mesma coisa. Os detalhes mudam, a produção é bem mais sofisticada, há mais astros no elenco, mas no fundo é tão ruim quanto.


***

Por outro lado, se você quer um filme legal de ficção científica, sugiro o espanhol “Los Cronocrímenes” (Time Crimes), que é uma espécie de comédia dos erros envolvendo viagem no tempo. Tem que dar um descontinho aqui e ali, em particular em certas decisões inverossímeis que alguns personagens tomam em certos momentos, mas dado tal desconto, a parte de viagem no tempo é bem legal.

janeiro 10, 2010

Falhas Muito Loucas (Epic Fail)

Traduzir títulos de filme é uma tarefa inglória (deve ser). Quando você acerta, ninguém nota. Quando você erra, muitos lamentam sua falta de imaginação. Mas como não estou aqui para celebrar os acertos, aqui vão algumas traduções que achei... er... "interessantes", de títulos recentes.

Primeiro, note-se uma certa tendência a explicar a trama no título. Será isso uma necessidade do público, ou apenas o tradutor querendo adicionar sua marca?

Assalto ao Carro Blindado (Armored)
Coraline e o Mundo Secreto (Coraline)
London River - Destinos Cruzados (London River)
Giallo: Reféns do Medo (Giallo)
Miss Março: A Garota da Capa (Miss March)
O Mistério de Grace (Grace)
80 Minutos para Viver ou Morrer (80 Minutes)
Appaloosa - Uma Cidade Sem Lei (Appaloosa)

Outra tendência é a necessidade de melhor categorizar o gênero do filme já no título. Deus livre o público de topar com um título ambíguo, do qual não se possa derivar o gênero.

Diversão Macabra (Amusement)
Lentes do Mal (Dread)
Jogo Macabro (Open Graves)
Invasor de Mentes (Hardwired)
Cabana Macabra (The Cottage)
A Corrente do Mal (The Daisy Chain)
Adolescentes Malvadas (Legacy)
Atirando para Matar (Aces 'N' Eights)
Regresso do Além (Not Forgotten)
Terror na Antártida (Whiteout)
Rede de Intrigas (Lies & Illusions)
A Morte Convida Para Dançar (Prom Night)
Autópsia de um Crime (Pathology)
Busca Implacável (Taken)
Caçada Explosiva (Kill Switch)
Carga Explosiva (The Transporter)
Vingaça Entre Assassinos (The Tournament)
Sede de Sangue (Thrist)
Sede de Vingança (Dolan's Cadillac)
Os Cavaleiros do Apocalipse (Horsemen)
Às Margens de um Crime (In the Electric Mist)

A tendência também acontece para comédias românticas e dramas em geral. Neste caso, porém, a regra é elevar os elementos românticos e sentimentais da trama à bilionésima potência, no título. Em alguns casos isso pode empurrar o filme para outro gênero. Dramas podem até virar comédias românticas, e vice-versa.

Amor Sem Escala (Up in the Air)
Brilho de uma Paixão (Bright Star)
Novidades No Amor (The Rebound)
Por Amor (Personal Effects)
Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler's Wife)
Uma Prova de Amor (My Sister's Keeper)
Corações em Conflito (Mammoth)
Apenas um Sonho (Revolutionary Road)

Mas nem toda tradução esclarece. Há vezes em que a ambigüidade aumenta, e certas comédias podem transitar perigosamente para a fronteira dos pornôs.

Homens Que Encaravam Cabras (The Men Who Stare at Goats)
Ela Dança com Meu Ganso (Dance Flick)

Ou ir no sentido contrário, distanciando-se daquela fronteira.

Pagando Bem, Que Mal Tem? (Zack and Miri Make a Porno)

Para comédias, se tudo mais falhar, o negócio é declarar insanidade para não entrar em apuros.

