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Lost in Translation Archives

junho 27, 2007

O que dizemos, e o que queremos dizer

Um colega do trabalho saiu de férias. No roteiro, uma paradinha no Tibet para ver o Everest de perto.

— Legal! E quanto tempo leva da China até o Tibet?

— Como assim? O Tibet é na China.

Eu quase respondo:

— Sim, mas diga isso para o Dalai Lama, não para mim.

Mas o que saiu foi:

— Ah tá...

Afinal, quem sou eu para defender a devolução do poder do Tibet à aristocracia teocrata e elitista dos lamas... er... digo a libertação do Tibet?

Algumas semanas antes da viagem, ele veio com essa:

— Tem uma pílula que você começa a tomar alguns dias antes de ir, para ajustar o organismo às grandes altitudes.

Não que ele fosse escalar o Everest, mas mesmo a base da montanha já é lá nas alturas, e o ar rarefeito exige mais do fôlego.

Eu quase respondo:

— Ah tá...

Mas o que saiu foi:

— Legal, mas se você parar de fumar hoje, garanto que será melhor para o fôlego do que qualquer pílula.

Ele não gostou nem um pouco.

junho 29, 2007

Associação de...

A realidade é, muitas vezes, mais engraçada do que a ficção.

Se isso fosse piada, não seria tão engraçado.

Você já ouviu falar na British Orthopaedic Sports Trauma Association?

julho 17, 2007

Torre de Babel

Você é daqueles que só pensa besteira?

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setembro 6, 2007

Crepes Suíços

(achado em Pato Branco, PR)

setembro 7, 2007

Me Love You Long Time


... O restaurante Shota em Vancouver traz um novo significado à expressão “comida chinesa”...

março 9, 2008

Sono...

Hoje começou o horário de verão aqui nos EUA. Um problema é que aqui a mudança acontece às 2:00 da manhã, e não à meia-noite como no Brasil, portanto tivemos que ficar acordados até bem mais tarde para acertar os relógios...

maio 22, 2008

Não que haja algo errado com isso

Dois colegas do trabalho conversavam sobre os benefícios do plano de saúde da Microsoft, só que peguei a conversa no meio.

— Parece que o plano paga a cirurgia uma única vez, hehe!

Achei que eles falavam sobre a ajuda de custo para cirurgia de correção de vista, que, de fato, só pode ser usada uma vez.

— O quê? LASIK?

— Não, hahaha, cirurgia de mudança de sexo!

Não deixei por menos.

— Bem, se você quiser fazer com laser, o problema é seu...

junho 1, 2008

Se insistir demais, perde o significado

Outro dia precisei pegar uma van até o aeroporto. O motorista ligou para dizer que estava perdido, pois há muitas ruas com nomes parecidos. Perguntei onde ele estava e, com ajuda de um mapa, guiei-o por telefone até meu endereço.

Depois ele desculpou-se pela confusão, demonstrou como o GPS não indicava o endereço certo, agradeceu pela ajuda, elogiou meu talento em navegação... e repetiu tudo isso umas cinco vezes ao longo da próxima meia hora.

Até que gosto do estilo mais paz e amor desses comedores de granola, calçadores de birkenstock, hippies pós-modernos que são o povo aqui de Seattle. Mas tem vezes que eles exageram um pouquinho na dose do “I’m OK, You’re OK”.

julho 4, 2008

Feliz 4 de Julho, Börk, Börk, Börk

fevereiro 2, 2009

Lost in transleitião

No último episódio de CSI, o caso que eles investigaram envolvia contrabando de mulheres do Brasil, veja só.

O chefe da quadrilha era um tal de “Pun-Rao”, que é “portuguese for ‘The Fist’”, explicou um dos personagens. Como é mesmo, Pun-Rao? Ah, claro, ele quis dizer... “Punhão”!

Hilário.

março 12, 2009

Ainda afundado em bugs

Escrevi o seguinte na descrição de um bug. Alguém perguntou se era algum tipo de haiku brasileiro.

   Easy fix, low risk
   Buffer overrun on buffer read
   Should take

Só quis ser conciso.

agosto 25, 2009

Manda Bala

Você já ouviu aquela piadinha do “estava com vontade de trabalhar, daí sentei no sofá e esperei a vontade passar?”

