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Divagando Archives

agosto 1, 2007

Memória

Comprei um cartão de memória de 4 gigabytes para a câmera fotográfica. O preço estava bom. Há um ano, custaria mais que o dobro.

Coloquei-o na câmera. O display indicou espaço para 999 fotos. “Uau, quase 1000 fotos!”, pensei.

Uma centena de fotos depois, o display ainda mostrava 999. Só então me toquei que o display só vai até 999 — no cartão cabe bem mais do que 1000 fotos!

4 gigabytes é um monte. É umas 40 mil vezes a memória do meu primeiro computador, e umas 50 mil vezes a memória do AGC, o computador de bordo do módulo lunar da Apollo XI, aquele que pousou na Lua há quase 40 anos.

Como é que eles foram para a Lua com menos de 1 megabyte? Eu não sei. Hoje eu não consigo fazer uma ligação de celular sem um aparelho com o dobro disso!

Bando de loucos, aqueles que foram à Lua.

Mas se 4 gigabytes é um monte hoje, ano que vem já será metade de um monte, e um monte mesmo será 8, e no ano seguinte será 16.

Onde isso vai parar? Difícil dizer. A tecnologia atual está cada vez mais próxima do limite, mas sempre há a possibilidade de que alguém invente uma nova tecnologia ainda mais densa.

Mas será que existe um limite máximo teórico imposto pelas leis da Física? Existe, e quando você atinge este limite, a simples adição de um único bit faz o sistema colapsar em um buraco-negro.

Outra coisa interessante é que a quantidade máxima de informação possível em um volume simples (uma esfera) é proporcional à superfície, e não ao volume, da esfera. Isso quer dizer que tudo que acontece tridimensionalmente dentro da esfera pode ser representado por uma teoria bidimensional na superfície da esfera. Ou seja: a terceira dimensão de espaço é uma ilusão.

outubro 16, 2007

Terra

Fica a nota para o Ronaldo: ter por objetivo de vida ganhar o Nobel da Paz não é um objetivo de vida digno de merecer um Nobel da Paz. Talvez erradicar a fome, a miséria, a violência, ou a devastação do planeta? Quão fixado no culto ao próprio ego alguém precisa ser para pensar o contrário? O prêmio não é a meta, apenas o reconhecimento — e o agradecimento — a alguém que se dedica a algo muito mais nobre.

Enfim, tudo isso é apenas para dar os parabéns ao Al Gore, que recebeu o Nobel da Paz por seu trabalho na conscientização sobre os problemas climáticos causados pelo bicho-homem. O cara é incansável, e o prêmio é certamente bem merecido. É claro que há problemas mais graves no mundo neste exato instante, mas poucos problemas de longo prazo são tão importantes, e afetam tanta gente, quanto a relação da humanidade com o planeta em que vive — e a hora de começar a agir é agora.

Até fiquei motivado a fazer algo a respeito do aquecimento global. Decidi investir na compra de terras em lugares frios e elevados, para quando a temperatura e o nível dos oceanos subirem. Já imaginou a valorização? A tundra inóspita de hoje é a praia paradisíaca de amanhã.

outubro 27, 2007

Dúvida

Será que os baristas do Starbucks fazem pausa para o cafezinho?

dezembro 10, 2007

Babymoon

Outro dia ouvi a expressão “babymoon” (lua-de-bebê), que seria uma “honeymoon” (lua-de-mel) para casais que estão prestes a ter um bebê. Basicamente, é uma viagem de férias que marido e esposa grávida fazem para aproveitar os últimos momentos a sós, antes da chegada do bebê.


“Babymoon”, que nome infeliz! Quem será que inventou? Que tentativa tragicômica de tentar equiparar a uma lua-de-mel romântica uma viagem com a patroa embuchada.


Tudo bem, a chegada de um bebê é emocionante, e um filho é a coisa mais linda e blá-blá-blá, mas não vem com essa de “ah, é quase igual a uma lua-de-mel, então vamos dar um nome parecido”. Não, não é quase igual. É bem diferente. É exatamente o oposto. É a mudança completa nas regras do jogo. É o fim da era do “nós, às vezes eu”, e o começo da era do “o bebê, sempre o bebê”.


“Babymoon” deveria ser nome de marca de cigarro. Sabe aquele último cigarrinho que o condenado traga, de olhos vendados, antes do fuzilamento?

janeiro 3, 2008

Feliz 2008

“Você sabe que está ficando velho quando começa a investir mais em preservar a saúde do que em destruí-la...”
— Anônimo

janeiro 6, 2008

Assustador

Tive uma idéia genial para dar um susto horripilante na Adri. É assim, primeiro tenho que arrumar um dispositivo para disparar a campainha da casa por controle remoto. Achar tal dispositivo por aqui é fácil, e não deve custar caro. Vai dar um pouco de trabalho instalar, mas vale a pena. Daí, quando tudo estiver pronto, na próxima vez em que a gente for dormir, assim que as luzes estiverem apagadas, eu venho com essa história:

Puxa, espero dormir direito hoje. Na noite passada eu tive um pesadelo horrível. Começava com a gente indo dormir, e assim que a gente deitava na cama, uma assombração tocava a campainha...

janeiro 27, 2008

Medicina Moderna

... Uma das grandes conquistas do século passado foi a descoberta da vacina para o sereno, que, quando eu era criança, acometia muita gente que saia à noite, e a julgar pela gritaria dos adultos, era uma doença terrivelmente mortal.

Graças aos avanços da medicina, nunca mais ouvi falar nessa moléstia.

fevereiro 20, 2008

Zen do Zune

Fazia tempo eu não ouvia rádio no carro. Por quê? Porque tenho ouvido música no Zune, ao invés. Não que seja desculpa, porque o Zune pega rádio.

Para ouvir o Zune, já que o som do carro não tem entrada direta, uso um mini-transmissor de FM. Ele pega a saída do Zune e transmite via rádio para o som, apesar de os aparelhos estarem lado a lado. É como se duas pessoas conversassem por telefone celular frente a frente — é um esquema idiota, que diminui a qualidade do áudio, mas fazer o que se o fabricante do som não colocou uma entrada direta?

Daí ocorreu-me: uso um transmissor de FM para conectar o Zune ao som do carro, e o Zune pega rádio FM. O que acontece se eu sintonizar o Zune na freqüência do transmissor conectado à sua saída?

É claro que, pelo bem da Ciência, uma pergunta destas não poderia ficar sem resposta imediata. Pouca importa que eu estivesse dirigindo na rodovia, e o Zune estivesse dentro da mochila.

Por sorte, consegui conectar tudo. O resultado? Basicamente é o som dos cavaleiros do Apocalipse cavalgando hienas numa atmosfera de hélio, em meio a uma revoada de arapongas... Dentro da sua cabeça... Enquanto você dirige.

março 11, 2008

Traz a 12

Call of Duty 4” para o XBOX é um jogo lindo... er... até o ponto em que um jogo de guerra pode ser lindo, o que implica que ele também é bem feio, porque guerra é uma coisa feia.

Quer dizer, o jogo é lindo pelo apuro técnico e visual, e pela jogabilidade. Ele é tão “realista” quanto a tecnologia atual, e a proposta de ser entretenimento, permitem. Por outro lado, todo esse esmero visual aproxima ainda mais a horrenda brutalidade de uma zona de guerra.

O capítulo mais impressionante é “Death From Above”, onde você opera a artilharia de um avião bombardeiro em uma missão noturna, através daquelas câmeras de mira infravermelha. O realismo das cenas é chocante, não tanto pelo quanto o jogo imite a realidade, mas pela constatação de que a realidade se parece com um jogo — para comparar, aqui há links para cenas do jogo e cenas reais, dispensáveis aos mais sensíveis.

No final, tudo isso me fez pensar... quando é que vai sair um jogo do “Tropa de Elite”? Está mais do que na hora.

O filme “Tropa de Elite” é divertido, mas também achei divertida a polêmica que gerou. Polêmica do tipo que só brasileiro sabe fazer — não que americano não faça polêmica, mas é diferente. O que achei divertido é que muita gente no Brasil aplaudiu de pé a truculência da polícia contra os consumidores de drogas, pois estes sustentam uma atividade criminosa. A parte divertida é que muita dessa gente assistiu a uma cópia pirata do filme. Pois é, pirataria também é crime...

março 19, 2008

7

A Igreja Católica aumentou a lista de pecados capitais de sete para catorze.

Pois é, você nunca vê esse tipo de coisa diminuindo. Ninguém vota em político para reduzir o número de leis, por exemplo — mas se você pensar, é tão importante quanto.

Mas voltando, sei lá, catorze não é um número tão mágico quanto sete. Não tem o mesmo charme cabalístico. Sete é um número primo, e há todo um encanto nos números primos. Catorze não só não é primo como é par, que é o tipo mais chulé de não-primo que existe.