Deu a Louca na Branca de Neve (Happily N Ever After 2)
Primavera Maluca (Spring Breakdown)
Maluca Paixão (All About Steve)
Carros Usados, Vendedores Pirados (The Goods: Live Hard, Sell Hard)
Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic)
Uma Mãe em Apuros (Motherhood)
Uma Socialite em Apuros (Maneater)
Virgem em Apuros (American Virgin)

Há situações em que o óbvio está na sua frente e acerta sua cara com a força de um soco do Mike Tyson, para simplesmente desaparecer enquanto você recobra os sentidos. Daí você tem que improvisar sob o efeito de fortes sedativos.

Se Beber Não Case (The Hangover)

Há também aquelas situações "deus nos acuda", em que você tem que jogar a toalha no chão e entregar a partida. Se não puder vencer, confunda.

A Mente que Mente (The Great Buck Howard)
Anjos da Noite - A Rebelião (Underworld: Rise of the Lycans)

Há traduções que são puro clichê. Não que as traduções até aqui listadas não sejam. Apenas que as seguintes não têm qualquer outra qualidade redentora. Poderiam muito bem ter sido geradas pelo tradutor automático Tabajara de títulos de filme. Quem sabe foram. Quem poderá dizer?

Minha Filha é um Sonho (Imagine That)
Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (The Ghosts of Girlfriends Past)
Garota Infernal (Jennifer's Body)
Um Hotel Bom pra Cachorro (Hotel for Dogs)
Alerta Final (Depth Charge)
As Duas Faces da Lei (Righteous Kill)
Almas Diabólicas (Dark Floors)
O Segurança Fora de Controle (Observe and Report)
Confusões em Família (City Island)

janeiro 31, 2010

Avasecatar

Essa é boa, o filme Avatar está deixando alguns espectadores em depressão. São pessoas que ficam tão maravilhadas com a fantasia exuberante e utópica do planeta Pandora, que fica difícil a elas reconectar com a realidade mundana do planeta Terra.

É sério. Tem até uns malucos achando que eles próprios são espíritos Na’vi presos em corpos humanos. Pode?

Claro que pode. Sempre tem uns malucos assim, sejam os que acham que são bruxos por causa de Harry Poter, ou os que acham que são “fadas” por causa de Twilight (Crepúsculo).

O agravante com Avatar é que tem gente contemplando suicídio na esperança de rebootar num corpo Na’vi, no planeta Pandora.

Já eu, não tenho esse problema. Consigo ficar deprimido com a vida real mesmo...

Brincadeira. Só não podia perder a piada.

De qualquer forma, voltei do Brasil com aquela sensação de não pertencer mais lá, mas também de não pertencer aqui. Ou seja, a lugar nenhum. O mundo ideal para mim seria aquele em que pudesse passar a semana de trabalho aqui e o final de semana (mas não todos) no Brasil. Enquanto a tecnologia de avatares não vem, faço o que posso...

fevereiro 5, 2010

Rifle de Chekhov


****** Aqui há possíveis spoilers de Avatar, The Dark Knight, Jurassic Park e Adaptação. Prossiga por conta e risco próprios... ******

OK, apesar do pessoal que leva o filme mais a sério do que deve, o fato é que Avatar é bem legal, ainda mais em IMAX 3D.

A qualidade dos efeitos especiais é um marco da tecnologia cinematográfica. O filme representa uma mudança nas regras do jogo daquilo que é possível mostrar na tela. Algo assim da envergadura do que foi Guerra nas Estrelas em 1977.

Por outro lado, a história de Avatar é, convenhamos, fraquinha. Guerra nas Estrelas, apesar de emprestar vários arquétipos mitológicos prontos, tinha mais imaginação. A história de Avatar é uma enorme coleção de “Rifles de Chekhov”.

Um “Rifle de Chekhov”, assim como um “Deus Ex Machina”, é um fórmula literária básica, um artifício para desenvolver tramas.

“Deus Ex Machina” vem das peças do teatro grego clássico, onde era comum usarem uma engenhoca para içar um ator ao palco, no papel de um deus, para salvar o herói bem no último instante. Era o “deus da máquina”.

Com o tempo o termo virou sinônimo de qualquer solução mirabolante que entra abruptamente em cena para resolver um impasse.

Exemplo: aquele tiranossauro que surge no final de Jurassic Park, bem a tempo de salvar a turma de virar almoço de velociraptor. Clássico “Deus Ex”.

