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Mad World Archives

dezembro 15, 2007

Cachorras me mordam

Outro dia li a notícia de um homem que casou com uma cachorra.


“Tudo bem”, você dirá, “todos os dias muitos homens casam com muitas cachorras, o que há de especial nisso?”. O fato é que esta era uma cachorra de verdade, canina mesmo.


P. Selvakumar, um camponês de 33 anos, do estado de Tamil Nadu, Índia — e de onde mais você queria que uma notícia dessas viesse? —, casou com uma cadela vira-lata de quatro anos.


A idéia do casamento foi do astrólogo do noivo — de quem mais? —, como maneira do rapaz redimir seus erros e curar a maldição que o perseguia há anos. É que no passado ele tinha o fofo hábito de matar cães a pedradas e pendurar os corpos em uma árvore, e desde então começou a ter sérios problemas de saúde.


Em outra notícia, o prefeito de Nova Deli, Surinder Singh Bajwa, morreu em decorrência de sérios ferimentos que sofreu quando caiu de uma sacada, ao tentar fugir de uma gangue de macacos. É sério, não é para rir não, o cara morreu. Tudo bem, pode rir: vai ver ele escorregou numa casca de banana.


Ao que parece, Nova Deli tem uma praga de macacos. Uma das causas é a rápida urbanização, que devasta as áreas nativas onde os animais vivem. Para piorar, os hindus devotos opõe-se às tentativas de controle da população de macacos, porque acreditam que o animal é reencarnação do deus Hanuman. É comum o pessoal deixar oferendas de comida nos templos, o que só ajuda a manter os macacos na área.


O Hinduísmo — que muita gente considera, nossa!, tão espiritualmente superior — tem mais deuses do que a lista telefônica de São Paulo tem Silvas, e para cada deusinho há uma lenda que diz que aquele deusinho encarna em algum bicho ou forma de vida. Não me espantaria descobrir que há templo hindu para adorar bolor de pão... ou até... ratos.


São histórias singelas como essa que me fazem ficar com mais vontade de visitar a Índia... nunca!


Mas se eu fosse convidado para o casamento de um indiano com uma cachorra, até iria. Deve ser divertido, ainda mais quando você embarca de volta para casa. De presente eu levaria um cabresto — para o jumento do marido.

dezembro 23, 2007

Cachorras me mordam a perna

Tudo bem, eu sei que deveria ser o primeiro a apontar que não se deve usar uma ou outra notícia isolada para traçar um panorama geral. A mídia está mais interessada em notificar as exceções do que as regras. Não é porque alguém casa com uma cachorra, ou porque o prefeito da terceira cidade mais populosa do mundo morre ao fugir de uma gangue de macacos, que todo mundo na Índia é maluco. Deve ter gente normal lá, acredito... Mas o pessoal não colabora, gente!

Yanandi Kondaiah, um senhor de 80 anos, auto-proclamado “homem santo”, afirmava que sua perna direita era “mágica”, capaz de curar as doenças e atender aos pedidos de quem tocasse nela.

Essa história de “pega na minha perna e sente a mágica... ah... um pouco mais para cima”, está muito mal contada, mas tudo bem. Só que a bizarrice não termina aí.

Dois clientes, em agradecimento aos serviços prestados, ofereceram bebida alcoólica ao dono da perna mágica. Quando ele finalmente capotou de bêbado, os caras aproveitaram para roubar a perna. Isso mesmo, eles, rrrec, rrrec, rrrec, cortaram a perna e deram no pé, digo, fugiram com ela. Que fofo, não?

Por sorte o perrengue foi encontrado e levado a um hospital a tempo, ou teria morrido por perda de sangue. Segundo a polícia, o motivo do roubo foi superstição: os malandros queriam o membro pelos seus poderes mágicos — e por qual outro motivo alguém roubaria a perna de um indiano octogenário?

Pelo menos Kondaiah não foi ambicioso de dizer que a mágica estava no bráulio, senão já viu. E perna, Deus deu duas, não é mesmo?

Pelo que entendi, os larápios e a perna continuam à solta, o que apenas comprova os poderes mágicos dela, certo? Como dizem por aí, pata de coelho só não traz sorte ao próprio coelho. Vai ver os malandros planejam fazer um chaveirinho com a perna.