Sete é cheio de simbolismo: os sete dias da semana, as sete colinas de Roma, os sete sábios da Grécia, os sete samurais, os sete anões, as sete maravilhas do mundo antigo, as sete cores do arco-íris, a dança dos sete véus, as sete notas musicais, as sete belas-artes, os sete círculos do inferno, o sétimo céu, o sétimo selo, a sétima profecia, Ultra Seven, os sete mares, os sete chakras, 007, os sete anos de azar que quebrar um espelho traz, os sete passos de Buda, as sete trombetas do apocalipse, o display de sete segmentos, a guerra dos sete anos, a hidra de sete cabeças, os sete sacramentos, os sete livros do antigo testamento, as sete chagas de Cristo, os sete volumes da série Harry Potter...

Já catorze, o que há de especial nele? Nem convicção o número tem, pois uns dizem “catorze”, outros “quatorze”, e ambos estão certos, o que é muito errado.

Catorze não tem a mesma... er... “harmonia assimétrica” do sete. “Catorze pecados capitais” não soa tão sério. Virou decoreba. O filme “Se7en”, por exemplo, jamais seria o mesmo. Seria uma mini-série para começar, e uma comédia para terminar.

Mas quais são os novos pecados capitais?

  • Violações “bioéticas”, como controle de natalidade

  • Uso de drogas

  • Poluição do ambiente

  • Agravamento da injustiça social

  • Riqueza excessiva

  • Geração de pobreza
  • É claro, fiquei cheio de dúvidas. Por exemplo, uma maneira básica de “não gerar pobreza” é promover planejamento familiar, mas como conciliar isso com “não controlar a natalidade”? Ou será que pode usar métodos “naturais” (i.e., tabelinha), mas não “artificiais” (i.e., preservativo)? E qual a diferença, se o resultado é o mesmo? E se filhos indesejados de famílias ausentes estão mais sujeitos à criminalidade e uso de drogas, como conciliar “não usar drogas” e “não agravar a injustiça social” com “não controlar a natalidade”? É violação bioética usar vacinas testadas em humanos? E antidepressivo, é droga? E se a construção de infra-estrutura para diminuir pobreza causar poluição? Quanta poluição vale um pai-nosso? Se eu rezar um sempre que encher o tanque, estarei quites? E quão rico é excessivamente rico? E se para enriquecer eu criar mercados e gerar empregos que diminuam a pobreza? E se eu fechar uma fábrica poluente, mas demitir os operários? E se eu doar dinheiro para o Papa comprar sapatos italianos?

    O Vaticano publicou os novos pecados depois que o Papa Bento denunciou a “queda do sentimento de pecado do mundo secularizado”, em meio à redução do número de católicos que praticam a confissão. Gênio! Isso mesmo, o cara tinha que trocar o nome de Bento para Gênio, porque tem que ser muito esperto para sacar que a maneira de aumentar participação é endurecer as regras. Tem a lógica gerencial de complicar um processo que ninguém está seguindo. Seria como servir bolo de chocolate em reunião dos vigilantes do peso para promover mais participação. Você não tem culpa o suficiente? Não se preocupe, aqui vai mais sete motivos para você se torturar. Ah, e volte sempre!

    março 29, 2008

    Arte

    Há alguns meses, no ano passado ainda, alguém levou o filho para o trabalho e largou-o em um dos lounges que usamos para reunião, onde há uma parede imensa de quadros-brancos. O garoto passou o tempo desenhando um painel lá, de uns três metros de largura, este aí da foto. O desenho continua lá, ninguém apagou. Não sei ao certo o que representa, acho que tem a ver com o Master Chief no Pólo Norte, ou sei lá, só sei que gostei da obra. É arte, certo? Ou não? Afinal, o que é arte?


    Outro dia assistimos à “My Kid Could Paint That”, um documentário sobre a Marla Olmstead, aquela garotinha de 4 anos que, em 2004, fez sucesso no mercado artístico por seu talento prodígio para pintura abstrata, com exposições em galerias e quadros vendidos por milhares de dólares, até que uma reportagem do “60 Minutes” colocou em dúvida a autenticidade das obras — o fato é que, tirando os pais, ninguém viu a menina produzir um quadro à altura de seus melhores trabalhos expostos, apenas de trabalhos alegadamente inferiores.

    É a esta altura que o documentário desanda um pouco. Diante das dúvidas levantadas pelo “60 Minutes”, o diretor tem uma crise de identidade, entra na história, e perde a imparcialidade que deveria nortear um documentário. Aquilo que poderia ser um questionamento sobre o elitismo pseudo-intelectual do mercado de arte abstrata, a partir do ponto de vista dos excluídos, passar a ser uma reflexão existencial sobre autenticidade e ética. Por outro lado, é interessante ver como deve ser difícil a um documentarista aproximar-se daqueles que observa sem envolver-se pessoalmente. O final é para ficar em aberto, mas é clara a posição que o diretor escolhe. Ainda assim, é um bom documentário.

    Algumas das partes que mais gostei foram as da entrevista com o crítico Michael Kimmelman, do New York Times — que aparece na íntegra nos bônus do DVD. Uma coisa que ele diz é que a importância de uma obra de arte abstrata não é uma qualidade intrínseca à obra, mas depende de sua história. Ou seja, você derramar tinta numa tela não vale nada, já o Jackson Pollock, um milhão de dólares. É importante porque tem quem pague.

    abril 10, 2008

    Trabalho

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    Pois é, falta tempo, falta disposição. O trabalho tem consumido ambos. O Comédia Player em particular — para quem não sabe, sou engenheiro de software no time do Windows (Co)Media Player

    E não, não é divertido, e não estou rindo. A “comédia” aí está mais para a divina, de Dante, do que para “rarará, que legal”.

    É uma descida ao inferno.

    ****

    O Comédia Player é um dos componentes mais complexos do Windows. E não é porque precise ser. É apenas porque foi assim que ele cresceu: cheio de complexos.

    Analisávamos uma parte do código do Comédia quando alguém disse que aquilo parecia aquelas armadilhas que o Coiote arma para pegar o Papa-Léguas, lembra? O estilingue derruba o regador, que água a flor, que acende a dinamite, que lança a bota, que ativa a alavanca, que solta o ratinho, que... você começa a seguir o problema pela manhã e, ao fim do dia, andou um monte, mas continua tão longe da causa quanto sempre esteve.

    Onde mais vi isso mesmo?

    Ah sim, Lost! É isso, depurar o código do Comédia Player é como acompanhar Lost: quando você acha que o próximo passo esclarecerá algo, o que encontra são apenas mais dúvidas.

    ****

    O Comédia é um holograma: todas as partes são interconectadas a todas as outras. Você aperta um botão aqui e ouve uma buzina tocar lá no outro lado do labirinto. É impossível separar qualquer pedaço. Uma vez tentei extrair uma parte, para testá-la em isolado, mas ela dependia de outras, que precisei tirar junto, e estas puxaram outras, e aquelas, mais outras. No final meu teste incluía uma cópia quase completa do Comédia inteiro. É como se para testar uma lâmpada você precisasse construir um gerador antes, porque a lâmpada não funciona com qualquer eletricidade, sabe?

    É como se para testar um parafuso você precisasse enviar um foguete à Lua.

    Sugeri convidarmos a equipe do “Dirty Jobs” para filmar a gente trabalhar no Comédia. O pessoal riu, até perceberem que eu falava sério, daí ficaram todos quietos, tristes. Alguns choraram.

    ****

    O Comédia é um fractal: cada parte é tão complexa quanto o todo, ad infinitum.

    O design do Comédia é totalmente bottom-up, empírico, na base do “mexe até funcionar”.

    Onde mais vi isso mesmo? Ah sim, Seleção Natural!

    Há pessoas que olham para um bicho e inferem dele um “design inteligente”. Para tais pessoas é inconcebível que a complexidade de um animal seja resultado de um processo incremental, bottom-up, de seleção mecânica de melhorais acidentais. Da mesma forma que a complexidade de um artefato tecnológico sofisticado é produto da inteligência humana, o “design” de um bicho só pode ser produto de alguma inteligência, concluem. Infelizmente, para elas, o processo humano de criar tecnologia é mais parecido com seleção natural do que elas gostariam que fosse. Tem mais a ver com preservar o que dá certo, jogar fora o que dá errado, experimentar, experimentar, e ver onde vai dar, do que com concepções platônicas. Como diria Thomas Edison, “gênio é 1% inspiração e 99% transpiração”. Mas estou divergindo...

    Quem duvida de Seleção Natural precisava ver o código do Comédia Player.

    abril 14, 2008

    Insight

    Insight que tive há algum tempo: projetos de software são fractais.

    A linha preta abaixo é um pedaço do Floco de Neve de Koch, um dos fractais mais conhecidos que há — perde apenas, talvez, para o de Mandelbrot.



    Agora, um exercício de estimativa aí. Se a linha vermelha medir 1 metro, qual será o comprimento da linha preta?