Um “Deus Ex” é considerado uma saída chula, quase uma trapaça. No ótimo Adaptação, de 2002, o personagem Robert McKee sugere ao protagonista, que está tentando adaptar um livro para o cinema, que o mais importante é achar um final marcante para a história, mas que ele “não ouse usar um ‘deus ex machina’”, pois a solução dos conflitos deve vir dos próprios personagens. O interessante é que, mais adiante, o próprio filme tem um descarado “Deus Ex” — bem usado aí, dado os múltiplos níveis de auto-referência que Adaptação contém.

Já o dispensável O Escapista, coincidentemente protagonizado por Brian Cox, o mesmo ator que fez Robert McKee em Adaptação, tem aquele tipo de “Deus Ex” mais miserável e barato que existe, aquele em que “tudo não passou de um sonho”. Aliás, como o protagonista se ferra no final (e a platéia também), está mais para um “Diabolus Ex Machina”.

Estraguei O Escapista para você? Disponha. É um filme ruim a menos para você ver.

Mas eu divago...

Quando você não quer que o “Deus Ex” fique tão na cara, uma saída é “cantá-lo” antes da hora. Daí ele vira um “Rifle de Chekhov”.

O dramaturgo Anton Chekhov que disse que “não se coloca um rifle em cena se não há a intenção de dispará-lo mais tarde”. É o princípio da economia de detalhes: nenhum detalhe deve ser desperdiçado. A implicação óbvia, para a platéia, é que o aparecimento de um rifle em cena implica em seu uso adiante.

Um “Rifle de Chekhov” é basicamente a introdução conspícua de um detalhe que terá importância crucial mais tarde na trama.

O exemplo clássico são os itens de equipamento (os gadgets) que o agente James Bond recebe do Serviço Secreto britânico ao início de cada missão. Já notou que, não importa quão especializado cada item seja, Bond sempre usa todos eles? Você sabe que o filme não terminará até que Bond tenha usado cada gadget pelo menos uma vez.

Outro exemplo está em Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). A certa altura Bruce Wayne dispara acidentalmente lâminas embutidas na vestimenta nova de Batman, durante a inspeção do equipamento. Há até uma piada sobre ele “ler o manual antes”. Tremendo “Rifle de Chekhov”. Mais tarde as mesmas lâminas são decisivas para salvá-lo do perigo.

Nem todo “Rifle de Chekhov” serve para defletir potenciais “Deus Ex”, porém. Pelo contrário, uma boa história não distrai com detalhes sem importância. O uso do dispositivo ajuda a criar momentos de premonição sombria, ironia do destino, justiça poética, suspense, sincronicidade, etc.

Esse não é o caso de Avatar, porém. Já da premissa do filme, antes mesmo de entrar no cinema, a gente sabe que até o final o herói terá passado permanentemente para o corpo do avatar — ou sua “jornada de transcendência” não estaria completa, oras; o círculo precisa fechar. Logo, dado que isso vai acontecer muito provavelmente, todo o resto que precede é simplesmente uma desculpa para que aquilo aconteça. O arsenal de “rifles” que desfila em Avatar existe basicamente para explicar a lógica por trás daquela última cena. Aliás, de certo modo o maior “rifle” do filme é justamente a expectativa de que a transferência definitiva acontecerá, daí tudo fica muito previsível.

Ah, e não vamos esquecer o super “Deus Gaia Ex” que acontece perto do final (apesar de ele ter sido “cantado” antes).

P.S.

  • O filme já arrecadou 2 bilhões de dólares, logo alguma coisa certa tem. A história, se simplista, torna o filme mais acessível. Seria arriscado fazer um filme tão inovador em termos técnicos com uma história marginalmente mais complicada.

  • Eu conheço clichês cinematográficos demais para meu próprio bem...

  • abril 14, 2010

    As Árvre Semo Nózes

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

    Acabo de...

    Espera, que tem mais.

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

    Acabo de ver o trailer de “Segurança Nacional”, um filme brasileiro de ação que estréia este ano.

    A julgar pela amostra, o filme será Ó-T-I-M-O!