Aqui vai uma variação dela: Estava com saudades do Brasil, então sentei no sofá para assistir a “Manda Bala”, documentário do diretor Jason Kohn, e a saudade passou.

O filme, de 2007, é um documentário estadunidense sobre a violência e corrupção no Brasil, com um certo enfoque no ponto de vista dos próprios brasileiros. O documentário entrelaça diferentes histórias relacionadas à indústria dos seqüestros e aos casos de corrupção de Jáder Barbalho, que é apresentado como exemplo do ponto a que a corrupção institucionalizada, e sua tolerância, chegam no país.

Alguns brasileiros (e talvez gente de qualquer nacionalidade, efim) têm essa de não gostar quando estrangeiros falam mal do país, que estes não têm tal direito, que é exagero ou intriga, que os relatos são manipulados, que eles deviam olhar para o próprio umbigo antes de falar mal de outros. É como achar ruim que um careca aponte para nossa cabeça e diga que nosso cabelo está em chamas, quando nosso cabelo só está em brasa. É como se o Brasil fosse necessariamente OK, logo qualquer conclusão contrária é necessariamente errada. Afinal, corrupção e crime existem em qualquer lugar do mundo, não?

Fala sério! Tudo bem, talvez haja exagero e manipulação, mas mesmo quando se dá o devido desconto, mais bônus, ainda assim os níveis de criminalidade e corrupção no Brasil são absurdos para gente de país desenvolvido. O mais doloroso é a impressão que um longo tempo vivendo fora do país deixa, da resignação com que os próprios brasileiros aceitam tais problemas como dificuldades inescapáveis da vida.

Ainda tenho saudades dos amigos e da família, porém...

setembro 13, 2009

American Chopper

American Chopper é mais um reality show xarope que passa por aqui.

O programa acompanha o dia a dia de uma oficina que manufatura motocicletas artesanais sob encomenda, ou algo assim...

Se o programa fosse sobre a indústria de motos comerciais, talvez me interessasse mais.

Enfim, outro dia, trocando de canal, topei com o programa. Dois caras discutiam o guidão da próxima moto em que trabalhavam.

A preocupação deles era com o formato pontiagudo do guidão, em particular com o estrago que poderia causar ao crânio do motociclista em caso de colisão frontal.

“É só virar a ponta do guidão para frente”, pensei comigo mesmo.

Um dos caras sugeriu, de brincadeira, fazer a ponta mais afiada, para que, no caso de acidente, a morte fosse instantânea.

“É só virar a ponta para frente”, falei alto.

Daí eles fizeram cara de “p*ta que pariu, não tem solução, e agora?”

“É só virar a p*rra da ponta pra frente”, gritei para a TV.

Você já gritou com a TV?

Um tempo depois, sem achar a solução, resignados, os caras decidem ir para casa e deixar o problema para o dia seguinte. Corta para os comerciais.

“Nãããããããããooo”

Depois dos comerciais, na manhã do dia seguinte, o chefe chega um pouco atrasado. O outro carinha já estava ali trabalhando no problema. Quando o chefe aparece, o carinha diz que queria mostrar uma idéia que teve. “Que tal virar a ponta do guidão para frente?”

$@#%^&*! Os caras precisaram de uma noite inteira para vir com essa solução simples?

Daí o chefe olha para ele e diz: “gostei, muito bom, você teve essa idéia sozinho?”

...

Bem, eles têm um programa de TV. Eu não...

setembro 17, 2009

Bar do Áquila

Recebi esta da Adri, que está no Japão.

Mais uma para a coleção de placas divertidas.

***

O “Áquila” do título é uma piadinha particular. Sabe aquela brincadeira de passar o título de um filme por mímica? Pois uma vez meu amigo Adams pegou “O Feitiço de Áquila” para representar para nosso time. O mais difícil foi passar “feitiço”, e daí, assim que a turma pegou a palavra, ele simplesmente apontou para a própria axila. “Feitiço de axila”? Bam! “O FEITIÇO DE ÁQUILA”.

novembro 9, 2009

Japão





Estou no Japão.
Por que?
Por que não?

dezembro 6, 2009

Japão - Tecnologia 2

Ainda sobre o Japão, o que você acha que é o dispositivo da foto?