    Sei lá. Vou chutar alto, para garantir. Digamos uns... er... 10 metros?

    Errado. O comprimento da linha é infinito.

    O quêêêêêêêêêêêêêêêê!?!?!?

    Isso mesmo, a linha tem infinitos metros — e no entanto cabe ali na figura, veja só.

    Mas como? Onde estão os infinitos metros excedentes?

    Estão ali, ultra densamente dobrados naquelas rebarbinhas. Se você fizesse um zoom-in da linha, veria que ela é bem mais complexa do que parece. Cada uma daquelas rebarbinhas é feita de rebarbinhas menores, e estas, de outras menores ainda. No final, essa convolução sem fim de dobras e mais dobras soma um comprimento infinito.

    Agora, isso não é para fazer piada que projetos de software tendem a durar uma eternidade. Não é bem isso. Mesmo a linha de Koch só é infinita em teoria, porque pode ser dobrada indefinidamente. Na prática, porém, há um ponto onde a escala das dobras atinge a espessura da linha, e a partir daí não dá para dobrar mais, e isso resulta num comprimento finito.

    A analogia aqui, todavia, é que o comprimento real pode ser muito maior do que parece à primeira vista, quando você faz uma análise de cima para baixo (top-down). É uma das pegadinhas dos fractais: os detalhes fazem toda a diferença.

    A mesma coisa acontece com projetos de software. Quando você planeja o cronograma, ou faz o design de um projeto, você olha a coisa top-down, porque é o único jeito que dá. Você pega o todo e quebra ele em partes um pouco menores, e esse é o seu plano. A pegadinha é que esse plano deixa de lado uma infinidade de detalhes muito insignificantes para considerar, mas que juntos podem fazer muita diferença. É por essas e outras que projetos de software sempre duram mais do que o planejado.

    Bem, outra hora eu escrevo mais... ou talvez não — para não alienar ainda mais as poucas pessoas normais que ainda visitam este blog.

    maio 8, 2008

    Efeito McLuhan

    Você sabe de onde vieram os Smurfs?

    Vieram da Bélgica (assim como os chocolates Guylian, ahá!), mas isso não vem ao caso.

    Durante o almoço, rolou essa dúvida cultural importante, daí fulano dizia que os Smurfs eram da França, já sicrano dizia que eram da Noruega, e a coisa teria ficado por isso mesmo, mas já vai longe o tempo em que Woody Allen apenas sonhava em materializar Marshall McLuhan no meio da discussão [1], então alguém sacou um celular com acesso à internet e procurou a informação na Wikipedia. Não foi a primeira vez que vi isso acontecer.

    É curioso como a tecnologia moderna mudou a dinâmica da conversação. Antigamente — isto é, ano retrasado — ocasionais divergências de ponto de vista em círculos informais morriam em mútuos e civilizados “respeito sua opinião, mas discordo dela”, e cada qual seguia seu rumo. Já hoje em dia, com a internet cada vez mais onipresente, ao alcance dos dedos, a qualquer hora, em qualquer lugar, trouxemos as altercações do mundo dos e-mails para a realidade cara-a-cara dos barzinhos, restaurantes, filas de cinema, etc. Alguém está errado, e este alguém tem que ser devidamente apontado e humilhado em tempo real. Não há mais motivo para dúvidas, logo não há mais espaço para concessões. A réplica está em alguma página da internet. É a tirania do porque há contestação para tudo, então tudo precisa ser contestado.

    Será que a vida ficou melhor assim?

    ***

    [1] Essa é uma referência a uma cena do filme “Annie Hall” (no Brasil, “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”), de Woody Allen. Na cena, o personagem de Allen está numa fila de cinema, ouvindo o diálogo do casal atrás dele, sobre as idéias do filósofo Marshall McLuhan. Allen fica irritado com a opinião do homem, e comenta diretamente para a câmera que o sujeito é um idiota. O sujeito entra na conversa em defesa própria. Allen resolve a discussão puxando o próprio McLuhan detrás de um balcão para confirmar que a o sujeito é um idiota. Finalmente, Allen volta-se para a câmera e comenta “ah, se a vida fosse assim”.

    maio 12, 2008

    Por outro lado...

    A propósito, sobre aquela história de eu ter perdido o cérebro, se você o achar, pode ficar com ele. Não me faz falta.

    A vantagem de não ter cérebro é não precisar saber quão ruim é não ter um para começo de conversa. A desvantagem, porém, é não entender a vantagem — ou seja, entender o quão vantajoso é não saber o quão ruim é não ter um.

    Mas no final, o que importa é que não me importo.

    Além do mais, o código do Comédia Player começou a fazer todo o sentido depois que passei a olhar descerebrado para ele ;)

    maio 13, 2008

    Iron Man

    Não é por nada não, mas será que o Tony Stark nunca ouviu falar em ímã permanente de neodímio?

    Aliás, se depender apenas do quesito “soluções complicadíssimas para problemas simples”, esse cara tinha que ser arquiteto chefe na Microsoft.

    O termo “arquiteto chefe” é engraçado, pois a palavra “arquiteto” vem do grego arkhitekton, de arkhi (chefe) + tekton (construtor), logo um “arquiteto chefe” é um “construtor chefe, chefe” — bem, acho que você precisa desse tipo de redundância quando você quer fazer coisas complicadas, por mais simples que elas sejam.

    junho 2, 2008

    Quando é ruim, piora

    Acho que sou bipolar
    Não, não sou não
    Quer dizer, sou sim
    Pensando bem, sou não

    junho 15, 2008

    The Letter's Feet

    Eu já estava meio devagar, culpa do super-resfriado e de ouvir as músicas da Gizele Madoninha, mas a dica do Masaru para conferir as músicas do cantor romântico Hélio dos Passos terminou de fritar os poucos neurônios bons que me restavam — e eu ainda nem tinha me recuperado de Transformers.

    O resultado dessa deficiência neurológica é uma maior profusão de idéias idiotas — e a incapacidade para filtrá-las.

    Por exemplo, agora mesmo estou a procura de músicos para formar uma banda com a seguinte proposta: tocar versões em português de baladas inglesas, com a particularidade de que a tradução será feita pelo Google Language Tools.

    É simples, a gente pega a letra em inglês, manda o Google traduzir para o português, e o que sair a gente canta. Se a letra não fizer sentido, não importa. Se a métrica não couber, don’t worry about it, a gente faz caber, na marra, nem que tenha que chamar “uns primo” para ajudar, if you know what I mean. É uma idéia muito ridícula para não funcionar. Se você estiver interessado em fazer parte da banda The Letter’s Feet, entre em contato, antes que eu melhore.

    Ajuda - Beatles

    Ajuda, eu preciso alguém,
    Ajuda, e não apenas ninguém,
    Ajuda, você sabe Eu preciso de alguém, ajudar.

    Quando eu era mais jovem, muito mais novo do que hoje,
    Eu nunca necessária a ajuda de ninguém, de qualquer maneira.
    Mas agora estes dias se passaram, eu não estou tão certo de autodeterminação,
    Agora eu acho que eu mudei minha mente e abriram as portas.

    Se você puder me ajudar, estou me sentindo para baixo
    E eu aprecio você a ser rodada.
    Ajuda-me, get back meus pés no chão,
    Será que você não queira, por favor, me ajudar.

    E agora a minha vida mudou na oh tantas maneiras,
    A minha independência parece estar a desaparecer na bruma.
    Mas cada momento e, depois, me sinto tão inseguro,
    Eu sei que eu só preciso que quiser Eu nunca fiz antes.

    Se você puder me ajudar, estou me sentindo para baixo
    E eu aprecio você a ser rodada.
    Ajuda-me, get back meus pés no chão,
    Será que você não queira, por favor, me ajudar.

    Quando eu era mais jovem, muito mais novo do que hoje,
    Eu nunca necessária a ajuda de ninguém, de qualquer maneira.
    Mas agora, estas são daya ido, eu não estou tão certo de autodeterminação,
    Agora eu acho que eu mudei minha mente e abriram as portas.

    Se você puder me ajudar, estou me sentindo para baixo
    E eu aprecio você a ser rodada.
    Ajuda-me, get back meus pés no chão,
    Será que você não queira, por favor, me ajudar, me ajudar, ajude-me, oh.

    Pensando bem, já me sinto melhor.

    junho 19, 2008

    ½ Ambiente

    A Microsoft trocou os copos de isopor (direita) por copos de papel biodegradável (esquerda). Mais um exemplo da nova consciência ambiental das grandes corporações. Bacana, não é?

    Só fica uma dúvida...