Link para a notícia aqui.

março 13, 2008

Vote nas mães, porque os clientes...

Ontem o governador do estado de Nova York, Eliot Spitzer, anunciou sua renúncia ao cargo depois que descobriram que ele era cliente de um serviço de prostituição de luxo. Como contraste, ele tinha um currículo sólido de defesa dos interesses públicos. Na época em que foi procurador-geral, processou vários casos de crimes de colarinho-branco contra gente grande de Wall Street. Imagino quanta gente tentou comprar esse cara, e por quanto, e ele não se vendeu. Tudo bem que, no que diz respeito ao escândalo, ele foi hipócrita, mas é engraçado como as pessoas horrorizam-se muito mais fácil com os políticos que pagam do que com aqueles que se prostituem.

maio 17, 2008

Sol!

O sol! O sol!

O sol finalmente deu as caras. Todo mundo aproveitou e saiu de casa.

Foi ótimo!

É isso, já estou pronto para o próximo inverno...

julho 29, 2008

Stop de insanity!

Como seria o sinal de “Stop” se fosse bolado por um comitê de uma grande corporação?




Esse vídeo seria muito engraçado, não fosse tão triste. Se você acha que esse tipo de coisa não acontece, é porque não trabalha na mesma empresa que eu.

agosto 7, 2008

Lá Vamos Nós Mais Uma Vez

Aproveitando o clima olímpico, o pessoal do Windows decidiu lançar a bug olympics, uma competição com prêmios para incentivar o pessoal a achar e consertar bugs.

Achar e consertar bugs é importantíssimo, mas às vezes eu gostaria que focássemos menos em reagir a bugs lá na frente (ser menos bug driven) para focar mais em agir na qualidade desde o começo.


Focar demais em bugs é como focar em remendar as rachaduras de uma represa sempre que ela começa a vazar água, sem jamais questionar se as rachaduras são mesmo o problema, ou a indicação de um problema maior na infra-estrutura. Bugs deveriam ser tratados como indicações de problemas na qualidade do produto, e não como um jogo de Whac-a-Mole (Marrete a Toupeira). Qualidade é uma coisa que você aplica desde o começo, de dentro para fora, e não uma tinta mágica que você retoca depois, um ponto aqui, outro ali, e ela milagrosamente penetra a estrutura inteira.


O problema de uma competição focada em bugs é que ela transmite a mensagem implícita de que não se deve perder tempo em ações preventivas, pois bugs prevenidos não dão prêmios. É uma situação ridícula esta na qual quem conserta mais bugs é mais bem visto do que quem escreve código com menos bugs para começar.

agosto 15, 2008

Wiggly Eyes

Hoje passei na loja de material de artesanato e comprei uma cartela de wiggly eyes.


— Wiggley what?


Wiggly eyes (ou googly eyes) são aqueles olhinhos de plástico que o pessoal usa em fantoches, bonecas, etc.



— Sim, mas por quê?


Porque eles são uma maneira de fomentar uma crítica pós-moderna através da reinterpretação da realidade por meio de imbuir de personalidade objetos inanimados do dia a dia.


Ou apenas porque são divertidos de colocar em coisas, oras.


Por exemplo, vamos pegar a serigrafia que compramos recentemente da gravura “O Cão”, de Pablo Picasso — o artista, sortudo, tinha um dachshund de estimação.


Dachshunds? Ótimos!


Picasso? Gênio!


A gravura? Ê... obra-prima, tudo bem, mas... sooooo boring!



Agora, apliquemos um par de wiggly eyes nela!



Sensacional! Obra-máxima. Quem disse que não dá para melhorar um Picasso, heim?

setembro 10, 2008

Argh!

Meu cérebro está tentando me matar.
Preciso de férias! Preciso de férias!

setembro 25, 2008

Voltei

Semana passada tirei férias, saí para um cruzeiro.

Caribe?

Caribe não.

Alasca.

Mas foi legal, acima de minhas expectativas... umas coisas. Outras, nem tanto. Na média, foi acima da média, entende?