(a) Controle remoto universal
(b) Painel de comando do ASIMO
(c) Rádio FM no banheiro
(d) Controle de temperatura ambiente
(e) Painel de controle de um vaso sanitário



Se você respondeu (a), (b), (c) ou (d), você está destinado a uma grande surpresa quando estiver no Japão. A resposta certa é (d), é o painel de controle de um vaso sanitário.

Isso mesmo, esqueça as câmeras fotográficas, as calculadoras, os robôs. O forte da tecnologia japonesa está mesmo nas privadas.

Estima-se que 70% das privadas instaladas no Japão têm algum recurso tecnológico adicional em relação às tradicionais privadas ocidentais. E elas vão das mais simples às mais sofisticadas.

Os japoneses são fissurados em uma privada bem equipada: com tampa automática que levante e abaixe sozinha; acento estofado e aquecido; desodorizador; jatinho d’água com controle de ângulo, pressão e temperatura; bidê embutido; e ventinho fresco para secar a poupança.

Só falta um talquinho, puff!

Quer dizer, talvez não falte, não sei, pois havia um painel secreto com botões extras e instruções em japonês apenas, e não arrisquei apertar aqueles botões para ver o que acontecia...



Ou apertei, mas não quero contar o que aconteceu. O que acontece na privada é privado.

fevereiro 16, 2010

Hic Sunt Dracones

No Japão vimos muitas excursões escolares nos lugares turísticos por onde passamos. Muitas. Ao que parece, é atividade comum por lá.

Aqui nos EUA não se vê tanto disso. Talvez porque aqui os pais tenham medo que as crianças saíam da estufa sem eles. Ou talvez porque, apenas, as crianças daqui andem mais à paisana, daí não notemos tanto os grupos.

Os estudantes japoneses andam todos uniformizados.

“Os bonés amarelos estão chegando, os bonés amarelos estão chegando”, era um dos alertas que usávamos entre nós para avisar a chegada de mais uma excursão. Hora de apurar aquela foto da paisagem sem gente na frente, ou acelerar o passo para entrar numa fila antes da multidão.

E lá vinha o cardume de pacmen.

Quando estudei em escola que exigia uniforme, a razão que davam — não que eu ligasse, mas aparentemente alguém ligava, daí explicaram — é que a uniformização diminuía a distinção de classe social, que de outro modo ficaria evidente se cada um usasse a roupa que quisesse. Ou seja, era para evitar preconceito contra os menos abastados. Tipo assim, “esconde a diferença para ver se desaparece”, sabe? Como se não soubéssemos quem era rico ou pobre, afinal. Ou como se não houvesse preconceito lá fora, na vida, que é para o que a escola supostamente preparava.

Mas tudo bem, pode até ser que uniformes tenham tal benéfico. No mínimo eles diminuem a pressão sobre as crianças para estar em dia com as vicissitudes da moda. Agradecem pela folga aqueles pais suscetíveis a satisfazer o apetite consumista de seus capetinhas.

E tem a segurança também, sempre a segurança. Muito importante, aliás.

Outro aspecto importante, certamente no Brasil, é o econômico. Queira ou não os uniformes permitem à escola estabelecer um monopólio para beneficiar seus amigos... er... “associados”.

Outra coisa que não posso evitar pensar é se os uniformes não servem, também, para suprimir a individualidade em favor do grupo. Um “vestir a camisa” compulsório, entende?

O Japão tem essa coisa bem saliente na cultura, a prevalência do grupo sobre o indivíduo. Aquela coisa da hierarquia rígida, regras sociais elaboradas, mentalidade de colméia. Aquela coisa de você não poder estar fisicamente acima de seus superiores, daí eles se curvarem tanto — que há vezes parece que o quadril desparafusou. No Japão nota-se uma pressão grande por ser conforme. Já nos EUA é o contrário, aqui há uma pressão pela individualidade, uma certa obrigação por ser único. Aqui todos são igualmente especiais, o que, pela definição de “especial”, é um contra-senso, mas tudo bem.

maio 19, 2010

Tradução Mimada

Esta é ótima. Na versão traduzida para o português do jogo The Sims, alimentos perecíveis que passam da validade correm o risco de ficar “mimados”, como em “mimado leite”, ou “mimado sanduíche de atum”. Sacou?



“Mimada” foi essa tradução, isso sim.

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