    Copos biodegradáveis são uma ótima alternativa para o problema do lixo sólido. O problema é que lixo sólido não é o problema. Aquecimento global é o problema. Lixo sólido é apenas uma parcela desse problema maior; e uma parcela pequena. As maiores parcelas do problema do aquecimento global ainda são (a) queima de combustíveis fósseis como fonte de energia, e (b) desmatamento. De modo que, se uma coisa gera menos lixo no final, mas consome mais energia e recursos para produzir no começo, talvez essa coisa não seja melhor para o ambiente. Daí, de acordo com uns estudos aí, copos de papel consomem bem mais recursos naturais e energia para produzir do que o equivalente em copos de isopor. Por outro lado, isopor, se não for reciclado apropriadamente, é um poluente péssimo, que dura para sempre.

    Qual é pior? Não sei. Só espero que a gente tenha tomado a decisão certa. Na dúvida continuarei usando minha xícara não descartável. Ironicamente ela tem impressa uma frase do Einstein que diz assim: “insanidade: fazer a mesma coisa sempre e esperar resultados diferentes”.

    ½ Ambiente 2

    Em resposta à recomendação de não usar as novas colheres biodegradáveis da Microsoft para misturar o café...

    TARDE DEMAIS

    Já usei.

    Aliás, achei o efeito fantástico. Descobri que posso fazer arte moderna com os novos talheres e um pouco de água quente. A peça abaixo eu chamo de “Alce”.

    O MOMA que me aguarde.

    julho 11, 2008

    Plunct Plact Zum, Não Vai a Lugar Nenhum

    Outro dia precisei autenticar uma fotocópia de documento. Fácil, pedi para alguém que tem licença de notário público, lá na empresa mesmo, e a pessoa fez na hora, em troca de um “thank you”. A empresa até financia os custos de tirar a licença, para quem tiver interesse, e em troca sugere apenas que a pessoa não cobre por serviços básicos para os colegas — mas deixa isso à discrição de cada um. O banco onde sou correntista também oferece serviços de notário de graça para os clientes. Se fosse no Brasil, eu teria que passar num cartório ou tabelionato, pegar uma senha, e pagar uma taxa. Continua assim por lá?


    *****


    Há tempos li uma reportagem no New York Times sobre a complicação que é tirar carteira de motorista na África do Sul. A burocracia é grande, e os testes teórico e prático estão entre os mais exigentes do mundo. O processo é tão difícil que muita gente simplesmente desiste, ou nem tenta, e opta por dirigir sem carteira, ou com carteira falsificada, incluindo gente do próprio governo. Quer dizer, um sistema que deveria produzir melhores motoristas, na verdade promove motoristas piores. O fato, porém, é que tantas exigências não têm nada a ver com melhorar o trânsito, mas com outra coisa.


    Até algum tempo eu achava que esse tipo de ineficiência burocrática era apenas incompetência governamental. Sou do princípio de que não se atribui à malícia aquilo que pode ser explicado como incompetência. Mas uma coisa curiosa sobre ineficiência é que algo só permanece ineficiente se alguém em particular estiver tirando mais vantagem da situação do que as desvantagens que ela causa à maioria. Quer dizer, diversas vezes a ineficiência de muitos é a eficiência de poucos. Só comecei a entender um pouco melhor isso depois de ler o ótimo The Undercover Economist, do jornalista e economista Tim Harford.


    Se você achou Freakonomics um dos livros mais bacanas que você já leu sobre economia, é porque não leu The Undercover Economist ainda. Enquanto o primeiro concentra-se em alguns estudos de casos específicos, o segundo explora melhor, de uma forma bem acessível aos leigos, os princípios gerais de economia, e como eles se aplicam a certos fenômenos sociais e de mercado. Um dos melhores capítulos do livro é “Why Poor Countries Are Poor” (por que países pobres são pobres), que aborda assuntos que eu já tinha comentado antes aqui . Recentemente achei uma cópia do capítulo (vale a leitura) publicada na Reason Magazine (uma revista que os petistas odiarão).


    No artigo, Tim Harford descreve o caso da República dos Camarões, uma república presidencialista em teoria, mas uma ditadura na prática. O presidente dos Camarões é basicamente um bandoleiro que decidiu fixar acampamento por lá. Afinal, para que saquear tudo hoje se, deixando um pouquinho, dá para voltar amanhã e saquear mais? Não se mata uma galinha que põe ovos de ouro quando se encontra uma. Só que, para ter mais ovos amanhã, é preciso manter a galinha meio viva hoje — mas não muito, pois ração é caro. E nessa o cara está no poder desde 1982.


    Agora, nenhum bandido mantém-se tanto tempo no poder sozinho, só no charme e simpatia, sem o apoio de uma rede de policiais, soldados e servidores públicos nos baixos escalões. Só que, para manter tal apoio, a cúpula do governo ladrão tem que manter a turma de capangas felizes, e para isso precisam dividir os frutos da roubalheira. A maneira mais eficiente de fazer isso seria aumentar os impostos na quantia necessária para bancar a rede de apoio, mas isso requer mais informação e controle econômicos do que um governo inapto consegue. Outra alternativa, menos eficiente, mas muito mais prática, é o governo tolerar corrupção em larga escala. Quer dizer, já que distribuir o produto do roubo para os baixos escalões é impraticável, o governo tolera que eles roubem também. É aí que a coisa fica interessante. Uma burocracia muito eficiente gera poucas oportunidades para corrupção. Por outro lado, quanto mais complicada, lenta e emperrada a burocracia, mais as oportunidades para extorquir uma propina e “agilizar o processo” aqui, ou obter um suborno e “fazer vista grossa” ali. Burocracias ineficientes são uma mina de ouro para servidores dispostos a se corromper. Curiosamente, na África do Sul o mercado de carteiras falsas de motorista envolve um monte de gente do governo. Até parece que já vi esse tipo de história antes, só que em outro continente.


    É claro, nem toda ineficiência burocrática e regulamentação excessiva existem, necessariamente, para criar oportunidades para corrupção, mas a idéia faz a gente pensar...


    *****


    Alguém disse que a origem das concessões de cartórios no Brasil foi para apaziguar os traficantes que ficaram desempregados com a abolição da escravatura. Pesquisei sobre o assunto na internet, mas não encontrei confirmação. Alguém sabe se isso é verdade? O que encontrei é que os cartórios tiveram papel fundamental para emitir a documentação dos escravos recém libertados. Então, se aquilo for mesmo verdade — que as concessões foram entregues a ex-traficantes —, é bem o que em inglês se diz “adicionar insulto à ferida” (add insult to injury).

    julho 15, 2008

    Previsões

    Algumas previsões sobre as conseqüências que terá a nova lei brasileira que considera crime dirigir com qualquer vestígio de álcool no organismo:

  • A curto prazo, o número de acidentes causados por motoristas embriagados diminuirá. A longo prazo, porém, os números voltarão aos índices que estariam sem a nova lei — note que eles já vinham diminuindo por outros motivos.
  • Haverá realocação dos já escassos recursos policiais e judiciais para prender e processar pessoas que não representam perigo à sociedade. Sim, porque, acredite se quiser, a maioria das pessoas que dirige abaixo do limite de intoxicação da lei anterior (0,06%) não causa acidentes. Quem causa acidentes são aqueles que dirigem embriagados acima daquele limite — já existia uma lei para isso antes.
  • Acontecerá o que geralmente acontece quando se diminui severamente a tolerância de uma lei com objetivo de prevenção: aumentarão os casos de abuso de autoridade. Quando uma lei propõe que qualquer risco, por menor que seja, é muito alto para ser tolerado, cria-se a prerrogativa para tratar de forma hostil a população em geral.
  • Aumentará a corrupção policial. Quanto mais poder a polícia detém, maiores as oportunidades para policiais corruptos extorquirem suborno.
  • Aumentará o número de casos em que o motorista foge da cena do acidente, mesmo que aquele motorista não tenha motivos para tal — na dúvida, melhor não arriscar.
  • Aumentará o número de casos em que o motorista acidentado não busca socorro imediato, por medo de exame que o enquadre na lei — de novo, na dúvida é melhor não arriscar.

  • No mais, divirta-se.

    julho 21, 2008

    Frank Sent This

    Não, minha frase preferida de Guerra nas Estrelas, de todos os tempos, não é “que a força esteja com você” — que, aliás, está na lista das 100 frases mais importantes do cinema americano, segundo o American Film Institute.


    Minha frase preferida é outra, menos famosa, do diálogo em que Luke tenta convencer Solo a resgatar Leia.


       Luke: Ela é rica.
       Solo: [interessado] Rica?
       Luke: Rica, poderosa. Escute, se você a resgatasse, o prêmio seria...
       Solo: O quê?
       Luke: Mais riqueza do que você consegue imaginar!
       Solo: Sei não, eu consigo imaginar muita coisa.


    A frase é ótima por causa da atitude anticonvenção, pró-imaginação. “Quem é você para pressupor o que eu posso imaginar? Eu consigo imaginar muita coisa”. O fato de ela ser dita por um personagem cafajeste como Solo apenas a torna mais bacana. Entre a “força estar comigo” e “conseguir imaginar muita coisa”, prefiro a segunda, porque força sem imaginação não tem graça. Albert Einstein que disse, “imaginação é mais importante que conhecimento”, pois sem imaginação não há o processo criativo que leva ao aprimoramento do conhecimento em primeiro lugar. Criatividade é imaginação aplicada, e sem criatividade não há renovação, e sem renovação não há vida, só tédio interminável.