Uma coisa que espantou foi a quantidade de comida. A atividade predominante do cruzeiro é comer. Tem um restaurante que serve almoço, chá da tarde e jantar. O jantar tem cinco pratos: aperitivo, sopa, salada, prato principal e sobremesa, tudo já incluso no pacote. A única coisa não inclusa são as bebidas. Além disso, tem também um bufê aberto 24 horas por dia, no lido deck, tudo também incluso no pacote. Não, não fui lá às 3 da manhã para confirmar se estava aberto, mas aposto que teve gente que foi.

Acho que o cérebro de algumas pessoas não consegue processar tal proposta, a de ter comida à vontade e já paga, daí incorrem na falácia dos custos empatados.

— Já paguei por tudo, coma ou não, então eu tenho que comer.

Escrevo mais sobre a falácia outra hora.

A primeira vez que passei no lido deck lembrei imediatamente do WALL-E, por que será?

No começo consegui maneirar bem, mas nos últimos dias já estava um pouco mais relapso, principalmente porque os dois últimos dias foram quase que inteiramente só no navio. Um tédio.

Agora sei porque eles têm aqueles guindastes no cais: para desembarcar... digo, “descarregar” os passageiros.

A comida era muito boa. Fiquei feliz que o cruzeiro acabou, para escapar daquelas tentações. Fiquei triste de ter que voltar a almoçar no restaurante do trabalho, porém.

outubro 1, 2008

Arte

No cruzeiro em que viajei dias atrás, tinha leilão de arte.

A empresa dona do cruzeiro compra quadros às pencas para decorar seus navios, daí leiloa as sobras. Dá para ter uma idéia.

Até que havia um e outro quadros bons, se bem que não muito do meu gosto, mas na média as obras eram muito, muito bregas.

Tão bregas que aquelas minhas fotos de bolha estariam em pé de igualdade lá no meio.

Os norte-americanos são muito, muito bregas.

Mas há ocasiões em que você se surpreenderia...

Um dia, passando pelo deck onde acontecia um leilão, ouvi a mestre leiloeira anunciar:

— Agora gostaríamos de oferecer estes Matisses originais...

O quê? Um Matisse original? Um não, mais do que um, e num leilão de cruzeiro? E logo Matisse, sobre quem li ainda outro dia? Imagine a sorte de eu estar passando por ali bem naquele momento. É claro que tive que parar para ver.

— Você poderá ter um “Matisse” original em sua sala.

Uau!

— Do pintor Paul Matisse.

Paul Matisse? Paul?

Não era Henri Matisse não?

— Paul Matisse, neto do famoso pintor Henri Matisse.

What the $%!$@#@&*! Que tipo de pilantragem é essa? Vai ter cara-de-pau assim lá na %$#^*@!.

— Reconhece-se o estilo do avô nas pinturas.

Ah, e nem estilo próprio o larápio tem.

Que enganação! Que descaramento! O que é isso, leilão paraguaio? Por acaso teria aí também um quadro de Juquinha Van Gogh, bisneto do primo de segundo grau do pintor pós-impressionista Vicent Van Gogh, para incluir como brinde no pacote? Tipo, “compre três Matisses e leve um Van Gogh de graça”.

Bando de pilantras!

No final, nenhum dos Matisses... er... “originais” recebeu qualquer lance. O pessoal pode ser brega, mas não é burro...

Mas há ocasiões em que você se surpreenderia...

outubro 4, 2008

Dr. Evil

(Se bem que ainda não vi por aí, essa idéia não deve ser muito original não. Aliás, deve ser um tanto óbvia. Em todo caso, aqui vai.)

novembro 3, 2008

Janta

Hoje tenho que trabalhar até mais tarde para capinar bugs do Windows 7.

Ainda bem que tenho muitas opções de janta por aqui. Vejamos, posso escolher entre porcaria em dobro, ou porcaria em dose normal — que, não obstante, é apresentada como “porcaria reduzida”.

dezembro 8, 2008

All around me are familiar faces

Frank, o saleiro (de sal defumado), disse que o mundo vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos...


janeiro 2, 2009

O Rio de Janeiro continua lindo

Li notícia na Folha que balas perdidas deixaram 5 pessoas feridas nas comemorações da passagem do ano em Copacabana, Rio de Janeiro.

Preocupante? Sim.

Alarmante? Depende...

Depende do número de balas disparadas.

Tipo assim, se foram 100 balas e só 5 pegaram inocentes, até que não é tão mau assim, certo?

E também tem que ver quantas acertaram os alvos, certo?