    Ótimo para dar boas gargalhadas.

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

    O filme tem Thiago Lacerda no papel de Jack Bauer, Milton Gonçalvez no papel de David Palmer e, a julgar pela total chupação caprina, Ângela Vieira ou Gracindo Júnior no papel de Nina Myers — minha suspeita é que seja a primeira.

    Não entenda mal, tecnicamente o filme parece ser bom, e apesar de [aparentemente] percorrer toda a lista de clichês do catálogo, é bacana ver um filme brasileiro apostar em um gênero mais comercial. Torço para que faça sucesso.

    Por outro lado, é como ver um americano tentando sambar: por mais que você simpatize, é difícil não achar engraçado.

    Meu problema mesmo é que interpretações ruins irritam-me profundamente mais em português do que em inglês, talvez porque eu consiga detectar as nuances da língua mais facilmente, mas o fato é que, a julgar pelo trailer, as interpretações no filme são péssimas. A falta de naturalidade nas falas é impressionante. Quem fala enunciado daquele jeito na vida real, gente? Ninguém! A impressão que dá é que os atores decoraram o texto na última hora, daí declamam as falas em cena sem ter ainda interiorizado o sentimento. Isso é coisa de ator de Teatro que precisa “projetar” para o pessoal na última fila? Ou é coisa de ator de novela? Vai ver o texto que é ruim mesmo.

    junho 1, 2010

    Lost

    O final de Lost não decepcionou. Por outro lado, não é como se eu esperasse muito. Pelo contrário, esperava bem pouco. Na medida do pouco que esperava, o final foi à altura.

    Tipo assim, já vi arremates piores, como as retcons de Highlander II: The Quickening, ou os midi-chlorians de Start Wars Episode I. Perto daqueles, os arremates de Lost foram... não tão ruins.

    O importante é olhar para o conjunto da obra, porém. Em sua totalidade Lost foi uma série boa em personagens, e ruim em ficção-científica.

    Sinto muito, fãs, mas no que diz respeito a séries de ficção-científica com foco em personagens, Battlestar Galactica foi melhor. Não que fosse perfeita, longe disso, mas soube dosar melhor o uso de dogmas e enigmas para explorar dilemas morais e dramas humanos. Isso porque parte dos “humanos” de Galactica eram andróides. Lost teve personagens muito bacanas, mas perto de Galactica a maioria deles parecia uma coleção de Pokèmons esperando cada qual a vez de servir sua habilidade especial ao [des]enrolar da trama, para então ser descartado em seguida.

    Para um show supostamente sobre personagens, Lost focou demais em enigmas. Sim, os enigmas eram muito bacanas, e foi o que atraiu e segurou muita gente no show. Só que a coisa toda perdeu muito a graça quando ficou claro, ali pela metade da série, que tais enigmas eram da boca para fora, vazios, sem essência, apenas uma colagem de símbolos e referências.

    Uma mitologia não é sobre colecionar símbolos, mas sobre explorar dilemas morais e nossa relação com os mistérios do Universo. Lost teve disso sim, mas a coisa foi um tanto incidental em meio ao desfile interminável de mistérios vazios. Lost criou mitologia por uma abordagem de “culto a carga”, imitando as conseqüências para tentar reproduzir as causas.

    O chato de Lost não são as perguntas que ficaram sem resposta. Galactica também deixou várias perguntas no ar, mas foi bem mais econômica na profusão de dogmas, e havia uma certa “lógica interna”. Não digo com isso que os autores de Galactica tinham resposta para todos os mistérios, ou sabiam o rumo da série desde o início, ou que a conclusão não foi derivada por engenharia reversa, mas pelo menos havia uma certa consistência na narrativa. Lost não teve essa “lógica interna”. É interessante como muito fãs continuam tentando desvendar os enigmas e significados da série como se houvesse mesmo substância sob a superfície. Não há. A aparência de substância é, em grande parte, um fenômeno de apofenia. Lost é como um videocassete paraguaio que você abre e descobre ser oco, os controles e displays externos são apenas decalques imitando elementos que os designers acharam bonitos.

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