    Agora, se criatividade é tão importante, como fazer para cultivá-la? Na opinião de Sir Ken Robinson, renomado autor britânico na área de criatividade e educação, não é tanto uma questão de cultivar, mas de não extinguir. Segundo ele, nós já nascemos com um grande potencial criativo, que a sociedade, através da escola, dá um jeito de podar, para fazer caber dentro dos arquétipos profissionais que a sociedade demanda. Basicamente, o modelo de ensino corrente é uma máquina de conformar indivíduos, nascida das necessidades do industrialismo. O problema é que tal modelo não serve mais, nem à sociedade em geral, muito menos aos indivíduos. Numa palestra feita durante a TED de 2006, ele falou sobre a necessidade de um sistema educacional que nutra criatividade ao invés de podá-la. O link para a palestra (em inglês) segue abaixo.




    ***

    A propósito, o Fabio já tinha mencionado a palestra em seu blog também.

    agosto 5, 2008

    Halo

    De vez em quando as mulheres saem juntas, sem os homens, para jantar fora e conversar sobre variados assuntos. É o “Girls Night Out”.

    Apesar de menos freqüentes, os homens também têm seus programas voltados à manutenção dos laços de amizade. A diferença é que, ao invés de nos juntarmos para conversar sobre a vida e tudo mais, nos reunimos para jogar videogame e aniquilar uns aos outros em campos de batalha virtuais, URRA!

    Ontem rolou uma dessas jogatinas. Aproveitamos que era final de fase de projeto e levamos nossos Xboxes para o escritório, para ficar jogando Halo 3 depois do expediente.

    No Halo 3 você tem alguma flexibilidade para configurar seu personagem. Para meu emblema eu queria usar a bandeira do Brasil, mas o gabarito de opções não tinha todos os símbolos necessários. Ainda assim, criei uma versão que achei ficou bem bacana.

    Esse aí da foto abaixo é o meu personagem. Sim, ele é rosinha, mas ele se garante. Ele está se preparando para ir fatiar inimigos com a famigerada espada de plasma, que faz as facas Ginsu parecerem faca de plástico biodegradável por comparação.

    Aqui ele está usando o super-shield. O cara ali da direita é o Tostines.

    VUSH! Tostado!

    Esse já era. Cadê o próximo?

    Considerando a foto abaixo, calcule.

    Calcule a surpresa que aquele cara vai ter.

    VUSH! Surpresa!!!

    Dizem que as mulheres têm um vocabulário mais extenso e sofisticado do que os homens. Será que é por isso que preferimos atividades nas quais falamos menos e urramos mais?

    agosto 15, 2008

    Wiggly Eyes

    Hoje passei na loja de material de artesanato e comprei uma cartela de wiggly eyes.


    — Wiggley what?


    Wiggly eyes (ou googly eyes) são aqueles olhinhos de plástico que o pessoal usa em fantoches, bonecas, etc.



    — Sim, mas por quê?


    Porque eles são uma maneira de fomentar uma crítica pós-moderna através da reinterpretação da realidade por meio de imbuir de personalidade objetos inanimados do dia a dia.


    Ou apenas porque são divertidos de colocar em coisas, oras.


    Por exemplo, vamos pegar a serigrafia que compramos recentemente da gravura “O Cão”, de Pablo Picasso — o artista, sortudo, tinha um dachshund de estimação.


    Dachshunds? Ótimos!


    Picasso? Gênio!


    A gravura? Ê... obra-prima, tudo bem, mas... sooooo boring!



    Agora, apliquemos um par de wiggly eyes nela!



    Sensacional! Obra-máxima. Quem disse que não dá para melhorar um Picasso, heim?

    setembro 25, 2008

    Voltei

    Semana passada tirei férias, saí para um cruzeiro.

    Caribe?

    Caribe não.

    Alasca.

    Mas foi legal, acima de minhas expectativas... umas coisas. Outras, nem tanto. Na média, foi acima da média, entende?

    Uma coisa que espantou foi a quantidade de comida. A atividade predominante do cruzeiro é comer. Tem um restaurante que serve almoço, chá da tarde e jantar. O jantar tem cinco pratos: aperitivo, sopa, salada, prato principal e sobremesa, tudo já incluso no pacote. A única coisa não inclusa são as bebidas. Além disso, tem também um bufê aberto 24 horas por dia, no lido deck, tudo também incluso no pacote. Não, não fui lá às 3 da manhã para confirmar se estava aberto, mas aposto que teve gente que foi.

    Acho que o cérebro de algumas pessoas não consegue processar tal proposta, a de ter comida à vontade e já paga, daí incorrem na falácia dos custos empatados.

    — Já paguei por tudo, coma ou não, então eu tenho que comer.

    Escrevo mais sobre a falácia outra hora.

    A primeira vez que passei no lido deck lembrei imediatamente do WALL-E, por que será?

    No começo consegui maneirar bem, mas nos últimos dias já estava um pouco mais relapso, principalmente porque os dois últimos dias foram quase que inteiramente só no navio. Um tédio.

    Agora sei porque eles têm aqueles guindastes no cais: para desembarcar... digo, “descarregar” os passageiros.

    A comida era muito boa. Fiquei feliz que o cruzeiro acabou, para escapar daquelas tentações. Fiquei triste de ter que voltar a almoçar no restaurante do trabalho, porém.

    outubro 6, 2008

    ...

    Em terra de cego, a noite é negra.

    outubro 30, 2008

    Placebo

    Lembra daquela história do cara que foi reclamar da vida para o rabino (ou o padre, sei lá)? Que a vida estava muito ruim, isso e aquilo, e o rabino sugeriu ele levar uma vaca para dentro de casa. Duas semanas depois ele volta para reclamar, que está tudo pior, a vaca ocupa muito espaço e faz muita sujeira. Daí o rabino diz para ele tirar a vaca de casa que a situação irá melhorar.

    Lembra?

    Moral da história: é fácil melhorar aquilo que você piora antes.

    Lembrei desta história hoje no trabalho, revisando o conserto de um bug de software. Os detalhes técnicos não vêm ao caso, mas o interessa é que ontem vi uma reportagem sobre o efeito placebo, de como não se sabe ao certo como funciona, como o cérebro elimina os sintomas de uma doença só por acreditar no tratamento.

    Daí as duas idéias bateram de frente...

    Nos (em alguns dos) casos em que placebo funciona, será que não foi o próprio cérebro que trouxe a vaca para dentro de casa em primeiro lugar?

    dezembro 15, 2008

    Tanto tempo, tão pouco a fazer

    Li num artigo que o dia 31 de dezembro deste ano terá um segundo a mais.

    Acontece que a órbita da Terra ao redor do Sol não é exata nos segundos, mas tem uma fraçãozinha adicional, e para compensar esta diferença entre o horário convencional e o real, de tanto em tanto tempo os cientistas adicionam um segundo ao ano.

    Levei um minuto e meio lendo aquele artigo...

    dezembro 23, 2008

    Notícias do Brasil

    Estamos com visitas do Brasil. Sempre que elas vêm, trazem, a pedidos, revistas brasileiras. Aproveito o material para sincronizar-me com as últimas do país. Pelo que vejo, o assunto da hora é uma novela com a Suzana Vieira. Brasileiro adora uma novela.

    Uma nota interessante que li é sobre a venda de medicamentos no Brasil. Em 2008, os cinco medicamentos mais vendidos no país foram para dor de cabeça e disfunção erétil. Pela ordem: Dorflex, Cialis, Neosaldina, Viagra e Tylenol. Penso se há alguma relação entre eles. Posso até imaginar a conversa:

    O marido traz um copo d’água e um comprimido para a esposa, que acabou de deitar-se para dormir.

    — O que é isso? — ela quer saber.
    — Para sua dor de cabeça, benzinho — ele responde carinhosamente.
    — Mas eu não estou com dor de cabeça.
    — AHÁ!

    janeiro 9, 2009

    As modas passam, as birras ficam

    Durante o almoço, esculachávamos com aquelas pessoas que desfilam com fone bluetooth preso à orelha o tempo todo, mesmo quando não estão usando o penduricalho. Como se acham importantes, não? Será que estão sempre tão ocupadas que sequer podem carregar o aparelho no bolso como o resto de nós?

    Daí ocorreu-me: o que será que os usuários de relógio de bolso diziam quando os primeiros relógios de pulso apareceram?

    janeiro 19, 2009

    Procura-se alguém com cara de pau

    Em Fable II, o videogame, você pode usar certas expressões e gestos para influenciar a opinião dos personagens do jogo em relação a você. Por exemplo, o dono da barraquinha de verduras quer um preço exorbitante por um talo de aipo porque não vai com sua cara? Basta dançar na frente dele, fazer uma pose heróica, ou o sinal da vitória para mudar a opinião dele, e pronto, metade do preço para o cliente simpático.