Certo?

janeiro 6, 2009

Pega Leve

Se engenheiros de software projetassem carros, eis o que fariam caso o cliente pedisse uma "versão mais leve" do produto.

Se você acha isso exagero, é porque não conhece um certo software que eu conheço...

março 27, 2009

Sky Mall

Dia desses a Adri trouxe para casa minha revista favorita: Sky Mall.

Sky Mall é um catálogo de compras que muitas empresas aéreas daqui dispõe para os passageiros durante os vôos. Você pode comprar os produtos oferecidos depois do desembarque, por correio ou telefone, ou até mesmo durante o vôo, pelos telefones de bordo (quando disponíveis).

Enfim, se você tem dinheiro para gastar, eles dão um jeito.

Sky Mall funciona no pressuposto que a combinação entre altitude elevada e tempo sentado afeta o cérebro para pior, e faz você ficar com um comichão danado para comprar aquilo que não precisa. E quanto menos precisar, melhor.

Por exemplo, que tal um gárgula para animar a fachada tão modesta de sua casa? Afinal, se funcionou para Notre Dame, por que não funcionaria para seu palacete de subúrbio? O homem é o rei do próprio castelo. Ou algo assim. Dizem.

E aquele seu jardim desanimado? Para que estragá-lo com um anão brega, tão nórdico, quando você pode instalar uma maravilhosa estátua em bronze falso do Sasquatch, muito mais a mitologia norte-americana?

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E a sala de estar? Que tal decorá-la com uma réplica em tamanho real do simpático R2D2 de “Guerra nas Estrelas”? Sua esposa emitirá assobios intergalácticos de aprovação.

Sky Mall é um monumento ao consumismo norte-americano, o qual funciona na premissa de que este povo tem (ou tinha) mais tempo, dinheiro e espaço na garagem do que capacidade para tolerar as mínimas inconveniências. Os norte-americanos A-DO-RAM uma solução complicada para um problema simples.

Por exemplo, por que subjugar-se à inconveniência de juntar o cocozinho de seu cachorro com uma sacolinha genérica, quando você pode usar uma pazinha especialmente dedicada à tarefa? É o Pooper Scooper. Se as Organizações Tabajara publicassem um catálogo de compras, a Sky Mall seria tal catálogo.

Um jeito fácil de inventar soluções complicadas para problemas simples é recombinar coisas que antes existiam separadas. Pontos extras se uma das coisas for digital.

Por exemplo, que tal uma máscara de mergulho com câmera fotográfica digital embutida? Aberração diabólica, saída da mente maligna de algum Dr. Moreau do mercado de livre iniciativa.

A combinação de duas soluções distintas raramente melhora qualquer uma delas. Muitas vezes é o contrário. Um treco desses é ruim como máscara de mergulho, e péssimo como câmera fotográfica. Porém, de alguma forma, em algum lugar, alguém com mais dinheiro do que juízo, olha para isso e acha a idéia sensacional, e não consegue imaginar como viveu até hoje sem isso — ou a coisa não estaria num catálogo de compras.

Um sinal de que você está morando há muito tempo nos EUA é quando você folheia o Sky Mall e, coisas que você dispensaria como bobagem há alguns anos, hoje você se pega pensando “mmm... até que consigo visualizar alguma utilidade para isso”.

Olha esse segurador de livro, por exemplo. Sensacional! Como pude viver até hoje sem ter um?

agosto 25, 2009

Manda Bala

Você já ouviu aquela piadinha do “estava com vontade de trabalhar, daí sentei no sofá e esperei a vontade passar?”

Aqui vai uma variação dela: Estava com saudades do Brasil, então sentei no sofá para assistir a “Manda Bala”, documentário do diretor Jason Kohn, e a saudade passou.

O filme, de 2007, é um documentário estadunidense sobre a violência e corrupção no Brasil, com um certo enfoque no ponto de vista dos próprios brasileiros. O documentário entrelaça diferentes histórias relacionadas à indústria dos seqüestros e aos casos de corrupção de Jáder Barbalho, que é apresentado como exemplo do ponto a que a corrupção institucionalizada, e sua tolerância, chegam no país.

Alguns brasileiros (e talvez gente de qualquer nacionalidade, efim) têm essa de não gostar quando estrangeiros falam mal do país, que estes não têm tal direito, que é exagero ou intriga, que os relatos são manipulados, que eles deviam olhar para o próprio umbigo antes de falar mal de outros. É como achar ruim que um careca aponte para nossa cabeça e diga que nosso cabelo está em chamas, quando nosso cabelo só está em brasa. É como se o Brasil fosse necessariamente OK, logo qualquer conclusão contrária é necessariamente errada. Afinal, corrupção e crime existem em qualquer lugar do mundo, não?

Fala sério! Tudo bem, talvez haja exagero e manipulação, mas mesmo quando se dá o devido desconto, mais bônus, ainda assim os níveis de criminalidade e corrupção no Brasil são absurdos para gente de país desenvolvido. O mais doloroso é a impressão que um longo tempo vivendo fora do país deixa, da resignação com que os próprios brasileiros aceitam tais problemas como dificuldades inescapáveis da vida.

Ainda tenho saudades dos amigos e da família, porém...

setembro 13, 2009

American Chopper

American Chopper é mais um reality show xarope que passa por aqui.

O programa acompanha o dia a dia de uma oficina que manufatura motocicletas artesanais sob encomenda, ou algo assim...

Se o programa fosse sobre a indústria de motos comerciais, talvez me interessasse mais.

Enfim, outro dia, trocando de canal, topei com o programa. Dois caras discutiam o guidão da próxima moto em que trabalhavam.

A preocupação deles era com o formato pontiagudo do guidão, em particular com o estrago que poderia causar ao crânio do motociclista em caso de colisão frontal.

“É só virar a ponta do guidão para frente”, pensei comigo mesmo.

Um dos caras sugeriu, de brincadeira, fazer a ponta mais afiada, para que, no caso de acidente, a morte fosse instantânea.

“É só virar a ponta para frente”, falei alto.

Daí eles fizeram cara de “p*ta que pariu, não tem solução, e agora?”

“É só virar a p*rra da ponta pra frente”, gritei para a TV.

Você já gritou com a TV?

Um tempo depois, sem achar a solução, resignados, os caras decidem ir para casa e deixar o problema para o dia seguinte. Corta para os comerciais.

“Nãããããããããooo”

Depois dos comerciais, na manhã do dia seguinte, o chefe chega um pouco atrasado. O outro carinha já estava ali trabalhando no problema. Quando o chefe aparece, o carinha diz que queria mostrar uma idéia que teve. “Que tal virar a ponta do guidão para frente?”

$@#%^&*! Os caras precisaram de uma noite inteira para vir com essa solução simples?

Daí o chefe olha para ele e diz: “gostei, muito bom, você teve essa idéia sozinho?”

...

Bem, eles têm um programa de TV. Eu não...

dezembro 6, 2009

Japão - Tecnologia 2

Ainda sobre o Japão, o que você acha que é o dispositivo da foto?

(a) Controle remoto universal
(b) Painel de comando do ASIMO
(c) Rádio FM no banheiro
(d) Controle de temperatura ambiente
(e) Painel de controle de um vaso sanitário



Se você respondeu (a), (b), (c) ou (d), você está destinado a uma grande surpresa quando estiver no Japão. A resposta certa é (d), é o painel de controle de um vaso sanitário.

Isso mesmo, esqueça as câmeras fotográficas, as calculadoras, os robôs. O forte da tecnologia japonesa está mesmo nas privadas.

Estima-se que 70% das privadas instaladas no Japão têm algum recurso tecnológico adicional em relação às tradicionais privadas ocidentais. E elas vão das mais simples às mais sofisticadas.

Os japoneses são fissurados em uma privada bem equipada: com tampa automática que levante e abaixe sozinha; acento estofado e aquecido; desodorizador; jatinho d’água com controle de ângulo, pressão e temperatura; bidê embutido; e ventinho fresco para secar a poupança.

Só falta um talquinho, puff!

Quer dizer, talvez não falte, não sei, pois havia um painel secreto com botões extras e instruções em japonês apenas, e não arrisquei apertar aqueles botões para ver o que acontecia...



Ou apertei, mas não quero contar o que aconteceu. O que acontece na privada é privado.

dezembro 8, 2009

Robin Williams

Robin Williams fez uma piada sobre o Rio de Janeiro e foi esculachado pela opinião pública brasileira. Houve até ameaças de morte ao comediante.