    Idéia para um potencial vídeo viral: filmar alguém usando as expressões do Fable II em situações da vida real, como esperando que as pessoas reagissem igual aos personagens do jogo...

    março 18, 2009

    Feliz Dia do Pi (atrasado)

    No sábado passado, 14 de março, 3/14 no formato de data norte-americano, muita gente comemorou o dia do número Pi, aquela constante matemática super importante.

    14 de março é também o aniversário de nascimento de um de meus ídolos, Albert Einstein, aquele que para muitos é o arquétipo do gênio científico.

    Einstein teve muitas sacadas criativas. A primeira delas foi entender que certas esquisitices nas equações de Plank não eram apenas “ajustes” como o próprio Plank pensava, mas indicações de esquisitices na própria realidade da natureza. Einstein partiu do pressuposto que as equações estavam certas, e o entendimento da realidade é que precisava ser revisado. Tal atitude permitiu a ele conectar certos pontos que escaparam a seus contemporâneos e predecessores, e com isso ele fez descobertas que revolucionaram a Física.

    Por outro lado, ele não dava muita bola para experimentação prática. Para ele o conhecimento teórico tinha uma qualidade superior à prática. Ele basicamente inventou o campo de Física Teórica. Quando observações astronômicas comprovaram previsões de sua teoria, ele comentou que, tivesse sido de outro modo, tivessem as observações refutado a teoria, ele ficaria “desapontado com Deus, pois a teoria está certa”. De certo modo, ele teve sorte de trabalhar com algo relativamente “simples” como a Teoria da Relatividade. Não que tal teoria seja simples, obviamente, mas quando comparada às bizarrices da Física Quântica, a teoria é simples e bela, e ainda cabe inteira na cabeça de um gênio só. No final, aquela mesma idealização pela elegância matemática, que permitiu a Einstein sacar a realidade física por trás das equações de Plank, impediu que ele entendesse e aceitasse as implicações “deselegantes” da Física Quântica.

    Quanto a mim, que nunca fui gênio, longe disso, por muito tempo segui uma linha de pensamento similar (guardada as proporções, é claro), de ter essa idéia platônica de que a Teoria é um caminho “superior” à Prática na busca pelo conhecimento. Por exemplo, eu considerava Engenharia, minha área de formação, como uma atividade muito mais intelectual do que experimental. Para mim, experimentação era apenas para comprovar aquilo que você já devia ter sacado teoricamente.

    De alguns anos para cá, minha visão mudou bastante, e hoje sou muito menos da escola platônica, e muito mais da escola empírica. Hoje tenho que a Teoria é irrelevante até você ver a coisa acontecer na Prática, pois a realidade é extremamente mais complexa do que conseguimos vislumbrar intelectualmente, e experimentação é uma ferramenta fundamental na aquisição de conhecimento. Para mim, o processo de desenvolvimento científico e tecnológico é muito mais um processo de exploração e descoberta do que de concepção intelectual. De certa forma, eu não “projeto” software, eu “descubro”.

    Ainda mantenho Einstein como ídolo, e como não, mas a seu lado adotei Thomas Alva Edison, que não tinha o mesmo carisma que o primeiro, mas era de uma criatividade pragmática sem igual. Edison experimentou cerca de 3000 materiais diferentes antes de chegar ao filamento de bambu carbonizado, o elemento chave de sua invenção mais famosa, a lâmpada elétrica. De certa forma, pode-se dizer que ele “descobriu” a lâmpada. Edison dizia que uma idéia é “1% inspiração e 99% transpiração”. Há vezes em que você precisa tentar coisas diferentes só por tentar, para ver o que acontece.

    março 31, 2009

    Criatividade

    Aqui uma brincadeira que eu e Adri inventamos outro dia para atiçar a criatividade. Requer duas ou mais pessoas. Aliás, com muitas pessoas deve ficar muito doido.

    Cada participante começa com uma folha de papel e uma caneta. Então cada um começa a fazer um desenho e, plim!, a cada dez segundos faz-se um rodízio das folhas e cada participante continua o desenho onde o outro parou. Repete-se o ciclo por algumas rodadas até o desenho ficar “pronto”. A definição de “pronto” aí depende do momento. Quando um desenho fica “pronto”, o participante começa outro.

    Ter um timer para marcar o tempo ajuda. Nós usamos uma aplicação do iPhone. Dez segundos pode parecer pouco, mas o objetivo é manter um ritmo rápido para os participantes sintetizarem mais e analisarem menos.

    Abaixo um dos desenhinhos que a gente fez, e que colori depois no micro.

    abril 7, 2009

    Xtreme Xbox

    O último lançamento para o Xbox, Dance Dance Guitar Hero Revolution - The Ultimate Platinum Karaoke Edition, é du caramba!

    maio 7, 2009

    Silogismo

    Quem Ama Não Mata


    O que não mata, engorda


    Logo...


    Amar engorda

    maio 15, 2009

    Q.I.

    Interessante essa. De acordo com o psicólogo Keith D. Stanovich, autor de "What Intelligence Tests Miss: The Psychology of Rational Thought", testes de quociente de inteligência (QI) são falhos na hora de determinar capacidade de raciocínio crítico. Alguém pode ter um QI elevado e ainda assim estar inclinado a adotar idéias irracionais, baseadas mais em preconceito e superstição do que em evidências factuais. No entanto, porque os testes de QI apareceram antes, tomaram conta do conceito de "inteligência", e hoje as escolas, pais, e sociedade em geral, valorizam o desenvolvimento de QI mais do que de raciocínio crítico — apesar deste último ser mais fácil de desenvolver e mais determinante do bem-estar do indivíduo e da sociedade.

    junho 20, 2009

    Não Confunda


    x

    junho 29, 2009

    Hoje é feriado em algum lugar do Brasil

    Falei com o pessoal de Pato Branco. Hoje é feriado lá. Dia de São Pedro, padroeiro da cidade.

    Todo município brasileiro tem uma santa ou santo padroeiro, e como há santo para qualquer dia do ano, é bem possível que todo dia tenha alguma cidade no Brasil fazendo feriado.

    Disseram-me que tem gente tentando abolir os feriados religiosos no Brasil, por causa da coisa de Estado Laico e separação entre Estado e Igreja.

    Boa sorte, meu amigo. Vai tentando que um dia você consegue. No Dia de São Nunca.

    julho 9, 2009

    Espanhol

    Dando prosseguimento à conjectura de que o Espanhol é a língua mais divertida que há, apresentamos a palavra “resbaloso” (“escorregadio”).

    “Escorregadio” em inglês é “slippery”.

    Slippery” é uma palavra assim, de encolher os ombros e cerrar os dentes. Você escorrega uma vez, bate a cabeça na quina do granito e morre. Maior tragédia.

    Já “res-ba-lo-so” é assim, arredondada e cheia de voltas. Você dança no lugar tentando se equilibrar, daí cai de bunda e todo mundo ri. Pura comédia.

    Que maravilha de palavra!

    agosto 26, 2009

    Freqüência VS. Expectativa

    A inteligência humana é fascinante, não só quando funciona, mas também quando falha. É interessante como conseguimos usar nosso cérebro além daquilo para o qual ele foi feito. Algumas conceitos são mais intuitivos que outros. Um área em que nossa intuição tem o hábito de falhar é no entendimento de probabilidades, particularmente no que diz respeito à diferença entre freqüência e expectativa.

    Por exemplo, qual dos seguintes investimentos hipotéticos é o melhor?

  • Investimento X: 99,9% de probabilidade de ganhar $1
  • Investimento Y: 99,9% de probabilidade de perder $1
  • Obviamente X é o melhor, oras. Afinal, com X você ganha quase sempre, e com Y você perde quase sempre. Assunto encerrado, certo?

    Certo?

    Bem, se fosse tão certo, eu não perguntaria, não é?

    Na verdade, depende. Depende inteiramente do que acontece naqueles demais 0,1%. É preciso olhar os dois lados da questão. Por exemplo, digamos que fosse o seguinte:

  • Investimento X: 0,1% de probabilidade de perder $1999
  • Investimento Y: 0,1% de probabilidade de ganhar $1999
  • Opa, isso muda tudo!

    Outra maneira de ver é assim: com X você aposta um montão por uma [quase] certeza de ganhar um pouquinho. O risco de perde é mínimo, mas quando você perde, perde um monte. Você ganha com freqüência, mas a expectativa a médio prazo é de perda.

    Freqüência é a probabilidade de um resultado particular. Expectativa é o resultado médio ao longo do tempo — é a média de todos os resultados particulares, considerando-se suas freqüências respectivas. No caso de X, a expectativa é de:

    99,9% x $1 - 0,1% x $1999 = -$1

    Ou seja, apesar de ganhar com freqüência, na média (a longo prazo) você perde $1 cada vez que investe.