Claro, como se o problema do Rio fosse esse mesmo: comediantes estrangeiros fazendo piada sobre a cidade, indiferentes às sensibilidades nacionais.

Os cariocas deviam fazer uma passeata (pacifista, obviamente) contra as piadas de Williams.

Como é? Passeata pacifista não funciona contra a escalada de humor? Só contra a escalada de violência e criminalidade? — funcionou das últimas sete vezes, não? Pois se há mensagem que bandido entende é a de intelectuais burgueses vestidos de branco, passeando na orla, entoando “chega”.

Não, passeata não funciona com comediante. O que funciona é intolerância, ódio e ameaças de morte. Nessas horas o Brasil é machinho. Na hora de ser intolerante com os ratos que infestam a vila, daí é diferente, porém — mas ai do bobo da corte estrangeira se abrir a boca para falar besteira.

janeiro 20, 2010

Congestionamento de Feriadão

Dia 3 de janeiro fomos a Florianópolis. No caminho topamos com um super congestionamento de 40 km na BR 101... no sentido contrário ao nosso. Era o pessoal voltando das praias no final do feriadão de início de ano.

Do nosso lado da rodovia, para nossa agradável surpresa, o trânsito foi bem mais tranqüilo do que antecipávamos.

Fiquei com dó de quem estava preso lá no outro lado, mas não é como se congestionamentos de final de feriado fossem imprevisíveis, pelo contrário.

Daí vem a pergunta: onde fica a “Lei da Atração” numa hora dessas?

A “Lei da Atração” é aquele conceito pseudocientífico bobíssimo que diz que nossos pensamentos influem diretamente na realidade, e que basta “visualizar” algo com convicção e otimismo para aquilo acontecer de verdade.

Pois bem, congestionamentos tendem a ser sempre piores do que a maioria das pessoas lá presas imaginou quando partiu para a viagem, pois quanto piores as expectativas de alguém sobre um possível congestionamento adiante, maiores as chances de aquela pessoa optar por alternativas para evitar a presepada. Deste modo, congestionamentos tendem a selecionar proporcionalmente mais por aqueles que “visualizavam” uma situação melhor — tanto mais quanto pior o congestionamento for. Obviamente isso viola descaradamente a “Lei da Atração” :)

agosto 8, 2010

Audrey II



Este é um vaso de petúnias que temos em nosso micro-quintal, nos fundos de casa.

Bonitinhas as florzinhas, não?

Sim, são bonitinhas, mas não se deixe enganar por tamanho ar de inocência, pois é puro fingimento. Descobri ontem que petúnia é, possivelmente, uma planta carnívora, oh! — dizer “carnívora” é mais dramático que “insetívora”, mas de um jeito ou outro, o fato é que ela se alimenta de insetos.

Petúnias não chegam a ser tão ostensivamente predatórias quanto as dioneias (Venus Flytrap), mas talvez por isso mesmo haja um certo horror mórbido na sutileza indiferente com que elas consomem suas vítimas.

Você sabia que o tomateiro vem sendo considerado uma planta insetívora por alguns botânicos? Pois é, li uma reportagem sobre isso há algum tempo. Se você já observou um tomateiro de perto, as hastes são felpudas, cobertas por uns cabelinhos grudentos. Pois bem, a hipótese destes botânicos é que a função destes cabelinhos é capturar insetos. À medida que os insetos capturados morrem e apodrecem, seus restos caem no chão e fertilizam o solo em que a planta está. Ou seja, a princípio o tomateiro seria capaz de capturar o próprio adubo. Ainda, segundo os mesmos botânicos, tal estratégia é mais popular do que se imaginava, sendo usada por várias plantas, as petúnias aí inclusas.

Pois bem, ontem fui pegar um par de petúnias para colocar num vasinho dentro de casa e notei como a planta é bem grudenta. Notei também um inseto morto preso numa haste, e lembrei imediatamente da reportagem. Inspecionei a planta com mais atenção e, para minha surpresa, vi o banquete em andamento! Centenas de insetos grudados por toda a planta, a maioria minúsculos, quase imperceptíveis. Um massacre! Ao que parece temos uma planta voraz em casa e não sabíamos.

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