    Já com Y é o contrário, sua expectativa é de ganhar $1 por investimento. Você aposta um pouquinho por uma chance de lucrar um montão. Você perde com mais freqüência, mas as raras vitórias são tão lucrativas que compensam. Sua expectativa ao longo do tempo é ganhar.

    Meu exemplo preferido desta diferença é a invenção da lâmpada elétrica. Thomas Edison testou uns 3000 materiais diferentes para achar um que servisse para o filamento da lâmpada. Um em 2999 é uma freqüência muito pequena de sucesso. De certa forma, a história da lâmpada elétrica é uma história de sucesso feita essencialmente de fracassos. Já imaginou se ele tivesse desistido no 2999º material? O risco de cada teste fracassar era enorme (isto é, a freqüência de fracassos). No entanto, o custo de testar cada material era tão pequeno, comparado aos potenciais ganhos de um raro sucesso, que valia a pena continuar tentando.

    Nossa intuição consegue lidar bem com situações em que freqüência e expectativa crescem proporcionalmente. Mas nem todas situações são assim. Há situações em que freqüência e expectativa crescem inversamente uma à outra, e nossa intuição não consegue lidar muito bem com elas. A idéia aqui é que, na hora de decidir se vale a pena tentar algo ou não, a expectativa de sucesso ou fracasso é mais importante que a freqüência de sucessos ou fracassos.

    setembro 5, 2009

    Para Adicionar Insulto ao Ferimento

    Tirei esta foto da Adri e da Débora usando seus respectivos iPhones porque a cena me lembrou do ideal com que Bill Gates começou seu império: “um computador em cada escritório e em cada casa [rodando software da Microsoft]”.



    Outro dia meu gerente foi a uma apresentação na qual disseram que a previsão para 2010 é que o mercado de iPhones será tão lucrativo quanto o mercado de Windows.

    Fiquei de cara, como pode? O Windows roda em quase todos os computadores pessoais do planeta, coisa assim como 93% deles.

    A previsão começa a fazer sentido quando consideramos que a margem de lucro da Microsoft por cópia do Windows é bem menor (muito menor) que a margem da Apple por iPhone. Ainda, telefones celulares tendem a ser mais pessoais que computadores: famílias onde se compartilha um computador, e cada pessoa tem seu próprio celular. No final de 2008, estima-se, havia 4,1 bilhões de assinaturas de celular no planeta. O fato é que o número de celulares cresce mais rápido que o de computadores. Todo mundo quer seu próprio celular, e se for um iPhone, melhor ainda.

    Pois é, acho que alguém esqueceu de atualizar aquele ideal do Bill para “um celular para cada pessoa [rodando software da Microsoft]”. Se atualizaram, foi um pouco tarde.

    Detalhe: a foto acima tirei com meu celular, adivinha qual.

    setembro 19, 2009

    Hino

    O momento em que vivemos é assim: tivesse a cantora Vanusa interpretado o hino brasileiro com competência exemplar, teria passado despercebida. Mas graças ao fiasco, devidamente registrado e youtubado, todo mundo viu, todo mundo quis ver, e todo mundo contou para mais alguém. Foi o maior sucesso.

    Nessa até a Gisele Madoninha passou vergonha alheia. Passou, mas divulgou.

    Antes do vexame, pouca gente lembrava da Vanusa. Hoje, pouca gente esquece. Depois ela deu entrevista na TV e rádio, para se redimir. Ganhou exposição na mídia. Tivesse planejado, não teria acertado tanto. É o “falem mal, mas falem de mim” — nunca foi tão verdade.

    Kayne West é outro. Eu sequer sabia quem ele era, até aquele fiasco durante o concerto em benefício das vítimas do furacão Katrina, em 2005. E eu já tinha esquecido-o, até o recente fiasco na cerimônia do MTV Video Music Awards.

    Depois Kayne West apareceu em vários programas de TV e rádio, fazendo gênero arrependido-atormentado, para se desculpar. Pode ter se desculpado, mas quem agradeceu foi o senador Joe Wilson, que pôde passar o bastão de “babaca da hora”.

    Joe Wilson, outro que ninguém conhecia...

    Vanusa defendeu-se das acusações de embriaguez culpando a complexidade do hino nacional e o remédio para labirintite que, supostamente, tomou no dia da gafe. Pode até ser, vá lá, mas alguém já pensou nas oportunidades comercias que vêm daí? Fosse eu dono de bar, batizava já um drink de “labirintite”. Seria o drink da vez!

    Mas dar vexame é sempre traumático. Pobre Vanusa, podiam ter escolhido para ela o hino japonês, que só tem seis versos. É quase um haicai (ou haiku). Ou melhor, dois haicais (ou haikus). Afinal, qual o plural de haicai em japonês? Seria haicaicai (ou haikuku)? Talvez haicaiku, ou haikucai...

    Mas eu divago...

    Melhor seria o hino da Espanha, que não tem letra oficial. O hino brasileiro é um dos mais longos que há. Mas podia ser pior, podia ser o do Uruguai, possivelmente o mais longo de todos — mas não muito mais que o brasileiro.

    setembro 22, 2009

    Coincidências

    Há algum tempo escrevi que a probabilidade de acertar na Mega-Sena apostando nos mesmos números que saíram na semana anterior é, para efeitos práticos, a mesma de acertar apostando em qualquer outra combinação.

    Loucura? Não, não é. Pois semana passada foi bem isso o que aconteceu na loteria nacional da Bulgária: os mesmos números saíram duas semanas consecutivas.

    Muita gente desconfiou de fraude, mas as investigações oficias não encontraram indício de manipulação. O que ocorreu foi pura coincidência.

    Há quem não acredite em coincidências acidentais. Há quem acredite que toda coincidência esconde algum mecanismo não aleatório por trás. Mas o mais incrível mesmo seria se fenômenos aleatórios jamais produzissem coincidências.

    Há algum tempo a Apple teve que trocar o algoritmo de embaralhar músicas do iPod, pois os usuários reclamavam que ele não era aleatório. O problema não era o algoritmo, mas os usuários. Humanos são ruins em detectar aleatoriedade. O algoritmo original era aleatório até demais, mas produzia coincidências ocasionais que os usuários interpretavam como não aleatórias. Para diminuir a incidência de coincidências, e fazer o algoritmo parecer mais aleatório, a Apple teve que trocar por um algoritmo menos aleatório.

    A probabilidade dos mesmos números saírem duas semanas seguidas na loteria búlgara é de 1 em 40 milhões. Só que o que interessa aqui para uma coincidência não é a probabilidade de isso acontecer em um determinado sorteio daquela loteria específica, mas sim de acontecer em qualquer sorteio de qualquer loteria no mundo, pois uma vez que acontece, vira notícia. Nós tendemos a notar o excepcional e ignorar o mundano. Há milhares de loterias no mundo, e um histórico de milhões de sorteios, logo a probabilidade de isso acontecer em qualquer momento é bem mais alta.

    ***

    A propósito:

    Os números sorteados na loteria búlgara foram: 4, 15, 23, 24, 35 e 42

    Os números de Lost são: 4, 8, 15, 16, 23 e 42

    Coincidência?

    setembro 26, 2009

    ...

    Descobri a cura para o egoísmo, mas não conto para ninguém...

    janeiro 8, 2010

    Sobre o preço do sorvete

    Filosofia de bar não rola só em bar. Na sorveteria, com os amigos, surgiu a seguinte questão: se o sorvete de uma bola custa R$ 8,50, por que o sorvete de duas bolas custa apenas R$ 1 a mais? O lógico não seria que custasse o dobro?

    Não, não seria.

    Para começar, o custo do sorvete, para a sorveteria, não está apenas na massa de sorvete. Tem o aluguel do ponto, o equipamento, a energia elétrica, água, salários dos funcionários, impostos, etc. A maior parte do custo do sorvete está nestas outras coisas. De fato, uma vez que a sorveteria produziu um sorvete com uma bola, o custo para adicionar outra bola é minúsculo.

    Tudo bem, só que esta não é a razão para a diferença de preços. Se fosse só por isso, a diferença seria menor ainda, uns poucos centavos.

    Para entender a razão precisamos sacar que o que a sorveteria quer mesmo é vender sorvetes de duas bolas. Se eles tivessem que optar por oferecer um tamanho apenas, seria este que eles escolheriam. É onde eles ganham mais. Afinal, por basicamente o mesmo custo, eles conseguem lucrar quase R$ 1 a mais.

    O problema é que, se eles oferecessem aquele tamanho apenas, venderiam menos.

    Acontece que nós humanos em geral, e consumidores de sorvete em particular, somos péssimos em julgar valores absolutos. Nós precisamos de referências com as quais comparar. A sorveteria está mais do que disposta a atender tal necessidade e oferecer uma referência para a gente, para a conveniência deles. O fato é que o sorvetão de R$ 9,50 parece mais barato ao lado de um sorvetinho de R$ 8,50, com metade do tamanho, do que se o mesmo sorvetão estivesse sozinho. Basicamente o sorvete de 8,50 está lá para fazer o de 9,50 parecer uma oferta melhor, irrecusável até.

    janeiro 12, 2010

    Sobre o branco dos olhos

    Aproveito a visita ao Brasil para matar saudades de Mae West, a cachorrinha da família.

    Mesmo depois de tanto tempo fora, e apesar de eu ter passado a maior parte da sua vida distante, ela ainda lembra de mim. Quando cheguei, ela saudou-me com aquela habitual felicidade que os caninos demonstram quando um membro da matilha retorna, tenha ele saído por 2 anos ou 20 minutos.

    É a felicidade de saber que o outro ainda vive.

    Quando você sai, um cão tem a esperança de vê-lo de novo, mas nunca a certeza. Como poderia? É um mundo incerto aquele lá fora.

    Dois minutos depois, eu já não era novidade, mas a bagagem ainda era. Mae fez vistoria nas malas, para saber por onde andei, e que coisas trouxe.

    "Tanto tempo fora, deve ter trazido um pato ou um texugo", acho que ela pensou.

    Ainda bem que ela lembra de mim, porque não é muito amigável com estranhos não, pelo contrário. Como todo dachshund que se preze, Mae é vinte vezes seu tamanho em zanga e dez em coragem. Outro dia vieram uns caras da telefônica na casa, e ela não gostou nem um pouco não. Ficou uma fera com os intrusos. Tentei aplicar um Cesar Millan nela, com calma e assertividade, para desarmá-la de sua energia negativa, mas ela não gostou e tentou me morder.

    Tanto eu quanto ela sabemos que ela só tentou me morder. Se quisesse mesmo, teria mordido. Só que daí eu teria "mordido" de volta, e ela sabia disso. "Lati" mais alto e ela colocou o rabo entre as pernas, fez cara de arrependida, e passou o resto da tarde chateadinha com o incidente, fazendo aquela cara de chachorro que caiu do caminhão de mundaças, sabe?

    Cães são experts em fazer essas caras de coitados, que fazem a gente ficar "ohhh". Em parte porque nós mesmos, os humanos, selecionamos, ao longo da história, os cães que melhor faziam essas carinhas.

    Mae faz essas caras como ninguém. Só que comigo não cola, não quando ela aprontou.

    Quando ela quer apelar, ela mostra o branquinho dos olhos, raramente visíveis. Será esta outra característica selecionada para aumentar o vínculo com os humanos?

    Os humanos são a única espécie primata que tem aquela parte do olho, a esclera (antiga esclerótica), branca. Os demais primatas têm escleras pigmentadas em cores que produzem menor contraste com a pele e a íris. E as escleras humanas são maiores em proporção também. Uma conseqüência disso é que é mais fácil identificar a direção do olhar de um humano à distância. Por que será? Afinal, isso tem a desvantagem de os adversários saberem para onde o indivíduo olha. Quais seriam as vantagens para compensar tal desvantagem? Uma possibilidade é que a visibilidade do olho facilite a comunicação entre humanos. Grande parte da comunicação não verbal se dá através dos olhos.

    janeiro 20, 2010

    Congestionamento de Feriadão

    Dia 3 de janeiro fomos a Florianópolis. No caminho topamos com um super congestionamento de 40 km na BR 101... no sentido contrário ao nosso. Era o pessoal voltando das praias no final do feriadão de início de ano.

    Do nosso lado da rodovia, para nossa agradável surpresa, o trânsito foi bem mais tranqüilo do que antecipávamos.

    Fiquei com dó de quem estava preso lá no outro lado, mas não é como se congestionamentos de final de feriado fossem imprevisíveis, pelo contrário.

    Daí vem a pergunta: onde fica a “Lei da Atração” numa hora dessas?

    A “Lei da Atração” é aquele conceito pseudocientífico bobíssimo que diz que nossos pensamentos influem diretamente na realidade, e que basta “visualizar” algo com convicção e otimismo para aquilo acontecer de verdade.

    Pois bem, congestionamentos tendem a ser sempre piores do que a maioria das pessoas lá presas imaginou quando partiu para a viagem, pois quanto piores as expectativas de alguém sobre um possível congestionamento adiante, maiores as chances de aquela pessoa optar por alternativas para evitar a presepada. Deste modo, congestionamentos tendem a selecionar proporcionalmente mais por aqueles que “visualizavam” uma situação melhor — tanto mais quanto pior o congestionamento for. Obviamente isso viola descaradamente a “Lei da Atração” :)

    junho 1, 2010

    Lost

    O final de Lost não decepcionou. Por outro lado, não é como se eu esperasse muito. Pelo contrário, esperava bem pouco. Na medida do pouco que esperava, o final foi à altura.

    Tipo assim, já vi arremates piores, como as retcons de Highlander II: The Quickening, ou os midi-chlorians de Start Wars Episode I. Perto daqueles, os arremates de Lost foram... não tão ruins.

    O importante é olhar para o conjunto da obra, porém. Em sua totalidade Lost foi uma série boa em personagens, e ruim em ficção-científica.

    Sinto muito, fãs, mas no que diz respeito a séries de ficção-científica com foco em personagens, Battlestar Galactica foi melhor. Não que fosse perfeita, longe disso, mas soube dosar melhor o uso de dogmas e enigmas para explorar dilemas morais e dramas humanos. Isso porque parte dos “humanos” de Galactica eram andróides. Lost teve personagens muito bacanas, mas perto de Galactica a maioria deles parecia uma coleção de Pokèmons esperando cada qual a vez de servir sua habilidade especial ao [des]enrolar da trama, para então ser descartado em seguida.

    Para um show supostamente sobre personagens, Lost focou demais em enigmas. Sim, os enigmas eram muito bacanas, e foi o que atraiu e segurou muita gente no show. Só que a coisa toda perdeu muito a graça quando ficou claro, ali pela metade da série, que tais enigmas eram da boca para fora, vazios, sem essência, apenas uma colagem de símbolos e referências.

    Uma mitologia não é sobre colecionar símbolos, mas sobre explorar dilemas morais e nossa relação com os mistérios do Universo. Lost teve disso sim, mas a coisa foi um tanto incidental em meio ao desfile interminável de mistérios vazios. Lost criou mitologia por uma abordagem de “culto a carga”, imitando as conseqüências para tentar reproduzir as causas.

    O chato de Lost não são as perguntas que ficaram sem resposta. Galactica também deixou várias perguntas no ar, mas foi bem mais econômica na profusão de dogmas, e havia uma certa “lógica interna”. Não digo com isso que os autores de Galactica tinham resposta para todos os mistérios, ou sabiam o rumo da série desde o início, ou que a conclusão não foi derivada por engenharia reversa, mas pelo menos havia uma certa consistência na narrativa. Lost não teve essa “lógica interna”. É interessante como muito fãs continuam tentando desvendar os enigmas e significados da série como se houvesse mesmo substância sob a superfície. Não há. A aparência de substância é, em grande parte, um fenômeno de apofenia. Lost é como um videocassete paraguaio que você abre e descobre ser oco, os controles e displays externos são apenas decalques imitando elementos que os designers acharam bonitos.

    junho 17, 2010

    Alô-Alô Motorista

    Entrou em vigor uma lei aqui no estado de Washington que proíbe o manuseio de telefones celulares por quem estiver dirigindo um automóvel.

    Ótimo!

    Quem sabe agora que estamos com as mãos menos ocupadas possamos usá-las para acionar o pisca com mais freqüência, quando apropriado. Que tal?

    Ainda assim, acho que a indústria automobilística devia inventar um pisca mais fácil de usar. O modelo atual é muito complicado. Os dois neurônios que preciso ativar para mover meu dedo 5 centímetros em cada direção... é muito esforço. Dois neurônios já é 100% da capacidade neural de muitos motoristas por aí. Não dá para dirigir e usar o pisca ao mesmo tempo. Depois, é muito sacrifício pessoal por tão pequena demonstração de consideração aos demais motoristas e pedestres. Antes fosse um clique de mouse para repassar uma corrente de email adiante, para me fazer sentir bem por fingir que ajudo o mundo sem necessariamente precisar fazer algo real a respeito...

    junho 21, 2010

    Divagando

    Quando alguém diz “minha mãe disse que se você não tem nada de bom a dizer sobre uma pessoa, não deve dizer nada”, obviamente este alguém não segue o conselho materno. Frisar que não há nada de bom a dizer sobre uma pessoa é, essencialmente, dizer algo de ruim sobre tal pessoa. Se este alguém fosse mesmo tão cavalheiro quanto pensa que é, diria simplesmente “não tenho nada a dizer”.

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